A partir de janeiro de 2009, as empresas deverão adotar mais uma ferramenta do Sped (Sistema Público de Escrituração Digital). Direta ou indiretamente, empresas de todos os portes e setores da economia serão atingidas, mesmo que não estejam obrigadas pela lei a emitir a NFe (nota fiscal eletrônica) ou adotar a ECD (escrituração contábil digital) ou a EFD (escrituração fiscal digital).
“As pequenas e médias empresas precisam estar atentas. De uma forma ou de outra, todas integram cadeias produtivas alcançadas pelo Sped, como fornecedoras ou revendedoras. E o grande desafio para elas é arrumar a casa”, advertiu Julio Abreu, sócio da De Biasi Auditores Independentes. Segundo ele, já há empresas do setor automotivo exigindo a NFe de seus fornecedores.
Eventuais falhas no planejamento do Sped podem trazer enorme dor de cabeça para as companhias, já que o sistema digital acarretará num maior controle por parte do Fisco. De acordo com o sócio da De Biasi Auditores Independentes, existem sete pecados, que podem trazer problemas para a adoção do Sped.
“É importante esclarecer que a adoção do Sped não se resume a implantar um software. O objetivo do sistema é dificultar a informalidade. Portanto, o primeiro passo, fundamental, é sistematizar as informações internas da empresa, estruturando um banco de dados”, alertou o especialista. Segundo ele, os bancos de dados que normalmente são utilizados não contemplam, de maneira sistematizada, as informações de todos os departamentos, nem mesmo os de empresas maiores.
Ele explicou, ainda, que o validador disponibilizado pela Receita Federal não cruza as informações. Portanto, mesmo que, num primeiro momento, o validador “aceite” os dados, se o cruzamento de informações detectar alguma inconsistência ou divergência, a empresa terá de prestar contas ao Fisco. “As empresas devem levar a sério o Sped e investir na organização interna. Se a implantação do sistema for feita seguindo à risca os padrões da Receita, no longo prazo a empresa só tem a ganhar. Com certeza, todo investimento feito na implantação do sistema se reverterá em economia com a burocracia contábil e fiscal”, informou Júlio Abreu.
Falhas a evitar
-Informalidade nos registros contábil e fiscal.
-Inexistência de uma cultura de gestão: empresas nem sempre investem na organização e em formas de controle de seus procedimentos internos.
-Falta de integração: cada setor é “dono” do próprio banco de dados, não havendo um banco de dados único e central.
-Atraso na informatização: o computador e a internet são ferramentas imprescindíveis.
-Contar com falhas do Fisco.
-Falta de competência: excesso de erros em notas fiscais por desconhecimento de classificações fiscais ou tabelas de alíquotas.
-Financeiro desorganizado.
O especilista concluiu lembrando que o Sped vai aumentar o poder de fiscalização e de cruzamento de dados do Fisco. “Não há mais espaço para amadorismo, nem para má-fé”, avaliou Julio Abreu.







