A expansão na oferta de crédito para a classe C inflou as vendas de veículos novos e usados no Amazonas neste começo de ano, com destaque para o segmento popular. Na comparação do primeiro bimestre de 2008 com igual período do ano passado, o número de emplacamentos no Estado aumentou 29,63%, passando de 2.271 (2007) para 2.944 (2008), segundo o Detran-AM (Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas).
Já o site da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) informa que as vendas na região tiveram um crescimento de 53,29% durante o período, com 4.479 (2008) contra 2.922 (2007), resultado superior à média nacional (39,10%). Vale ressaltar que as estatísticas incluem veículos usados, entre carros de passeio e comerciais leves.
A possibilidade de adquirir um automóvel sem entrada, com maiores prazos de pagamento (em até 72 meses) e juros mais baixos alavancou as vendas na região e permitiu a realização do sonho do carro próprio para uma parcela de compradores que, até bem pouco tempo, não tinha acesso a bens duráveis.
Pacote
econômico
A euforia dos consumidores e vendedores, no entanto, é ameaçada por um pacote econômico do governo federal que pretende, entre outras medidas, justamente reduzir essas facilidades para resguardar o sistema bancário e evitar uma eventual crise econômica no país.
Uma das concessionárias que registrou resultado expressivo durante o período foi a Garcia Veículos, com 30% de expansão e meta de atingir a margem de 35% até o fim de 2008. A clientela prefere o Celta quatro portas (R$ 33 mil) e Corsa Classic (R$ 32 mil). Por conta do aumento da procura, o maior problema enfrentado pela loja, de acordo com o gerente geral, Marcos Vasconcelos, é a falta de produto, a exemplo da Montana (R$ 33 mil) e da picape S/10 (R$ 59 mil).
Oferta está abaixo da procura pelo produto
“O mercado está aquecido, mas falta veículo. Infelizmente, a indústria brasileira não estava preparada para esse aumento do poder aquisitivo das classes menos favorecidas e não conseguiu acompanhar o incremento da demanda”, lamentou. De acordo com Marcos Vasconcelos, a fatia da classe nas vendas da loja passou de 10% para 30% nos últimos 12 meses.
A empresa, que há mais de 20 anos revende os automóveis da marca Chevrolet em Manaus, trabalha com duas modalidade de financiamento: leasing e CDC (Crédito Direto ao Consumidor), com juros de 1,5% e 1,7%, respectivamente. A entrada pode variar de zero a 30% do valor do veículo. “Dependendo da entrada, o cliente ganha um acessório como cortesia da casa”, acrescentou Vasconcelos.
Carros
Usados
O segmento de usados também aqueceu no primeiro bimestre. A 33 Automóveis, localizada na Cidade dos Carros, cresceu 10% no acumulado de fevereiro e espera duplicar a margem de incremento até dezembro. “O poder aquisitivo aumentou e o consumidor tem confiança no futuro”, comemorou o diretor administrativo da empresa, Altamiro Sousa. A classe C e os compradores de primeira viagem respondem por metade da clientela.
A empresa trabalha com leasing (1,6%) e CDC (1,9%) para atender uma clientela que prefere o Celta (de R$ 15 mil a R$ 25 mil), o Gol (R$ 11 mil a R$ 25 mil) e o Fiat Pálio (R$ 9 mil a R$ 24 mil). A variação de preço depende do ano do veículo e dos acessórios.
Reduzir
prazos
A possibilidade do governo federal reduzir o prazo dos financiamentos para veículos novos e usados, uma medida estudada pelo Ministério da Fazenda para evitar uma eventual crise no sistema bancário brasileiro, preocupa os revendedores de Manaus. “O governo federal tem muito medo de inflação, caso a oferta não acompanhe a demanda, mas essa decisão seria inconstitucional”, espetou o gerente-geral da Garcia Veículos, Marcos Vasconcelos. Para o proprietário da 33 Automóveis, Altamiro Sousa, uma iniciativa dessas acarretaria o engessamento do mercado. “Isso acabaria com o mercado de novos, mas não beneficiaria o segmento de usados. As estatísticas apon







