Comércio de ouro se prepara para primeiro “Natal” do ano

Em: 15 de janeiro de 2010
O mês de maio é considerado o segundo Natal pelos empresários que fabricam e vendem jóias de ouro em Manaus
O mês de maio é considerado o segundo Natal pelos empresários que fabricam e vendem jóias de ouro em Manaus

O mês de maio é considerado o segundo Natal pelos empresários que fabricam e vendem jóias de ouro em Manaus. Seguindo a eterna moda de realizar uniões matrimoniais no quinto mês do ano, os noivos, juntamente com os formandos universitários, salvam o ano das empresas especializadas em anéis comemorativos e alianças de casamento – produtos considerados carros-chefe nas vendas do setor.
De acordo com o gerente da joalheria Mina de Ouro, Ythalo Azevedo, os universitários encomendam os anéis em maio para a festa de formatura em julho, quando termina o primeiro semestre letivo. E, como as instituições de ensino superior entregam diplomas de conclusão de curso a cada seis meses, em outubro o mercado sofre novo aquecimento, desta vez ocasionado pelos futuros profissionais que vestirão a beca em dezembro.
“Nós sempre avisamos os fornecedores para termos um estoque de peças garantido para não perder venda por falta de modelos diferentes”, disse Azevedo. Sobre a quantidade de peças vendidas por mês, o gerente contabilizou a saída de 50 anéis para alianças de casamento a cada 30 dias. “Na época das formaturas e no mês dos casamentos (maio) esse número salta para 200 unidades mensais. Ou seja, temos seis meses – de maio a julho e de outubro a dezembro – de ótimas vendas”, ilustrou Azevedo.
Na Requinte Jóias, a procura por anéis e alianças também garante bons rendimentos à empresa. Sem especificar quantidade de peças vendidas ou faturamento das duas lojas, devido à segurança dos estabelecimentos e por ser “política da empresa”, o gerente Maurício da Silva afirmou que a comercialização destes produtos é responsável por 80% das vendas.
Quando os clientes chegam à loja não sabem bem o que estão procurando, mas têm em mente o quanto estão dispostos a gastar, contou Silva. “Eles logo perguntam se o ouro é 18 ou 24 K (quilates) e depois olham o preço e a beleza da peça. Detalhes de acabamento e procedência da jóia não importam muito”, comentou.
O geólogo Périco Branco explicou a diferença entre outro 18 e 24 quilates. “O 24 K é o ouro puro, também chamado de ouro mil. Já o 18 K tem 75% de pureza e, claro, vale menos, já que os outros 25% são compostos por outros metais”, informou.
De acordo com o especialista é recomendável conhecer quantas gramas um anel ou cordão, por exemplo, têm de peso, antes de vender uma jóia de família. As lojas que vendem e compram ouro utilizam balanças de precisão e, às vezes, a balança pode estar adulterada.
“Para saber o grau de pureza de uma jóia de ouro, não é necessário fazer teste em laboratórios, basta olhar na parte interna de um anel ou no feixe de um cordão e conferir a indicação de 18 K ou 24 K”, esclareceu Silva.
O ouro 24 K ou ouro puro dificilmente é usado na confecção de jóias, devido ao alto valor de mercado, o que inviabiliza a fabricação em larga escala. Os maiores compradores de ouro puro são as indústrias de aparelhos científicos e eletrônicos. Este tipo de ouro é comercializado em grande quantidade e convertido em barras para facilitar o transporte. Somente o ouro mil é usado em transações financeiras entre governos e, dependendo do país, tem valor superior a moedas nacional.
Normalmente, o ouro é combinado com outros metais e ligas para melhorar a resistência mecânica, quando aplicado na indústria. As propriedades das condições térmicas e de alta resistência elétrica de condução contribuem para seu uso em aplicações aeroespaciais e eletrônicos de precisão.
Atualmente, os maiores extratores de ouro são, nesta ordem, África do Sul, Canadá, Estados Unidos, Austrália e Rússia. E o preço do material é cotado nas principais bolsas de valores do mundo, incluindo a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo).
O preço de ouro negociado em bolsas financeiras é expresso em dólares e na unidade de medida oz troy (onça troy), onde uma oz troy equivale a 31,1 gramas de ouro. A menor quantidade negociável no mercado internacional e nas bolsas é cem oz troy, ou seja, três quilos e cem gramas.
Sri Lanka e Índia foram os responsáveis pelas últimas grandes compras de ouro puro, realizada na primeira semana de dezembro do ano passado. O montante chegou a dez toneladas do metal precioso oriundo das reservas do FMI (Fundo Monetário Internacional) ao custo de US$ 375 milhões, de acordo com o Fundo, adquirido pela pequena ilha do Oceano Índico.
O grande negócio de ouro dos últimos meses foi a venda de 200 toneladas de ouro à Índia, também do FMI e na primeira semana daquele mês. O Fundo desfez-se de praticamente metade de suas reservas (403,3 toneladas). O governo indiano acordou pagar em parcelas diárias, entre os dias 19 e 30 de outubro deste ano, com o preço do dia. O valor final pode chegar a US$ 6.7 bilhões.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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