Concorrência e petróleo geram queda nos preços de passagens

Em: 8 de setembro de 2015
O excesso de oferta de assentos nos aviões em meio à queda de demanda, a queda no preço do petróleo e a concorrência acirrada entre as duas maiores empresas aéreas do país, produziram um efeito incomum nos preços das passagens aéreas
O excesso de oferta de assentos nos aviões em meio à queda de demanda, a queda no preço do petróleo e a concorrência acirrada entre as duas maiores empresas aéreas do país, produziram um efeito incomum nos preços das passagens aéreas

O excesso de oferta de assentos nos aviões em meio à queda de demanda, a queda no preço do petróleo e a concorrência acirrada entre as duas maiores empresas aéreas do país, com agressivas promoções na alta temporada, produziram um efeito incomum nos preços das passagens aéreas. Levantamento exclusivo realizado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), a pedido da Agência Estado, mostra que os preços dos bilhetes junto ao consumidor caíram 3,41% em janeiro em relação a dezembro, no âmbito do IPC-BR (Índice de Preços ao Consumidor – Brasil), a terceira queda mais intensa no mês de janeiro desde o início do Plano Real, em 1994.
A ocorrência de bilhetes mais baratos também pôde ser detectada em dezembro, quando o recuo nos preços das passagens foi de 0,45% na comparação com novembro – o mais forte dos últimos 11 anos para um mês de dezembro. Na análise de economistas da FGV, após enfrentarem uma crise que durou mais de um ano, as empresas aéreas foram surpreendidas no final de 2008 com o cenário de turbulência internacional, que levou a um ambiente de demanda fraca e preços mais baixos para querosene de aviação, item que representa pelo menos 40% dos custos do setor. Isso ajudou a manter mais baixos os preços das passagens.
Para especialistas em aviação, também deve-se levar em conta a sazonalidade da alta temporada, quando as companhias aproveitam para baixar os preços para os turistas de lazer. “As companhias têm entregas programadas de aviões encomendados no início do ano passado e até do retrasado. Isso significa que foram feito planos de frota em função de projeções de crescimento que não estão se cumprindo agora”, avalia o consultor aeronáutico Paulo Bittencourt Sampaio.
Em janeiro, a demanda por voos domésticos registrou expansão de 9,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar do bom resultado, foi o desempenho mais fraco das empresas aéreas no mês de janeiro desde 2004, segundo dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
Segundo a TAM, historicamente, o primeiro trimestre costuma ter yields – índice que mede quanto o passageiro paga por quilômetro voado – menores em relação aos demais períodos do ano. Isso ocorre principalmente devido ao perfil do passageiro que viaja nesta época do ano, quando a participação do turismo de lazer ganha maior proporção em relação às viagens de negócios.
A Gol, enquanto isso, informa que os preços das passagens permaneceram, na média, estáveis em janeiro em relação a dezembro. A companhia, que integrou sua operação com a Varig em outubro passado, avalia que houve redução de preços em alguns trechos, dependendo do horário e do dia da semana, mas não informou valores. A Gol reconhece que o recuo do preço do QAV (Querosene de Aviação) contribui para a realização de promoções.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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