Cimento eleva custos da construção civil local

Em: 1 de novembro de 2007
Vice-presidência da CNI questiona o fato de um saco de 50kg do produto está sendo vendido em Manaus a R$ 23, enquanto em Brasília, onde não há fábrica, o mesmo é vendido por R$ 11.
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Vice-presidência da CNI questiona o fato de um saco de 50kg do produto está sendo vendido em Manaus a R$ 23, enquanto em Brasília, onde não há fábrica, o mesmo é vendido por R$ 11.

O constante reajuste no preço do cimento, que neste ano superou o índice de 8%, tem ocasionado um forte impacto de custos no setor da construção civil em Manaus. Na última semana, o preço desse produto sofreu mais uma variação, atingindo a 4,19%, em razão disso, os empresários do setor estão reivindicando a intervenção do poder público para evitar a continuidade nessa política de preço, a qual eles consideram abusiva.

O vice-presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria) e empresário da área de construção civil em Manaus, José Nasser, avaliou que a fabricante de cimento instalada em Manaus está se aproveitando do atual período de aquecimento da construção civil para cometer preços abusivos. “Não há motivos para o cimento ter um preço tão elevado, pois temos uma fábrica aqui que conta com incentivos fiscais e não repassa essa compensação de custos no preço final ofertado ao consumidor”, assinalou.
Segundo Nasser, um saco de 50kg do cimento está sendo vendido em Manaus a R$ 23, enquanto em Brasília, onde não há fábrica, o mesmo produto é comercializado por apenas R$ 11.

De acordo com o diretor da Itautinga, empresa fabricante do cimento Nassau, Marcílio Brotherrood, esse valor elevado se deve à distância da cidade de Manaus da jazida de minério da empresa. “A fábrica da Itautinga é a única do Brasil a ter suas jazidas de minérios localizadas a 650 km de distância da fábrica. Cerca de 94% das matérias-primas utilizadas na produção vêm, por via fluvial, dessas jazidas, por isso os custos são elevados. As demais fábricas, no geral, têm suas jazidas de minérios ao lado das fabricantes”, justificou.

O executivo também destacou que o atual contexto macroeconômico de equilíbrio da inflação e redução das taxas de juros favorece a manutenção no preço dos produtos. “A inflação neste ano não irá passar de 4% e os juros do país estão em queda, ainda tem a desvalorização cambial, não há nada que justifique esses reajustes abusivos da fabricante de cimento”, disse ele.

Justificativas apresentadas

Marcílio Brotherrood disse que o aumento nos últimos 12 meses foi de apenas 8,91%, e se deve principalmente à elevação nos preços de insumos, como minério e transportes. “O combustível sólido e o setor de transporte apresentou reajuste de 36,73% e a energia elétrica 5,16% nos últimos 12 meses; ainda há o aumento nos salários em 27,64%, com todos esses aumentos foi preciso repassarmos essa elevação ao consumidor”, explicou o diretor da Itautinga.

Segundo Brotherrood, o câmbio deixou de ser determinante no preço do cimento, que hoje está tendo a utilização do coque verde em seu processo produtivo, em substituição ao óleo BPF (fuel oil), insumo nobre que tinha valores determinado pelo mercado internacional.

No objetivo de reverter essa situação de custos elevados num dos principais insumos para o setor da construção, os empresários do setor estão tentando conversar com representantes do governo estadual para pedir alguma medida a favor do segmento.

“A indústria de cimento daqui não quer conversar conosco, só faz mandar a notificação de reajuste, então, vamos falar com o governo para que alguma medida seja tomada contra esse aumento abusivo”, informou Nasser.

O presidente do Sinduscon-Am ( Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Joaquim Auzier, avaliou que o setor está passando por um momento de pleno aquecimento. Segundo ele, neste ano o número de lançamentos imobiliários triplicou, em relação ao ano passado.

“Neste exercício tivemos cerca de 50 lançamentos imobiliários, tanto em construção vertical, quanto horizontal, sendo que a maior parte desses empreendimentos são apartamentos”, informou o representante dos construtores do Estado.

Sinduscon teme falta de mão-de-obra no Estado

De acordo com Joaquim Auzier, a elevação do setor está tão pujante que o segmento pode passar por falta de mão-de-obra. “Até o momento, os trabalhadores locais estão suprindo esse mercado, mas

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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