A reforma tributária, que consta da pauta das empresas e do Congresso Nacional desde o governo Collor, apareceu na última semana em mais uma versão apresentada pelo governo federal e, ao que parece, tem tudo para não agradar a paulistas nem a amazonenses, assim como não cairá no gosto dos investidores na atividade produtiva pelas inovações incluídas, de um lado, e de outro, pelos cortes efetivados em tópicos que constavam nos projetos anteriores. O texto da administração petista foi apresentado aos parlamentares da base de sustentação do governo no Congresso Nacional na última quinta-feira.
Entre as boas intenções expressas na nova roupagem dada ao documento governamental está a desoneração da folha de pagamento a começar pelo fim da contribuição para o salário-educação, que tem alíquota de 2,5% sobre o montante da folha. A proposta também prevê a redução da contribuição à Previdência Social paga pelas empresas, que passaria de 20% para 14%, com um período de transição de seis anos.
O nó do projeto submetido à base aliada do Planalto se inicia no fato de o ministro da Fazenda ter dito que a extinção do salário-educação deve ser compensada. Em bom português, significa que será trocado seis por meia dúzia.
Uma outra inovação é a criação do IVA-F (Imposto sobre Valor Agregado – Federal) sem extinguir o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Como o IPI é o tributo com maior peso na arrecadação federal, a instituição de um IVA sem incluí-lo deve tornar sua instituição inócua, na melhor hipótese. Na pior, e aí é o que temem todos os contribuintes, o país vai ter mais aumento da carga tributária, hoje próxima dos 38% em relação ao PIB (Produto Interno Bruto)
Para o Amazonas, uma das proposições mais preocupantes deve ser a questão da unificação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Embora a idéia desta unificação possa inicialmente parecer boa até para terminar com a guerra fiscal entre os Estados, pois que hoje existem pelo menos o mesmo número de legislações sobre o tema quanto é a quantidade de Estados na Federação, uma análise superficial indica que o problema é mais complexo em suas implicações.
A primeira delas é que os Estados terão seis anos para fazer a transição para a cobrança de alíquotas únicas para os produtos, a vigorar para os 27 entes federativos. Mais complicada, entretanto, é a mudança proposta de se fazer esta cobrança nos Estados onde os bens ou serviços serão consumidos. Com isso, o Amazonas vai perder receita, uma vez que sua produção é praticamente toda consumida em outros Estados.
Nas palavras do advogado especializado em tributos, Ives Gandra Martins, não haverá como obter o consenso dos Estados para colocar em prática esta forma de tributar, pois o conflito de interesses levará os Estados produtores a reivindicar alíquotas maiores a fim de compensar a perda de receitas. Mais adiante, em matéria publicada no jornal Folha de S.Paulo da última sexta-feira, o tributarista é muito claro: a Zona Franca de Manaus vai acabar caso a cobrança no destino seja aprovada.
Cobrar ICMS no destino decreta fim da Zona Franca de Manaus
Em: 22 de fevereiro de 2008
Mais complicada, entretanto, é a mudança proposta de se fazer esta cobrança do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) nos Estados onde os bens ou serviços serão consumidos. Com isso, o Amazonas vai perder receita…
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Veja também

Brasil deve dobrar investimentos para zerar déficit em infraestrutura
15 de setembro de 2026

Livro “Vozes Amazônicas” será lançado em Manaus
15 de setembro de 2026

Crédito para MEIs tem juros mais baratos
15 de setembro de 2026

Frete sobe 1,04% em agosto, mesmo com novo recuo do diesel, aponta IFR
15 de setembro de 2026

Brasil e EUA voltarão a discutir tarifas em encontro do G20
15 de setembro de 2026

SFT faz nesta manhã sessão que analisará conversas de Moraes e Vorcaro
15 de setembro de 2026

Candidatos ao Governo do Amazonas apresentam propostas para indústria
14 de setembro de 2026

Dólar sobe e fecha perto de R$ 5,15 em dia de aversão a risco com petróleo
14 de setembro de 2026