Sempre falamos sobre estarmos compromissados com um projeto, uma empresa ou um objetivo. Mas, o que nos faz acreditar que realmente temos comprometimento? Vamos trabalhar este conceito para a questão profissional.
Na era da gestão do conhecimento, termos profissionais qualificados, capacitados e altamente comprometidos é uma questão de sobrevivência para as organizações. Mas, há uma enorme confusão quanto ao que é comprometimento. Vamos citar algumas:
Tempo de Empresa: Denota, com certeza, uma correlação entre os objetivos da pessoa e da organização, mas, apenas “estar” na empresa não representa em si compromisso, pois a pessoa pode ser estável por falta de outra oportunidade ou por acomodação.
* Carga de Trabalho: há pessoas que trabalham sempre mais que o horário normal. É claro que isso geralmente é necessário algumas vezes, no mundo competitivo que vivemos. Mas, fazer disso uma sistemática pode não ser caracterizado como compromisso, e sim a falta de organização e planejamento.
Estas são apenas algumas formas de as pessoas confundirem o conceito do que é assumir o compromisso com a sua organização. Mas, na verdade, o compromisso é medido de duas formas: pelos resultados obtidos pelo profissional e pelo grau de prioridade que ele dá ao seu trabalho e à organização.
Modelo de gestão
Quanto aos resultados, cabe à organização estabelecer e implementar um modelo de gestão que seja baseado na consecução de objetivos e metas, com sistemas de mensuração que possibilitem realmente medir o nível de eficiência e eficácia da sua equipe e também de remunerar de forma diferente os profissionais que realmente trazem os resultados, daqueles que são apenas medianos. Dessa forma, o “comprometimento” passa a ter uma caracterização mais técnica e menos emocional (tempo de empresa, disponibilidade de tempo no trabalho,etc).
Nas decisões do dia-a-dia, também temos condições de observar o comprometimento através da coerência entre o estabelecimento de prioridades. Precisamos ser coerentes entre o que o nosso trabalho representa para nós, para o alcance dos nossos objetivos de vida. Se tiramos do nosso trabalho a oportunidade de melhorar a nossa vida e trabalhar nossa auto-estima, o mínimo que podemos esperar é que sejamos coerentes para dar a ele a devida prioridade no momento oportuno.
Em nenhuma hipótese, defendemos que é preciso deixar de viver a vida, para nos dedicarmos ao trabalho, até porque, não enxergamos “vida” e “trabalho” como coisas distintas. Se não gostamos do que fazemos, não estamos vivendo, mas sobrevivendo. Mas mesmo fazendo aquilo que nos deixa felizes, temos que saber quando temos que priorizar o trabalho, e quando o fazemos, optamos em renunciar alguma outra atividade da nossa vida, pois o tempo é o mesmo para tudo.
Vejo pessoas que se dedicam de força, coração e alma para atividades religiosas. Dedicam o seu tempo (fora do expediente de trabalho) à religião e/ou filosofia que abraçam. Isso é muito bom. Todas as vezes que conheço pessoas assim eu as respeito por saber que não estão desejando mal a ninguém. Entretanto, no geral, essas pessoas não abrem mão deste tempo para outras atividades que não sejam as assumidas no terreno da religião ou credo. Elas realmente se “comprometem” com esta causa e isso, repito, é muito bom para nossa sociedade e fortalece valores. Mas ao fazerem essa opção, em momentos muitas vezes necessários, elas geralmente abrem mão de dar o seu esforço extra pelo trabalho e profissão que escolheram e exercem. O resultado é negativo, tanto para a empresa, que perde com isso, tanto para a pessoa que estará sempre na faixa dos profissionais “mais-ou-menos”.
Sabemos que no dia-a-dia que vivemos, em um mundo extremamente complicado, agitado e veloz, ficamos muitas vezes sem saber em que focar o nosso tempo e energia, mas, devemos sempre nos questionar e verificar se estamos sendo coerentes conosco mesmos e com as pessoas e organizações para as quais temos responsabilidades, desde nossa






