Comércio cresce abaixo da média 

Em: 14 de março de 2024

Reabastecido na reta final para as compras de Natal, o varejo do Amazonas seguiu com as vendas no azul na virada do ano. Apesar da sazonalidade negativa, e com os estoques já em alta, o setor cresceu 1,1% na passagem de 2023 e janeiro de 2024, sendo favorecido também por três dias úteis a mais. O confronto com o mesmo período do exercício anterior confirmou expansão de 5,4% nas vendas dos comerciantes amazonenses. No acumulado dos últimos 12 meses, o incremento foi de 3,4%. Os números foram extraídos da Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE, divulgada nesta quinta (14).

A aceleração do Amazonas veio em ritmo inferior ao da média nacional, que avançou 2,5% na variação mensal. O resultado foi alavancado por metade dos segmentos acompanhados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, com destaque para vestuário, calçados, informática, comunicação, móveis e eletrodomésticos. Os lojistas brasileiros, no entanto, cresceram um pouco menos do que os locais frente a janeiro de 2023 (+4,1%). Foram auxiliados principalmente por subsetores essenciais – farmácias e supermercados. Em 12 meses, a alta do setor em todo o país (+1,8%) também foi menor.

O varejo cresceu em 24 das 27 unidades federativas, entre dezembro e janeiro. Mas, a elevação de 1,1%, fez o Amazonas retroceder da sétima para a 22ª posição. O melhor dado veio de Mato Grosso (+8,6%) e o pior, de Santa Catarina (-1%). A elevação de 5,4% atingida pelo Estado no comparativo com o mesmo mês de 2022 foi a 11ª melhor do país, em uma lista encabeçada pelo Amapá (+16,8%) e encerrada pela Paraíba (-2,3%). No acumulado dos 12 meses (+3,1%), o varejo amazonense subiu da oitava para a sexta posição, com Tocantins (+11,3%) e Paraíba (-10,5 %) nos extremos.

Inflação e crédito

O IPCA de janeiro (+0,42%) manteve o descolamento na receita nominal – que não leva em conta a inflação do período. Com isso, a variação mensal da receita nominal do varejo encolheu 0,9% na variação mensal do primeiro mês de 2024, em desempenho bem inferior ao de dezembro de 2023 (+1,9%). O confronto com janeiro de 2023 indicou um acréscimo de 6,5%, contribuindo para que o acumulado dos 12 meses (+4,7%) também saísse fortalecido. As respectivas médias nacionais (+0,9%, +5,8% e +3,7%) foram todas positivas.

Em razão do tamanho da amostragem, o IBGE ainda não segmenta o desempenho do comércio no Amazonas. Sabe-se apenas que os subsetores de veículos e material de construção, desta vez, tiveram saldo positivo, levando o varejo ampliado a um progresso de 2,7% na virada do ano, em número mais robusto do que o de dezembro (+0,6%). A elevação de 9,1% frente ao mesmo mês do ano anterior assegurou um crescimento de 4,2% na variação anualizada. Os resultados da rubrica também foram favoráveis no dado do setor referente ao país (+2,4%, +6,8% e +2,9%).

O comércio brasileiro registrou um mês positivo em cinco dos oito segmentos investigados pelo IBGE. A lista inclui as divisões de tecidos, vestuário e calçados (+8,5%); de equipamentos e material para escritório informática e comunicação (+6,1%); de artigos de uso pessoal e doméstico (+5,2%); de móveis e eletrodomésticos (+3,6%); e de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (+0,9%). As baixas se restringiram a livros, jornais, revistas e papelaria (-3,6%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-1,1%); e combustíveis e lubrificantes (-0,2%).

Material escolar

O chefe de Disseminação de Informações do IBGE-AM, Luan da Silva Rezende, considerou que a aceleração das vendas do comércio amazonense na virada do ano foi “bem significativa” para a atividade e acrescenta que o fato de apenas três unidades federativas terem amargado quedas no período demonstra que o setor se saiu bem na maior parte dos quadrantes do território nacional. 

“O comércio ampliado, cresceu bem mais, indicando que esses produtos tiveram maiores vendas no período analisado. Janeiro é um mês de boas vendas de material escolar, o que pode ter ajudado no faturamento. Como a média móvel trimestral do comércio amazonense está em alta, há forte indicativo de que as vendas continuem positivas em fevereiro”, analisou.

Em texto postado no site da Agência de Notícias IBGE, o gerente da pesquisa, Cristiano Santos, assinala que o resultado positivo alcançado pelo varejo brasileiro em janeiro veio após a atividade amargar dois meses mais fracos, com resultados “bastante abaixo” do esperado pelo setor. O pesquisador acrescenta que esse é um comportamento que observado não apenas em 2024, mas também em anos precedentes, a exemplo da virada de 2022 para 2023.

“Setorialmente, os resultados vieram com muita amplitude de crescimento em subsetores que tiveram queda grande no Natal, depois de concentrar as vendas na Black Friday. Isso aconteceu em tecidos, vestuário e calçados, móveis e eletrodomésticos [+3,6%]; equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação e outros artigos de uso pessoal e doméstico [+5,2%] que, juntos, puxaram o crescimento do varejo em janeiro”, salientou.

Liquidações e endividamento

O presidente da Assembleia Geral da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antonio Filho, estranhou o crescimento mensal da atividade. O dirigente reforça que o mês é tradicionalmente mais fraco para os lojistas, em razão do endividamento do consumidor com os pagamentos das festas de fim de ano e as taxas que costumam ser cobradas no período, a exemplo de IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).

“Janeiro costuma ser o período mais fraco do ano. Pode ter havido algum crescimento, mas nenhum associado destacou que o mês foi excepcionalmente bom. Talvez um ou outro segmento do comércio tenha ajudado, e acho que as liquidações do começo do ano devem ter contribuído de alguma forma. Mas, elas são restritas a alguns produtos, como vestuário e calçados. Os próximos meses devem ser de aquecimento até o Dia das Mães. Com a Páscoa, as vendas devem melhorar principalmente para os subsetores que atendem a data, inclusive supermercados e hipermercados”, arrematou. 

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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