As obras visando revitalizar o Centro de Manaus começaram. Com o fim do impasse entre o prefeito Arthur Neto e os camelôs, o lançamento oficial do programa Viva Centro e a derrubada de oito lanchonetes que ocupavam a Praça do Relógio, localizada no fim da avenida Eduardo Ribeiro, os comerciantes locais começam a sentir os efeitos das obras e mudanças previstas para área.
Conversando com proprietários de empreendimentos no local, percebe-se que há um certo temor de diminuição das vendas em função das obras e da retirada de lanchonetes e camelôs do local. Na visão dos comerciantes, essas mudanças provocarão um esvaziamento do Centro, tornando a região menos interessante para o comércio. O gerente da Di Santinni da Eduardo Ribeiro, loja localizada na frente da praça de onde foram demolidas oito lanchonetes durante o final de semana, Leonardo Oliveira, afirma que há uma perspectiva que o faturamento do final de semana possa diminuir em até 25%.
“As pessoas vão se dividir entre o Centro e outros pontos comerciais. Muitas pessoas paravam nas lanchonetes e depois acabavam indo às lojas. Agora procurarão outros espaços”, comentou Leonardo. Apesar de reconhecer a melhora visual que a retirada dos camelôs e as obras darão a sua loja, Leonardo explica que muitas pessoas vão ao centro atrás dos camelôs e vê a retirada dos ambulantes com pessimismo. “Não negamos que melhorará a fachada, mas antes de vê como diminuição da concorrência, vejo como uma transferência do público que antes ficava por aqui”, explica.
O gerente da loja Milano Modas, Anselmo Mudiga, também disse acreditar que a retirada dos camelôs do Centro será melhor para eles do que para as lojas do local. “Acredito que as pessoas passem a frequentar mais shopping popular do que a praça. Quem vem ao Centro é quem procura o menor preço. Se não vão aos shoppings”, comentou.
Entidades defendem projeto
O presidente da CDLM (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag, admite que é esperado uma diminuição das vendas, mas isso deve ocorrer apenas em um primeiro momento. “Foi avisado para todos que haverá uma diminuição das vendas. Não só durante as obras, mas em um primeiro momento após, depois, com um local mais organizado trabalharemos para trazer de volta esse consumidor”, comentou.
Segundo Assayag o projeto visa melhorar o Centro da cidade e isso não tem como ser visto de forma negativa. “Depois, com um espaço bonito, limpo e organizado vamos fazer promoções, elaborar estratégias para trazer esse consumidor de volta ao Centro, e com certeza as vendas crescerão, ficarão maiores do que agora, é preciso ter paciência”, comentou.
O vice-presidente da Fecomércio, Aderson Frota, também defendeu a revitalização do Centro, para ele não haverá diminuição alguma nas vendas. “Um ou outro comerciante pode sofrer redução por causa de um local estratégico, mas não haverá uma redução como um todo aos comerciantes do local. Infelizmente para o bem comum é necessário sacrifício de alguns”, comentou.
Aderson compara a revitalização do Centro às obras da Djalma e disse que o comércio amazonense só tem a crescer com essas obras. “Assim como na Djalma, sempre há quem se prejudique com as obras, mas será melhor para todos. O turista que vier vai querer um local limpo e organizado”, concluiu.
Eduardo Ribeiro voltará a ter traçado antigo
Sobre a retirada das lanchonetes e outros estabelecimentos do Centro o prefeito Arthur Neto afirmou que essas pessoas terão apoio para retomar os seus negócios em outros locais e defendeu um visual melhor para o Centro que é considerado um patrimônio histórico da cidade. A retirada dos lanches da praça, além de serem mobiliários que não faziam parte do traçado original e histórico do espaço, também cumpriu uma decisão judicial, que vinha se arrastando há décadas.
A ideia da prefeitura é de que a avenida Eduardo Ribeiro volte a ter duas faixas, como acontecia na década de 60. As obras custarão em torno de R$ 6 milhões com revitalização do relógio municipal e da Praça da Matriz. A avenida voltará a ter duas faixas a partir da reabertura do canteiro central, onde fica o relógio que será restuarado. A praça receberá novos mobiliários urbanos, iluminação pública e cênica, e paisagismo.
A retirada das lanchonetes se deu pelo fato das mesmas não constarem no traçado original da praça.
A expectativa é de que serão necessários oito meses para concluir a revitalização. No entanto o projeto ainda depende de aprovação do governo federal que esta sendo solicitada por meio do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) Cidades Históricas, do Ministério da Cultura.






