Comércio e serviços pedem apoio do governo por prejuízos com o Covid-19

Em: 20 de março de 2020
Lideranças temem que, se a situação se persistir, o comércio corre o risco de sofrer tombo de 25 a 35% nas vendas
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Lideranças temem que, se a situação se persistir, o comércio corre o risco de sofrer tombo de 25 a 35% nas vendas

Os estragos econômicos deixados pela pandemia do novo coronavírus levaram as lideranças das entidades classistas de comércio e serviços do Amazonas a se reunirem nesta quarta (18), com o governador Wilson Lima, para apresentar propostas no sentido de garantir a sobrevivência das empresas e empregos no atual momento de crise sanitária e econômica

Em sua exposição ao governo estadual, as lideranças informaram que, caso a situação se mantenha do jeito que está, o comércio corre risco de sofrer um tombo de 25% a 35% nas vendas e demitir entre 4.000 e 5.000 trabalhadores. Com 38 mil funcionários em seus quadros, o setor foi um dos que mais contratou no ano passado e, segundo o IBGE, encerrou 2019 com alta acumulada de 7,9% nas vendas em relação a 2018. 

Os empresários pediram, antes mais nada, que as empresas não sejam forçadas a fechar as portas, como ocorreu em outros Estados. Para isso, acenaram com medidas para minimizar o risco de contágio, como a redução dos horários da atividade, limpezas periódicas nos locais de movimento da clientela, oferta de produtos descartáveis e itens de higiene para o público, atendimento diferenciado para os idosos, e o uso do home office em atividades administrativas, entre outras ações. 

As lideranças classistas solicitaram também ao Executivo estadual a possibilidade de financiamento da Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas) para o pagamento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), bem como a extinção da multa pelo não pagamento do tributo – ou, pelo menos, o parcelamento do débito em três parcelas. 

“Estamos tomando todas as medidas para evitar uma crise. Mostramos a eles que o fechamento absoluto teria de ser acompanhado do remédio na hora certa, pois aí o movimento cairia 80% e teríamos demissão em massa. Não queremos que ninguém morra, então temos que acompanhar a evolução dos casos pela Secretaria de Saúde. Conforme esse crescimento, daríamos o remédio mais forte que é a paralisação total de locais fechados”, afiançou o presidente da CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag.

O dirigente destacou que a situação atual chama o setor a sua responsabilidade e garantiu que todas as medidas estão sendo tomadas para evitar o acirramento da crise e seus eventuais efeitos negativos nas demissões de “uma massa que não tem culpa disso”. Assayag disse que o governador Wilson Lima se mostrou receptivo às propostas dos empresários. 

“Esperamos que o secretário de Fazenda, Alex Del Giglio, também consiga fazer alguns ajustes. E aguardamos também a decisão do governo federal, que mencionou a possibilidade de tirar de alguns fundos os valores de tributação que incidem sobre as folhas de pagamento, durante dois ou três meses. Isso tudo contribuiria para reduzir demissões. Esperamos não ter nenhuma morte. Como somos uma ilha e contamos com uma temperatura alta, torcemos que o impacto seja menor”, reforçou.   

“Catástrofe financeira”

Em sintonia, o presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ezra Azury, disse ao Jornal do Commercio que considerou a reunião proveitosa, já que o comércio conseguiu expor suas razões para se manter na ativa e com suas operações em modo se de segurança. O dirigente disse, contudo, que o governo não adiantou o que vai fazer a partir das sugestões dos empresários.

“Pedimos uma flexibilização na cobrança do ICMS e mostramos que estamos fazendo um trabalho mais amplo com os lojistas, no sentido de reforçar a higiene e a conscientização dos colaboradores, e que as empresas estão se preparando em relação a questão do álcool gel. Reforçamos a importância de que se mantenha o comércio respirando, pelo menos minimamente. Se fechar, vai haver uma catástrofe financeira”, alertou.

O presidente da FCDL-AM acrescentou que o setor vai tomar todos os cuidados possíveis para garantir a segurança de suas operações, monitorando dia a dia “o aumento de casos ou não” para tomar as devidas providencias, caso estas se mostrem necessárias. Segundo o dirigente, a maior parte dos shoppings funciona em horário normal, mas com todos os cuidados possíveis, como o espaçamento maior das mesas na praça de alimentação.  

ICMS e FAT

Na mesma linha, o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado do Amazonas), Aderson Frota, confirmou ao Jornal do Commercio que o foco preferencial foi no abatimento da multa do ICMS – que corresponde a 20% do valor devido – e que o setor sugeriu também o uso de recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) no caso da suspensão dos contratos temporários.

“O comércio já está amargando uma queda de 25% desde esta última semana e precisamos tomar todas as medidas para manter o setor funcionando, sem esquecer de garantir que as pessoas se mantenham vidas e saudáveis. Sentimos que o governo se sensibilizou em relação ao nosso pleito, mas ainda não sabemos se vai atende-lo”, finalizou. 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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