O segmento de Combustíveis e Lubrificantes foi o principal responsável em outubro pela alta do IPV (Índice de Preços no Varejo), da Fecomércio (Federação do Comércio de São Paulo). O indicador voltou a acelerar, finalizando o mês com alta de 0,15% ante queda de 0,17% em setembro. Com este resultado, o IPV acumula elevação de 0,4% em 2009, e 0,67% em 12 meses.
O setor de combustíveis e lubrificantes teve acréscimo de 2,88% em outubro, em relação a 1,07%, em setembro. A atividade acumula em 2009 elevação de 1,72%. No segmento, destaca-se o acréscimo de 2,98% nos combustíveis, influenciados pela oferta interna da cana-de-açúcar. O excesso de chuvas prejudicou a moagem da cana para produção de álcool, elevando o preço.
Produtos comercializados em drogarias e perfumarias também finalizaram outubro com alta de 0,31%. Itens de perfumaria tiveram recuo de 0,04%, e de drogaria elevaram-se 0,39%. Em 2009, o segmento acumula incremento de 7,79%.
Açougues, por sua vez, acusaram alta de 0,71% ante 0,09% em setembro. A economista da Fecomércio, Júlia Ximenes, explica que o resultado pode ser entendido como um realinhamento de preços, tendo em vista as sucessivas quedas no trimestre junho (-0,56%), julho (-0,31%) e agosto (-0,91%), ocasionadas por excesso de oferta no mercado interno por conta de uma redução nas exportações. No ano, o setor alcança queda acumulada de 5,30%.
Já o segmento de vestuário, tecidos e calçados finalizou outubro com aumento de 0,11% nos preços ante os 0,71% em setembro. O período ainda é de entrada da coleção primavera-verão nas lojas, normalmente com preços mais elevados. O segmento acumula queda de 0,15% no ano. Destaque para a alta verificada em roupa masculina (0,87%), tecidos (0,22%) e roupa infantil (0,05%).
Veículos apresentaram pequena elevação de 0,03%. O setor deve finalizar as próximas pesquisas do IPV com preços levemente mais altos em virtude do retorno gradual do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) nos modelos populares.
Outros grupos que tiveram preços maiores em outubro foram: brinquedos (1,62%), eletroeletrônicos e outros (0,12%), livrarias (0,27%), CDs (0,22%) e materiais de escritório e outros (0,22%). O segmento de móveis e decoração teve estabilidade nos preços.
Preços em queda
O grupo de supermercados manteve trajetória de queda. O setor passou de uma redução de 0,68% em setembro para -0,29% em outubro. No acumulado de 2009, ainda atinge incremento de 0,8%. As maiores quedas foram verificadas em leites (-9,52%), ovos (-7,15%), aves (-3,69%), frutas (-2,83%) e legumes (-2,24%).
Seguindo a mesma tendência dos supermercados, produtos comercializados nas feiras também tiveram queda nos preços. O grupo registrou sua segunda variação negativa consecutiva, finalizando outubro com recuo de 1,20%. No ano, o segmento acumula alta de 9,79%, a maior entre todos os grupos pesquisados pelo IPV. As maiores quedas são percebidas em verduras (-3,27%), frutas (-2,30%), flores (-2,27%) e aves (-0,06%).
“Para os próximos meses, a expectativa é de que os produtos alimentícios continuem em processo de realinhamento de preços, graças às condições climáticas mais favoráveis”, afirmou Júlia.
Eletrodomésticos registraram queda de 1,11% em outubro, acumulando -3,66% no ano. Com a redução do IPI para a linha branca, os preços recuaram 1,74% ante a queda de 0,21% em setembro. Desde o início da medida de desoneração fiscal, os preços no período de abril a outubro acumulam queda de 8,21%. Outros produtos que compõem o grupo também tiveram preços menores: eletroportáteis (-0,65%) e utilidades domésticas (-0,36%).
Júlia avalia que a prorrogação do benefício do IPI para a linha branca deve manter esses produtos em trajetória de queda.







