Clicando a arte e a música

Em: 30 de dezembro de 2014
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A parisiense Antonieta DeCorrevont é considerada a primeira mulher no mundo a trabalhar profissionalmente com fotografia. Em 1843 (apenas 17 anos depois da invenção oficial da fotografia por Joseph Niépce) ela abriu um estúdio fotográfico em Munique.
Em Manaus, foi necessário bem mais de um século para a primeira mulher, Ana Cláudia Jatahy, se “atrever” a entrar num território exclusivamente masculino. No início da década de 1990, Ana Cláudia estreou como fotógrafa do jornal “Amazonas em Tempo” e até hoje atua no ramo frequentemente expondo seus trabalhos em Manaus, no Brasil e no exterior.
Atualmente as fotógrafas são várias na capital amazonense, das redações de jornais a estúdios, como Priscila Vasco que, inclusive, fala do porquê de as fotos femininas tenderem a ser mais solicitadas que as dos fotógrafos de plantão. “As pessoas estão preferindo o trabalho das fotógrafas porque elas conseguem ter uma sensibilidade maior ao registrar seus eventos”, ensinou.
Mas até hoje, mais de 170 anos depois de Antonieta DeCorrevont, as coisas não são fáceis para as delicadas lentes femininas. “O que eu sinto é que o mercado de trabalho ainda é pouco conhecido e pouco valorizado, mas devagar vamos conseguindo quebrar esses tabus”, disse.
Designer e estudante de arquitetura, para Priscila a fotografia era apenas um hobby que, devido ao seu esmero na execução e produção das imagens, acabou se transformando numa profissão. “Sempre gostei de fotografia então comecei fazendo cursos profissionalizantes pra trabalhar como designer gráfico para, em seguida, diagramar álbuns de eventos sociais. Depois de um tempo passei a querer fazer as fotos, pois como já diagramava os álbuns, sabia como elas deveriam ser, aí aprendi a mexer em câmeras e ir para eventos sociais fotografar. Tem uns quatro anos que fotografo profissionalmente”, explicou.

Clicando todos os ritmos
De um universo de motivos fotografáveis, Priscila se rendeu a um que a tem fascinado nos últimos tempos, o da música. “Descobri o amor pela música e pela arte. Naquele momento de explosão em que as pessoas colocam tudo de si, eu consigo eternizar a música, eternizar o sentimento. É um momento onde eu consigo me conectar com os artistas e sentir aquilo que eles sentem enquanto tocam ou cantam, sendo que meu instrumento é minha máquina fotográfica”, riu.
Priscila, sempre com sua Cannon a tiracolo, passeia pelos palcos dos artistas locais. “São várias as bandas e os artistas para os quais eu faço trabalhos, Casa de Caba, Os Tucumanus, Márcia Novo, Cileno, e não tem problema de geração ou estilo. Fotografo tanto artistas antigos quanto novos, em qualquer ritmo”.
A jovem fotógrafa, como aliás, os grandes fotógrafos locais, aprenderam com a prática e com algum “mestre”, que lhes dava as dicas. “Fui aprendendo um pouco sozinha e um pouco com a ajuda de meus colegas de trabalho que, no começo, me deram muito apoio nos eventos”. E confirma que outras fotógrafas estão chegando. “Sim, conheço algumas fotógrafas e seus trabalhos e já pude até trabalhar com algumas delas em eventos sociais. Há espaço para todos, inclusive para os homens, que não precisam se preocupar com nossa presença”, brincou.
Sobre em qual grande nome da fotografia mundial se inspira para fazer seus trabalhos, Priscila esnoba. “Eu não tenho um fotógrafo específico em quem me inspire, pois como sou movida pela beleza da imagem, então muitos profissionais me inspiram”.
E quem quiser conhecer seus trabalhos, 2015 será o ano. “Fiz uma pequena exposição este ano, em um evento de rua de uns amigos, mas em 2015 pretendo fazer muito mais exposições”, adiantou.
E dá as dicas para quem quiser ser um bom fotógrafo. “Além de ter um bom equipamento a pessoa deve estar sempre se reciclando e aprendendo novas técnicas, mas acima de tudo, pra ser um bom fotógrafo, deve-se sentir amor pelo que se faz porque fotógrafo por fotógrafo, tem vários por aí, porém, saber sentir e no sentir, transpassar esse sentimento para as imagens conseguindo assim capturar a essência do momento, isso sim é que faz surgir um bom fotógrafo”, elucubrou.

Evaldo Ferreira
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Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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