Comércio exterior está em alta no Amazonas

Em: 13 de agosto de 2008
Alfândega alcançou crescimento de 80,35% na arrecadação nos sete primeiros meses do ano, com volume de RS 522,89 milhões, contra R$ 289,93 milhões registrados no mesmo período de 2007
Alfândega alcançou crescimento de 80,35% na arrecadação nos sete primeiros meses do ano, com volume de RS 522,89 milhões, contra R$ 289,93 milhões registrados no mesmo período de 2007

O volume de mercadorias do exterior pelo modal marítimo/fluvial no Amazonas durante os sete primeiros meses respondeu pela movimentação de US$ 4.63 bilhões FOB (Free On Board), expansão de 56,47% em relação ao mesmo período do ano passado, quando as importações fecharam em US$ 2.95 bilhões FOB.
As informações, divulgadas pela Alfândega do Porto de Manaus na manhã de ontem, apontam ainda que, no contexto de 8,93% de crescimento, o número de despachos aduaneiros correspondentes à economia dos importados saltou das 50,14 mil DIs (Declarações de Importação) observadas entre janeiro e julho do ano passado para 54,62 mil no mesmo período deste ano.
Além da expansão da atividade econômica com a entrada de novas empresas interessadas em aderir ao comércio exterior, a desvalorização acumulada de 11,99% da moeda norte-americana são as principais razões para o incremento nas importações da região.
A inspetora-chefe da Alfândega, Maria Elízia Andrade, explicou que nesse contexto de crescimento do comércio exterior, os volumes relevantes na pauta das importações foram novamente os insumos para os setores da indústria de celulares, eletroeletrônicos e duas rodas, oriundos dos países asiáticos e Estados Unidos. A executiva frisou que o modelo Zona Franca sempre vai consolidar um volume maior de importações, o que pode colaborar para o constante desequilíbrio na balança comercial do Estado. “Apesar disso, não creio que esse fator impacte nos índices inflacionários da região. Razão disso é que a arrecadação cresceu 80,35% nos sete primeiros meses, saltando de R$ 289,93 milhões do ano passado para R$ 522,89 milhões neste ano”, asseverou.

Recolhimento de tributos

Maria Elízia ressaltou ainda que o aumento no volume da arrecadação via portos de Manaus se deve principalmente ao incremento das importações com recolhimento integral de tributos da indústria. Segundo a inspetora-chefe, o IPI (Imposto sobre Produto Importado) representou, durante o período observado, a maior fatia da arrecadação tributária, exceto PIS/Pasep, com crescimento de 6,44 pontos percentuais sobre o obtido no mesmo período de 2007. “Apesar do aumento de 51,04% na arrecadação via Imposto de Importações durante o acumulado dos sete primeiros meses, a entrada de produtos acabados destinados às indústrias locais foi a razão desse incremento de 148,17% na receita dos cofres federais”, explicou.

Importações podem ter queda, diz especialista

Mas na avaliação da analista financeira Maria de Jesus Grana Cruz, as importações poderão fechar em queda de até seis pontos percentuais a partir deste mês, a partir de análise do comportamento cambial revelado pela Bolsa de Mercadorias & Futuros. Segundo a especialista, temores causados pelos sinais de propagação da desaceleração norte-americana para as economias da Europa e da Ásia voltaram a dominar os mercados globais e deram suporte à alta do dólar nos mercados internacionais de moedas na última semana.
Segundo Maria de Jesus, no mercado brasileiro, a alta das cotações da moeda americana também foi influenciada por certa retração na oferta, provocada pela cautela dos investidores com o impacto negativo da desvalorização das matérias-primas (commodities) sobre a balança comercial. “Com isso, o comércio com outros países poderá não se tornar um grande negócio ainda neste segundo quadrimestre”, considerou.

Apreciação do dólar

A previsão da especialista tem fundamento a partir da análise dos índices de apreciação do dólar para remessas ao exterior divulgado pela Bovespa. Nesta semana, o dólar comercial fechou em alta de 0,50%, cotado a R$ 1,616, o maior valor desde o encerramento em 16 de junho, a R$ 1,6250. Neste mês, a moeda já acumulou ante o real alta de 3,46%. No ano, a queda acumulada recuou para 8,96%. “Na Bolsa de Mercadorias & Futuros, o dólar negociado à vista avançou 0,37%, cotado a R$ 1,614. O giro financeiro total à vista somou cerca de US$ 3.42 bilhões”, explicou Maria de Jesus.

Opinião divergente

Nesse contexto econômico, o diretor-técnico do TUP (Terminal de Uso Privativo) Chibatão, José Luiz Batista, disse discordar da possibilidade de agosto fechar com retração no volume das importações. O executivo frisou que a capital amazonense é local estratégico para ampliação dos negócios da navegação de cabotagem, principal forma de chegada dos insumos importados para o PIM (Pólo Industrial de Manaus). “Em julho, a diferença entre dólares que saíram e entraram no Amazonas foi negativa, mas o Estado é importador por natureza, razão pela qual não há como estimar retrações no volume de entrada de mercadorias estrangeiras, mesmo com a possibilidade de valorização da moeda americana”, completou.
Mas os dados semanais da balança divulgados na manhã de ontem pelo Banco Central contradizem o empresário, corroborando a ação de cautela dos economistas. No estudo da entidade, embora a balança tenha registrado superávit de US$ 453 milhões nos seis primeiros dias úteis de agosto, o saldo é 54,24% menor que o superávit acumulado nas duas primeiras semanas de agosto do ano passado.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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