Ainda faltam cinco meses para o Carnaval, mas o pessoal da Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, já trabalha a pleno vapor na realização do 9º Concurso Nacional de Marchinhas Carnavalescas.
Perfeito Fortuna, presidente da Fundição Progresso e idealizador do Concurso, falou do Rio, com exclusividade para o Jornal do Commercio, e explicou que as marchinhas eram o forte do Carnaval carioca até antes da imposição da ditadura militar, em 1964. “Tudo começou a ser proibido a partir daquele período e o Carnaval de rua foi encolhendo, depois, a marchinha sempre foi um gênero musical escrachado, onde todo assunto virava letra musical, e com os militares no poder veio a censura, ‘matando’ a característica principal delas”, explicou.
As marchinhas fizeram muito sucesso no país principalmente entre as décadas de 1920 e 1960, no período de ouro das emissoras de rádio. Com a segmentação dos canais de televisão depois de 1950, as animadas músicas de Carnaval foram perdendo força, suplantadas, também, pelas escolas de samba que cresciam a cada ano fazendo surgir os sambas-enredos.
A primeira marchinha de que se tem notícia foi “Ó Abre Alas”, de Chiquinha Gonzaga, composta em 1899 para o cordão carnavalesco Rosa de Ouro, mas uma seleção da revista Veja, listou as dez mais populares, imprescindíveis em qualquer banda: “Chiquita Bacana”, “Maria Sapatão”, “A Pipa do Vovô”, “Aurora”, “Me Dá um Dinheiro Aí”, “Saca Rolha”, “O Teu Cabelo Não Nega”, “Mamãe Eu Quero”, “Turma do Funil” e a própria “Ó Abre Alas”.
Por todo o país
Perfeito Fortuna contou que a partir de 2001 houve uma renovação no Carnaval carioca com o ressurgimento das bandas de rua. “Antes elas agregavam cinco, dez mil pessoas e não eram tantas, mas a partir daquele ano as bandas se espalharam por toda a cidade, com músicos tocando marchinhas consagradas, lançando novas e reunindo 500 mil, um milhão de pessoas e tem sido assim, desde então. Acredito que hoje existam umas 500 bandas na cidade, todas aglutinando muita gente e tocando não só marchinhas, mas os mais variados estilos de música. Foi então que surgiu a ideia de promover o Concurso”, contou.
Lançado em 2005, o Concurso é considerado um marco na revitalização do Carnaval de rua do Rio de Janeiro e do país. A partir de sua criação, 7.791 composições foram inscritas na disputa, vindas de todos os Estados brasileiros e diversas cidades passaram a realizar eventos semelhantes nos anos seguintes.
Nas edições anteriores, as marchinhas vencedoras saíram das cidades de Belém, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Para este ano as inscrições seguem até 15 de outubro, podendo ser realizadas pelo site: www.concursodemarchinhas.com.br
As dez finalistas escolhidas pelo júri farão parte do CD “As Melhores Marchinhas do Carnaval 2014” e a melhor leva R$ 15 mil. A segunda e a terceira colocadas também recebem prêmio em dinheiro: R$ 8 mil e R$ 4 mil, respectivamente. A final tem transmissão ao vivo do programa Fantástico, da Rede Globo, com votação interativa. A previsão é de que a lista com as dez finalistas seja divulgada no dia 8 de novembro. A final acontece em 16 de fevereiro.
A homenageada do Concurso deste ano será Marlene, um dos maiores mitos do rádio brasileiro em sua época de ouro e uma das grandes cantoras de marchinhas por décadas. Este ano Marlene completa 91 anos.
“Quando idealizei o Concurso, meu objetivo era levantar o ritmo, mas achei que ninguém ia se inscrever. Hoje os concurso se espalham pelo país”, comemorou Perfeito.







