Outro dia encontrei com meu amigo que há muito não via, Zé Geraldo. Perguntei como andavam as coisas na empresa e ele me contou sobre seus planos, sua carreira e que estava treinando um jovem recém-formado, há pouco tempo contratado, que trabalhava em um outro setor. O rapaz demonstrava ter potencial. O Zé viu que ele poderia ajudá-lo em suas atividades, pois percebeu sua ambição em progredir dentro da companhia. Logicamente, comecei a implicar com o Zé:
– Muito bem, Zé. Você está pensando em subir na carreira e aceitar outros desafios, não é mesmo?
– Por quê? Só porque estou ensinando um pouco do que aprendi a alguém?
– Mas você e todos nós devemos fazer isso mesmo. Preparar outras pessoas para que assumam nosso lugar na organização.
– Sinceramente – respondeu o Zé, com sua costumeira simplicidade – Eu vi que o garoto tinha vontade de aprender e resolvi ajudá-lo. Mas por que eu tenho que preparar alguém para ficar no meu lugar?
– Ora Zé, nós não somos eternos e lembre-se: quanto mais insubstituível você for na posição que ocupa, menos chance terá de ser promovido.
– Sabe que você está certo! Conheço algumas pessoas na empresa que trabalham muito bem, mas não dividem seu conhecimento com ninguém. Assim, não podem nem tirar férias, por não haver outra pessoa à altura para ficar em seu lugar…
– E também não têm folga, pois necessitam ficar ligados 24 horas por dia!
– É, você tem razão, não quero isto para mim não! Tenho que preparar as pessoas para executarem as tarefas que faço!
– É isso aí! E pelo que vi, você está praticando o “coaching”.
O Zé fez aquela cara de quem não sabia do que eu estava falando e foi detonando:
– Lá vem você com os “estrangeirismos”! Você sabe o quanto sou patriota!
– Você está certo, Zé. Mas, neste caso, ainda não achei uma palavra melhor para exprimir esta prática de gestão.
– Mas afinal, o que é o “coaching” ?– perguntou o Zé – Não é o treinador de alguém?
– Por isso, geralmente, utilizamos a expressão em inglês, pois a tradução para este caso não é de um treinador. Mas poderíamos colocar como sendo a de um orientador ou tutor.
– Qual a diferença?
– Treinar as pessoas de sua equipe está entre as atribuições de um gerente, ou seja, faz parte de seu dia-a-dia e seu enfoque está nas questões relativas ao desempenho das funções por parte do treinando. Você deve prover treinamento adequado para que a pessoa tenha melhor desempenho. Já a prática de “coaching” não está ligada ao relacionamento líder–colaborador. Quem pratica o “coaching” atua muito mais como um conselheiro, visando o longo prazo, fazendo com que o orientando possa desenvolver todo seu potencial ao longo do tempo. Existe, portanto, um outro tipo de relacionamento.
– Tipo mestre e aprendiz?
– Podemos encarar desta forma, mas não tem nada a ver com os aprendizes dos programas de televisão! Uma das mais efetivas formas de “coaching” é observar a pessoa em ação e fornecer “feedback” (desculpe pela falta de uma palavra melhor na nossa língua) de forma construtiva, apontando os pontos e as ações que devem ser reforçados e incentivados e as atitudes que devem ser modificadas. Assim, você aprimora não só o desempenho imediato, mas prepara a pessoa para os desafios futuros, criando condições para que esta possa assumir posições de liderança na organização.
– Então, trata-se de um processo contínuo?
– Sim, mas vale notar que nem todos estão aptos a se tornar um “coach”, principalmente porque temos a necessidade de aprender a fornecer o “feedback”.
– É mesmo, conheço um sujeito que se acha um ótimo fornecedor de “feedback”. Ele diz que quando chama a atenção de alguém, seja em que situação for, o cara nunca mais vai querer errar por medo de levar outra esculhambação.
– Você sabe bem que isso não é “feedback”.
– Eu digo que ele é muito bom em “chute-back”, ou seja, em apontar os erros e procurar os culpados, em vez de resolver os problemas. Nesta empresa, a pessoa que erra uma vez nunca mais vai tentar algo diferente, além de s
Coaching
Em: 26 de março de 2008
Gestão da Qualidade
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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