Conab dispõe de R$ 5,2 bilhões para intervir no mercado em 2009

Em: 29 de dezembro de 2008
De acordo com levantamento da Conab, o milho e o trigo lideram o ranking dos mais vendidos via PEP e Prop em 2008, 1,44 e 1,1milhões de toneladas respectivamente
De acordo com levantamento da Conab, o milho e o trigo lideram o ranking dos mais vendidos via PEP e Prop em 2008, 1,44 e 1,1milhões de toneladas respectivamente

O orçamento para os programas federais de equalização de preços –PEP (Prêmio de Escoamento de Produto) e Prop (Prêmio de Risco para Aquisição de Produto Agropecuário Oriundo de Contrato Privado de Opção de Venda)– cresceu 125% e foi para R$ 2,915 bilhões em 2009. Na conta de formação de estoques –AGF (Aquisição do Governo Federal)– será depositado volume equivalente ao ano passado, R$ 2,3 bilhões.
O incremento para garantir a sustentação dos preços agrícolas ao produtor foi assegurado, em boa parte, através de uma emenda constitucional votada e aprovada na semana passada –sem ela, o aumento nos recursos destinados aos programas de sustentação de preços seria de apenas 17%, ou R$ 1,515 bilhão. Este ano, a compra de prêmios custou ao governo a R$ 1,29 bilhão.
O recurso é gasto pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) para garantir ao ­produtor rural um preço ­mínimo pela safra, ou ainda para abastecer regiões consumidoras. Durante todo o ano de 2008, a Conab registrou crescimento de quase 200% na comercialização da safra agrícola por meio desses Contratos Púbicos de Opção. Em 2007, os agricultores utilizaram o PEP e o Prop para vender 857 mil toneladas de alimentos ao governo, já este ano o número subiu para 2,543 milhões de toneladas.
Para o próximo ano, a tendência é que esse tipo de negociação continue em alta, já que a cotação das commodities agrícolas despencou e não dá sinais de recuperação, pelo menos no primeiro trimestre de 2009. “Ainda não sabemos que parcela da safra 2008/09 vai precisar do apoio do governo para ser comercializada, a única certeza é de que o milho vai continuar a demandar um volume significativo desses recursos”, calculou Paulo Molinari, da Safras & Mercado.
De acordo com levantamento da Conab, o milho e o trigo lideram o ranking dos mais vendidos via PEP e Prop em 2008, 1,44 e 1,1milhões de toneladas respectivamente. Foram negociados mais de 75 mil documentos dos dois grãos, cada um de 27 toneladas. “E o maior volume foi gasto no final do ano para escoar principalmente a safrinha recorde do Mato Grosso”, disse Molinari. Para o consultor, os agentes do mercado interno se “comportaram mal no primeiro trimestre do ano”. Ele diz acreditar que os traders de milho “não aproveitaram o momento em que a exportação estava em alta”. Molinari prefere não arriscar uma avaliação quanto à suficiência do volume oferecido para o próximo ano. “Se a crise se estender apenas pelo primeiro quadrimestre, com este volume seria possível regular o mercado interno. Caso contrário, ele se torna insuficiente para sustentar os preços”. Segundo ele, a demanda por contratos de opção vai depender dos preços na Bolsa de Chicago e ainda do ritmo das exportações brasileiras.

Recursos atendem à demanda

João Paulo Moraes diz acreditar que o aumento dos recursos destinados à intervenção será suficiente para atender à demanda do próximo ano, mesmo com a renovação dos preços mínimos. O valor pago pelo governo sofreu reajuste que passa a ser praticado já a partir de janeiro.
Distante das principais regiões exportadoras e de consumo, o Mato Grosso registrou o maior número de contratos de opção para o milho. No caso do trigo, os Estados que mais contrataram as opções oferecidas pelo governo foram o Rio Grande do Sul e o Paraná.
No ano passado, apenas os produtores de arroz entregaram a produção ao governo em troca de contratos, 31.767 papéis. Para o superintendente de Operações da Conab, João Paulo de Moraes, essas negociações ajudam o produtor a enfrentar a instabilidade do mercado acentuada neste fim de ano. “Nos três primeiros trimestres, o valor das commodities garantia renda ao produtor sem a intervenção do governo. Mas as cotações começaram a cair e tivemos que interferir para dar sustentação de preços para produtos como milho e trigo”, explicou.

Leilões diminuem

Na contramão das aquisições, a venda de estoques públicos diminuiu em 2008. A Conab vendeu 954,37 mil toneladas de arroz, feijão, milho, café, castanha de caju e soja.
O número representa uma queda de 35,51% em relação a 1,48 milhão de toneladas leiloadas na safra anterior.
O arroz foi o produto mais negociado nos leilões da estatal. De cada 10 quilos vendidos pelo governo durante as vendas de 2008, que já se encerraram, nove foram de arroz.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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