Com o fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), executivos do setor de materiais de construção afirmam ter alterado as metas de crescimento nas vendas de 2008 –o máximo que esperam é repetir o desempenho de 2007. Para o Sindicato dos Comerciantes de Material de Construção, a alta deste ano deve ser próxima de 10%.
A reavaliação das metas não implica, necessariamente, em um crescimento menor que no ano passado, mas apenas em uma alta inferior a anteriormente planejada de até 15%, conforme os empresários. No ano passado, mesmo com um desempenho abaixo do projetado, o comércio varejista de materiais de construção fechou o exercício com um crescimento médio no volume de vendas de 8% sobre o ano de 2006.
O motivo para o resultado aquém do esperado, segundo o presidente do Sicomat, Aderson Frota, foi principalmente o aumento da concorrência. No início do último trimestre de 2007, o representante da categoria havia projetado uma expansão de 15%, mas que não se consolidou. “O que vimos foi uma concorrência acirrada, o que acabou espalhando a demanda. Há empresas que cresceram bem acima dos 10%, mas a média ficou mesmo abaixo disso”, comentou.
Balanço positivo
Apesar do otimismo não ter se consolidado, as empresas do setor têm o que comemorar. O resultado do ano passado é superior ao de 2006, quando o crescimento no faturamento foi de 5%. E em 2008, o sindicato aposta na continuidade desse crescimento em função da estabilidade econômica pela qual passa o país, o controle inflacionário, a expansão nas linhas de crédito, além do aumento da renda e ampliação das facilidades de pagamento.
Outros pontos importantes destacados por Frota são três grandes obras que nos próximos anos vão levar a uma série de novos investimentos imobiliários, que são a Avenida das Torres, a ponte sobre o Rio Negro e o gasoduto de Coari ligando a capital amazonense. “Mesmo sendo um ano atípico, por se tratar de época de eleição, esperamos um crescimento em relação a 2007. A economia local está cada vez mais forte e a nacional tem mantido seus fundamentos intactos”, assinalou.
Verticalização da cidade anima segmento
Com uma projeção inicial de alta de 15% nos negócios para 2008, a Pavão Materiais de Construção reduziu a meta de crescimento para 10% este ano, em relação ao ano passado. “Muita gente ficou feliz com o fim da CPMF, mas esquecem que os valores arrecadados eram bastante significativos. Não há estrutura governamental que suporte uma retirada abrupta desse imposto sem repor alguma coisa para compensar, e quem vai pagar é o consumidor final”, afirmou o proprietário, Ubirajara Tavares.
O empresário explicou que o fim da contribuição e o posterior aumento da alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) vão comprometer todo o setor produtivo, uma vez que os bancos vão elevar suas taxas de juros. “É difícil hoje existir uma empresa que trabalhe com seu próprio capital de giro. Geralmente, busca-se dinheiro nas instituições financeiras, daí se conclui o porquê da futura alta nos preços”, observou.
Em 2007, as vendas apresentaram uma alta de 12% na loja sobre o desempenho de 2006. O resultado positivo é atribuído à diversificação de produtos, campanhas de mídia e à evolução do próprio mercado. “Manaus está se verticalizando agora, e com isso a tendência é haver um crescimento cada vez maior da construção civil”, assinalou Tavares, ressaltando que entre o fim de 2006 e meados de 2007 foram aprovados mais de cem mil metros quadrados de obras na cidade.
Outra empresa do ramo a apresentar desempenho parecido com o da Pavão, foi a Benny Materiais de Construção, cujos negócios cresceram 12% em 2007 em relação a 2006. O aumento do mix de produtos ofertados, o treinamento do pessoal e uma melhor negociação com fornecedores foram os motivadores destacados pelo proprietário, Ivan Benzecry.
A desvalorização do dólar, a supervalorização do barril do petróleo, além do fim da CPMF e seus







