Comer como se comia há 40 mil anos

Em: 15 de fevereiro de 2017
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Quem não gosta de comer pão no café da manhã, um arroz com feijão, ou mesmo uma macarronada no almoço, ou torradas e bolachas no lanche da tarde? O que esses alimentos têm em comum? Todos são ricos em carboidratos, compostos orgânicos importantes para uma alimentação saudável, porém, se ingeridos em excesso, podem se transformar em gordura, armazenada no corpo.

Por isso a onda do momento são as dietas low carb (low é pouco em inglês e carb é de carboidratos). De acordo com pesquisas, estas dietas emagrecem mais do que as dietas low fat (com pouca gordura e ricas em carboidratos).

Em Manaus, há quatro anos a chef Solange Costa se dedica a criar e fazer comidas saudáveis, ou balanceadas. “Diria que uma comida saudável é aquela que leva grãos, carne magra e saladas”, detalhou. “Comecei trabalhando somente com cardápio light no qual gordura não entra, então fazia lasanha de berinjela (a massa da lasanha é feita com a berinjela), torta cremosa de frango, e estrogonofe (com creme de leite sem lactose e molho de tomate caseiro). Hoje, além dessa culinária light, também trabalho com receitas low carb”, explicou.

Existem inúmeras variações da dieta low carb, com diferentes restrições à quantidade e ao tipo de carboidratos. O que todas elas têm em comum é que o principal nutriente da alimentação deve ser a proteína obtida de fontes como as carnes, ovos e laticínios, seguida de gorduras “boas” para a saúde, como o azeite.

Entre os pratos produzidos por Solange ela destaca o macarrão de abobrinha. “É o mais pedido pelos meus clientes, porque mantém o mesmo sabor do macarrão feito de trigo. Também destaco o caldo verde preparado com chuchu, couve, linguiça e chouriço. O original, português, é feito com batata portuguesa, carboidrato puro. E ainda tem o risoto. No lugar do arroz, usamos a couve flor, ou arroz fake”, ensinou.

Gorduras não são proibidas
“As comidas low carb são chamadas de ‘comidas de verdade’ (livres de corantes, conservantes ou substâncias químicas), ou ‘comidas do homem paleolítico’, pois teriam sido as comidas dos primórdios da humanidade”, disse. Os humanos da era paleolítica viveram entre 40 e 10 mil anos atrás. Há 10 mil anos começaram a utilizar o fogo. Sua comida era carne de caça, insetos, ovos, algumas raízes, grande quantidade de folhas, frutos, bagas e sementes oleaginosas. “Gosto de usar carne e verduras à vontade”, completou. “E cozinhar com gordura de porco, manteiga ou bacon, porque nas dietas low carb, diferente do cardápio light, as gorduras não são proibidas”, assegurou.

Agora Solange prepara um cardápio low carb exclusivo para a doceria Brownie.com, no Vieiralves. “Apesar de ser uma doceria, o Ary (proprietário da Brownie.com) sempre gosta de atender aos pedidos dos clientes. Como agora o low carb está na moda, ele me pediu que criasse alguns itens dentro dessa dieta, então iremos lançar até o próximo final de semana uma omelete e como sobremesa, brownie com ganache”, adiantou. “A omelete não tem nada de mais. O segredo estará nos recheios, doze diferentes recheios. Já o brownie com ganache terá dois sabores: com calda de morango ou com chocolate”, falou. Solange lembrou que o cardápio de um restaurante pode ser todo low carb. “Como entrada podemos ter uma salada com legumes e vegetais à vontade e também queijo amarelo. Os pratos principais podem ser todos estes que citei acima, e que já faço atendendo aos meus clientes. Pra sobremesa eu faria bolos de chocolate ou de coco. O trigo é substituído pela farinha de castanha, qualquer castanha, e o leite é o de coco, ou seja, com uma dieta low carb, ninguém passa fome”, garantiu.

Dicas para uma dieta low carb
Varie o cardápio: assim como qualquer outra dieta, a monotonia pode desestimular e facilitar o abandono da dieta low carb.

Planeje com antecedência o cardápio da semana e alterne não apenas os alimentos como também a forma de preparo de cada um deles. Caso seja fã de ovos, por exemplo, faça omelete em um dia, ovos mexidos com queijo no outro, claras cozidas recheadas com cogumelos no terceiro dia, e assim por diante. Ou seja: saia da rotina, pesquise receitas e personalize o seu cardápio.

Coma folhas verdes diariamente: um dos efeitos colaterais da dieta low carb é a prisão de ventre provocada tanto pelo consumo excessivo de proteínas quanto pela falta de fibras no cardápio. Para facilitar o trânsito intestinal consuma o equivalente a duas xícaras de folhas verdes todos os dias, e pratique caminhada leve ou moderada.

Priorize os alimentos naturais: evite sempre que possível os produtos altamente processados, ainda que sejam low carb (por exemplo: queijo polenguinho). A dieta low carb deve ser encarada como um passo na direção de uma alimentação mais saudável e nutritiva, com menos aditivos químicos, pesticidas e outras toxinas.

Evite o consumo de leite: a lactose é o açúcar do leite e poderá causar alterações na glicose sanguínea.
A água é fundamental na dieta low carb: além de melhorar o funcionamento do intestino ainda ajuda a eliminar as toxinas resultantes do metabolismo das proteínas. Beba pelo menos 6/8 copos de água mineral todos os dias (se preferir, use hortelã ou raspas de mangarataia para aromatizar).

Mas cuidado com os exageros: não é porque o queijo está liberado que você vai comer 300 gramas de uma única vez, ou então devorar um pote inteiro de castanhas durante a novela. Moderação ainda é a palavre chave, mas se você sofre com compulsão alimentar, procure não deixar à mostra os alimentos mais tentadores, e evite ir para a sala com um pote ou pacote de qualquer coisa. Coloque no prato/xícara apenas a quantidade que planeja comer de uma única vez, e não repita.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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