Comércio cresce em patamares superiores ao período pré-crise, aponta Iedi

Em: 18 de novembro de 2010
É muito importante comparar, ainda que rapidamente, o desempenho do varejo brasileiro e da produção industrial
É muito importante comparar, ainda que rapidamente, o desempenho do varejo brasileiro e da produção industrial

É muito importante comparar, ainda que rapidamente, o desempenho do varejo brasileiro e da produção industrial. O primeiro é indicativo do dinamismo do consumo no país, enquanto o segundo dá a dimensão da absorção desse dinamismo pela produção doméstica.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em setembro o volume de vendas do varejo avançou 0,4% com relação ao mês anterior na série com ajuste sazonal. Esse foi o quinto mês consecutivo de alta, período no qual as vendas reais do segmento acumularam aumento de 5,9%.
Na indústria, houve declínio da produção em setembro de 0,2%, o quarto resultado negativo nos últimos cinco meses, período no qual o setor apresentou queda acumulada de 1,2%.
Ou seja, esses resultados dizem que a economia é capaz de gerar dinamismo de consumo, além de investimento, mas o setor industrial não está se mostrando apto a capturar esse dinamismo em prol de sua maior expansão.
Do lado da indústria não está definido que o setor irá superar essa etapa adversa, mas do lado do comércio está patente que o setor caminha para uma expansão em 2010 superior a que vinha tendo no período pré-crise. A análise deve se debruçar sobre o conceito de comércio varejista restrito, ou seja, aquele que não inclui, pela conceituação do IBGE, o setor de Veículos, motos, partes e peças e Material de construção.

Varejo restrito

No imediato pré-crise, vale dizer, no acumulado do ano de 2008 até setembro, o varejo restrito crescia 10,4% em bases reais. A evolução declinou devido à crise, embora não chegasse a se tornar negativa. Foi de 4,7% no acumulado do ano até setembro de 2009. Pois bem, no acumulado de 2010 até setembro, o varejo restrito evolui a uma taxa média de 11,4%.
Já com relação ao comércio ampliado (o qual inclui os dois setores mencionados acima), devido a oscilações muito pronunciadas no segmento de Veículos, o desempenho em 2010 até setembro (11,4%) é inferior ao padrão pré-crise (13,8%).
Portanto, pelo ângulo do varejo restrito, o sinal é o de que a economia brasileira voltou a alimentar fatores de crescimento do consumo em uma escala um pouco superior àquela que prevalecia antes da crise. Isso significa dizer que não apenas retornaram como foram em alguma medida superadas as dinâmicas que movem no Brasil o crédito para as famílias e a massa de rendimento da população, estes os dois principais condicionantes do consumo.
É interessante avaliar em termos setoriais o desempenho relativo do comércio antes e depois da crise. O padrão atual é inferior em setores como Combustíveis e lubrificantes, que desfrutava de uma taxa de aumento de 10% no acumulado no ano de 2008 até setembro e que até setembro de 2010 acumula variação de 6,8%.
É também menor em Equipamentos e materiais para escritório, informática e telecomunicações (33,7% e 25,3%, respectivamente no pré e no pós-crise), em Veículos (20,7% e 10,7%), em Outros artigos de uso pessoal e doméstico (20,2% e 8,5%), em Artigos farmacêuticos, médicos e de perfumaria (13% e 11,7%) e em Livros, jornais, revistas e papelaria (10,8% e 8,7%). Em todos esses casos, cabe salientar que a despeito da queda da taxa de crescimento, esta se mantém em elevado nível no pós-crise.
Outros segmentos experimentam um redobrado ímpeto. O número deles é menor do que dos casos em que houve declínio, mas seu peso no varejo global é bem superior. Foram os caso de Móveis e eletrodomésticos (18,3% e 18,4%, no pré e no pós-crise) e de Tecidos, vestuários e calçados (10,1% e 11%).

Hipermercados e supermercados

Mas, sobretudo, deve ser destacada a performance muito superior das vendas de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios e bebidas, cujo padrão pré-crise era de um crescimento de 5,5%, o qual sobe para 10% no acumulado do corrente ano até setembro.
Também é digna de destaque a aceleração das vendas de Material de construção. Estas cresciam 11,5% no acumulado até setembro de 2008, ao passo que no corrente ano o crescimento sobe a 16,4%. São mudanças relevantes em um quadro geral e disseminado em que o dinamismo é elevado e que refletem o poder do crédito e do crescimento da renda e do emprego sobre o varejo brasileiro.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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