Os baixos estoques de passagem, os menores das últimas décadas, devem blindar os preços das commodities agrícolas contra o impacto de uma recessão da economia norte-americana. Esta é a opinião do economista Alexandre Mendonça de Barros, que na última sexta-feira pela manhã participou de uma debate na Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) sobre o impacto da crise norte-americana no mercado de commodities agrícolas.
Segundo Alexandre Mendonça de Barros, que é professor da Fundação Getúlio Vargas, nos últimos três meses muitos fundos não agrícolas migraram suas aplicações para as commodities, buscando proteção contra a crise do mercado de crédito dos Estados Unidos.
O economista não acredita que uma recessão na economia norte-americana possa derrubar os atuais preços das commodities, “pois a alta das cotações é decorrente de fatores estruturais, como o uso da soja e do milho como matérias-primas na fabricação de biocombustíveis”.
Pela primeira vez, diz ele, uma alta de preços não resulta de um fator conjuntural como uma quebra de safra. O aperto nos estoques deixará o mercado muito mais sensível às adversidades climáticas, conclui.
O economista considera subestimados os atuais dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) sobre a área plantada como grãos na safra 2007/08, levando em conta os atuais preços do milho e da soja no mercado internacional.
Alexandre de Barros reconhece que vários fatores corroem parte dos ganhos que os produtores poderiam ter com a alta de preços das commodities, principalmente o câmbio, “que na crise recente do setor (2004 e 2005) foi responsável por 70% da perda de renda dos agricultores”.
Outro fator é alta de preços dos fertilizantes, decorrente do aperto entre oferta e demanda no mercado internacional. Ele cita que a China e a Índia hoje respondem por 35% a 40% do crescimento do consumo mundial de fertilizante.
Commodities devem seguir descoladas da crise dos EUA
Em: 23 de fevereiro de 2008
Alexandre Mendonça de Barros, que é professor da FGV disse que nos últimos três meses muitos fundos não-agrícolas migraram suas aplicações para as commodities.
Redação
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