Comprometimento, questão de coerência

Em: 29 de fevereiro de 2008
Sempre falamos sobre estarmos compromissados com um projeto, uma empresa ou um objetivo.
Sempre falamos sobre estarmos compromissados com um projeto, uma empresa ou um objetivo.

Sempre falamos sobre estarmos compromissados com um projeto, uma empresa ou um objetivo. Mas, o que nos faz acreditar que realmente temos comprometimento? Vamos trabalhar este conceito para a questão profissional.
Na era da gestão do conhecimento, termos profissionais qualificados, capacitados e altamente comprometidos é uma questão de sobrevivência para as organizações. Mas, há uma enorme confusão quanto ao que é comprometimento. Vamos citar algumas:
Tempo de Empresa: Denota, com certeza, uma correlação entre os objetivos da pessoa e da organização, mas, apenas “estar” na empresa não representa em si compromisso, pois a pessoa pode ser estável por falta de outra oportunidade ou por acomodação.
* Carga de Trabalho: há pessoas que trabalham sempre mais que o horário normal. É claro que isso geralmente é necessário algumas vezes, no mundo competitivo que vivemos. Mas, fazer disso uma sistemática pode não ser caracterizado como compromisso, e sim a falta de organização e planejamento.
Estas são apenas algumas formas de as pessoas confundirem o conceito do que é assumir o compromisso com a sua organização. Mas, na verdade, o compromisso é medido de duas formas: pelos resultados obtidos pelo profissional e pelo grau de prioridade que ele dá ao seu trabalho e à organização.

Modelo de gestão
Quanto aos resultados, cabe à organização estabelecer e implementar um modelo de gestão que seja baseado na consecução de objetivos e metas, com sistemas de mensuração que possibilitem realmente medir o nível de eficiência e eficácia da sua equipe e também de remunerar de forma diferente os profissionais que realmente trazem os resultados, daqueles que são apenas medianos. Dessa forma, o “comprometimento” passa a ter uma caracterização mais técnica e menos emocional (tempo de empresa, disponibilidade de tempo no trabalho,etc).
Nas decisões do dia-a-dia, também temos condições de observar o comprometimento através da coerência entre o estabelecimento de prioridades. Precisamos ser coerentes entre o que o nosso trabalho representa para nós, para o alcance dos nossos objetivos de vida. Se tiramos do nosso trabalho a oportunidade de melhorar a nossa vida e trabalhar nossa auto-estima, o mínimo que podemos esperar é que sejamos coerentes para dar a ele a devida prioridade no momento oportuno.
Em nenhuma hipótese, defendemos que é preciso deixar de viver a vida, para nos dedicarmos ao trabalho, até porque, não enxergamos “vida” e “trabalho” como coisas distintas. Se não gostamos do que fazemos, não estamos vivendo, mas sobrevivendo. Mas mesmo fazendo aquilo que nos deixa felizes, temos que saber quando temos que priorizar o trabalho, e quando o fazemos, optamos em renunciar alguma outra atividade da nossa vida, pois o tempo é o mesmo para tudo.
Vejo pessoas que se dedicam de força, coração e alma para atividades religiosas. Dedicam o seu tempo (fora do expediente de trabalho) à religião e/ou filosofia que abraçam. Isso é muito bom. Todas as vezes que conheço pessoas assim eu as respeito por saber que não estão desejando mal a ninguém. Entretanto, no geral, essas pessoas não abrem mão deste tempo para outras atividades que não sejam as assumidas no terreno da religião ou credo. Elas realmente se “comprometem” com esta causa e isso, repito, é muito bom para nossa sociedade e fortalece valores. Mas ao fazerem essa opção, em momentos muitas vezes necessários, elas geralmente abrem mão de dar o seu esforço extra pelo trabalho e profissão que escolheram e exercem. O resultado é negativo, tanto para a empresa, que perde com isso, tanto para a pessoa que estará sempre na faixa dos profissionais “mais-ou-menos”.
Sabemos que no dia-a-dia que vivemos, em um mundo extremamente complicado, agitado e veloz, ficamos muitas vezes sem saber em que focar o nosso tempo e energia, mas, devemos sempre nos questionar e verificar se estamos sendo coerentes conosco mesmos e com as pessoas e organizações para as quais temos responsabilidades, desde nossa

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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