Comércio paga caro pelo caos do transporte público

Em: 6 de agosto de 2010
Um dos setores econômicos que mais tem sido prejudicado pelo caos no transporte urbano de Manaus é o comércio, segundo avaliação da FCDL/AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas).
Um dos setores econômicos que mais tem sido prejudicado pelo caos no transporte urbano de Manaus é o comércio, segundo avaliação da FCDL/AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas).

Um dos setores econômicos que mais tem sido prejudicado pelo caos no transporte urbano de Manaus é o comércio, segundo avaliação da FCDL/AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas). De acordo com o presidente da entidade, Ralph Assayag, as empresas perdem de 5% a 10% nas vendas mensais em função dos problemas gerados pela escassez e má conservação dos ônibus que circulam na capital amazonense.
“Para ir com suas compras para casa, muitos clientes dependem do transporte público. Se esse ônibus estiver lotado, o consumidor não vai comprar muita coisa, porque esta é a única maneira de levar seus produtos”, desabafou o dirigente.
Conforme Assayag, apesar de ambos trabalharem com vendas, o comércio é muito diferente da indústria, e acaba sendo bem mais prejudicado pelo problema. Ele explica, por exemplo, que o cliente industrial pode contar com a entrega do produto sem prejuízos à produção. Entretanto, salienta o presidente da FCDL/AM, se acontece um problema no comércio, como chuva ou algo do gênero, não há como fazer a entrega e dificilmente o cliente retorna no dia seguinte. “Se você perdeu a venda naquele momento, esqueça. O cliente não vai voltar para comprar”, asseverou.

Funcionários acidentados

Outro problema citado por Ralph é o número de acidentes com funcionários. Como o transporte não oferece condições necessárias para que ele chegue a tempo no trabalho, uma das alternativas usadas é pegar um mototaxista. Quando um funcionário se acidenta na tentativa de chegar ao serviço, quem fica com o prejuízo é a empresa. “Como ele estava vindo ao trabalho, a empresa fica responsável pelo acidentado e ainda tem desfalque dessa pessoa no serviço. Tudo isso devido à maneira indevida e não oficial de chegar ao trabalho”, enfatizou.
O presidente da FCDL/AM salienta que a preocupação com a demora da chegada do funcionário, os custos gerados por eventuais acidentes e a perda de faturamento pela ausência do empregado refletem significativamente no resultado das empresas. “Precisamos de uma solução para que tenhamos tranquilidade com nossos clientes e funcionários”, afirmou.

Preço da passagem é insuficiente para custear renovação da frota, argumenta Transmanaus

O problema do sistema de transporte coletivo da capital amazonense foi tema de reunião almoço realizada ontem, na sede da CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus). Participaram do evento, além da entidade, a FCDL/AM e a empresa de ônibus Transmanaus, assim como comerciantes da cidade.
O diretor de Recursos Humanos da Transmanaus, Roberto Chagas, admite que o comércio acaba sendo um dos setores que mais sofre com a desordem do transporte do coletivo. “Alguns segmentos sofrem impacto direto da nossa atividade. No Distrito, o problema não é tão grave porque, normalmente, as empresas têm suas rotas. Mas, no comércio e na construção civil, isso não existe”, detalhou.
Segundo Chagas, a frota atual é de 1.460 ônibus, mas 40% dos veículos precisam ser renovados. “A média de idade para a troca da frota é de seis anos e hoje a gente tem ônibus com mais de dez. Só que aí você precisa ter saúde financeira para a substituição. Nesse caso, é preciso estabelecer um valor da passagem que tenha incluído os gastos com manutenção”, ponderou.
O diretor salientou que o contrato firmado de concessão do transporte coletivo previa reajustes anuais e não está sendo obedecido. Hoje, conforme o dirigente, os empresários de ônibus recebem R$ 1,49 de cada tarifa, valor que, nas palavras do diretor da Transmanaus, não garante a troca de ônibus, apenas “as despesas para sobrevivência”.
A empresa está lutando na Justiça para que a tarifa seja alterada para R$ 2,69, preço calculado pela Fipe/USP (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo) a partir das despesas e manutenção da frota.
De acordo com o diretor, a tarifa atual de R$ 2,25 é uma das menores do país e se o reajuste acontecesse hoje, o processo de renovação começaria de imediato e, provavelmente, boa parte do percentual da frota seria substituída até 2011. “Talvez o número de ônibus que circulam pela cidade fosse até suficiente, desde que todos estivessem funcionando, sem tantas paradas para manutenção”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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