Evaldo Ferreira: @evaldo.am
A produção cinematográfica amazonense continua em efervescência, com cineastas filmando quase que diariamente e suas produções ganhando visibilidade em festivais e eventos locais e nacionais.
No próximo dia 2 de setembro, sexta-feira, com encerramento no dia 4, domingo, acontece a II Mostra Sumé de Cinema, na cidade de Sumé, no Cariri Paraibano, e tem filme amazonense em exibição, saído de uma OPA (Oficina de Produção Audiovisual), realizada no Museu Amazônico, da Ufam. Trata-se do curta-metragem ‘Vendo boto’, dirigido por Nonato Tavares.
O filme conta a lenda do boto e foi filmado na comunidade Nossa Senhora do Livramento, nas proximidades de Manaus. Cerca de 20 pessoas participaram da oficina que deu origem ao filme, e todas puderam exercer funções técnicas nos setores de fotografia, direção de arte, produção, maquiagem, figurino, preparação de elenco e som.
As OPAs são oferecidas gratuitamente pelo Museu Amazônico. O projeto é coordenado pelo produtor audiovisual Thiago Morais. ‘Vendo boto’, tem na equipe os próprios alunos da OPA, que desempenharam funções importantes no processo de pré-produção e filmagens do curta.
“Agora mesmo estamos realizando uma Oficina, a oitava, e iremos começar a próxima, em outubro. A proposta do curso é apresentar o cenário audiovisual amazonense para os alunos. A maioria continua fazendo filmes e segue em diversas áreas. Alguns alunos abriram MEIs para trabalhar com audiovisual, outros estão trabalhando em produtoras. Filmes nossos têm participado de festivais pelo Brasil”, revelou Thiago.



“As OPAs realizadas pelo Museu, têm revelado o potencial criativo de seus alunos na medida que diversas produções locais já foram selecionadas para concorrer em nível nacional demonstrando a qualidade e a técnica aplicada nos trabalhos. O Museu Amazônico e a Ufam sentem-se orgulhosos por contribuir com a evolução das produções locais”, falou Dysson Teles Alves, diretor do Museu Amazônico.
Pendurados nas árvores
Bruno Pereira fez seu primeiro filme, em 2003, e não parou mais. Até já perdeu as contas de quantas produziu e dirigiu. Seu mais recente trabalho é ‘Filho da mãe d’água’ (https://youtu.be/62yF0n6zGlY), também filmado numa comunidade, de São Pedro, em Iranduba.
“O filme tem a temática infantil. No coração da mata, as crianças Milena e Bené disputam frutos em partidas de pênaltis. No caminho de volta, os sussurros da floresta se revelarão para o curumim”, adiantou Bruno.
“É um filme que já nasce premiado, pois foi contemplado no edital do Banco da Amazônia de 2022. Foram apenas sete dias de filmagens, mas demorou um ano para iniciarmos os trabalhos. Tivemos uma fase de preparação com pré-produção, produção e pós-produção, até porque o objetivo não era só fazer o filme”, falou.
“O projeto era levar oficinas de técnicas teatrais para a comunidade e os ribeirinhos da São Pedro, que abraçaram isso muito bem. Gostaram da nossa presença e nos ajudaram bastante no trabalho de produção do filme. A comunidade tem locações belíssimas”, contou.
‘Filho da mãe d’água’ estreou na comunidade com gente pendurada nas árvores. A maioria dos moradores nunca tinha visto um filme na vida. Teve pipoca e refrigerante, e fogos de artifício para chamar os moradores da comunidade, que em pouco tempo lotaram a casa dos líderes comunitários, Malaquias e Idelfonso, onde aconteceu a exibição.
“O filme já foi exibido no Cine Teatro Guarany, no Museu Amazônico, na Casa de Artes Trilhares, e no dia 26, sexta-feira, será exibido numa escola na Colônia Terra Nova, onde mora um dos atores. Depois é participar de festivais pelo Brasil e o mundo. Quem ganha com isso é o cinema amazonense”, afirmou Bruno.
Aprendendo na prática
No dia 2 de setembro, Juan Lopes participa do Circuito +Cultura, no Cine Teatro Guarany, anexo ao Palácio Rio Negro, com quatro curta metragens: ‘Bela moça’, ‘O hospedeiro do mal’, ‘Sorria para mim’, ‘O homem sem rosto’ e ‘A sombra da meia-noite’. As exibições começam às 18h30 e a entrada é gratuita.
Apaixonado por fazer cinema desde a infância, Juan até participou de algumas oficinas de cinema, mas tem aprendido na prática e pesquisando na internet. Já possui dez curtas e um longa-metragem em sua lista de filmes e, com produção independente, tão logo acaba um filme, começa outro, a maioria com a temática de terror. O interessante de Juan é que ele consegue editar um filme inteiro no celular.
Nas suas produções, o cineasta de apenas 21 anos, se alia a outros profissionais e forma uma equipe reunindo assistente de direção, iluminador, sonoplasta, entre outros.
Quem quiser conhecer a trajetória cinematográfica de Juan, no próximo dia 29, segunda-feira, ele irá lançar em seu canal no YouTube, Sr. Lopes Produções, a primeira parte do documentário ‘Especial 10 anos’, no qual conta a sua relação com o cinema desde os onze anos de idade.
“No dia 31, quarta-feira, será publicada a parte 2 do documentário. Quero que esse documentário sirva de exemplo para jovens que pretendem transformar seus sonhos em realidade. Agora, meu próximo objetivo é participar de festivais”, concluiu.







