A confiança dos comerciantes de Manaus registrou uma nova alta em fevereiro. Os empresários estão mais satisfeitos com o desempenho da economia e dos negócios, e mantém otimismo em relação aos resultados deste ano. Os números da pesquisa do Icec (Índice de Confiança do Empresário do Comércio), medido pela CNC, apontam para um sétimo mês seguido de crescimento, embora o incremento tenha ficado abaixo da média nacional.
O indicador cravou 142,4 pontos em Manaus e subiu 1,3% no confronto com janeiro de 2020 (140,6). Foi o melhor resultado desde março de 2019 (139,6), coroando a recuperação experimentada desde setembro do mesmo ano (133,4), depois dos cinco meses de queda anteriores. Em relação a fevereiro do ano passado (140,2), houve crescimento de 1,6%. No Brasil (126,6), o nível de confiança atingiu o melhor nível em sete anos, com expansões de 1,7% e de 2,7%, respectivamente.
Apurado entre os tomadores de decisão das empresas, o levantamento avalia condições atuais, expectativas de curto prazo e intenções de investimento dos comerciantes. Pontuações abaixo de 100 representam a zona de insatisfação, enquanto acima de 100 e até 200 é considerado de satisfação. A CNC sondou aproximadamente 6.000 empresas de todas as capitais do país – 164 delas, em Manaus.
Em Manaus, todos os subíndices do Icec ficaram na zona de satisfação. Sete dos nove listados avançaram em relação a janeiro de 2019, com destaque positivo para “condições atuais da economia/CAE” (+3,5% e 129,1 pontos) e “condições atuais das empresas comerciais/CAEC” (+3,7% e 149,2). Os dados negativos vieram de “expectativa do comércio/EC” (-0,5% e 168,8) “situação atual dos estoques/SAE” (-0,5% e 100,8).
Especificamente sobre a situação atual da economia, a maioria absoluta (56,6%) dos entrevistados em Manaus considerou que “melhorou um pouco”. Na sequência, 18,6% avaliaram que a situação “melhorou muito”, 14,2% apontaram que “piorou um pouco” e 10,7% garantem que “piorou muito”. Os números foram melhores do que os de janeiro – 55,2%, 17%, 15,8% e 12%, respectivamente. Assim como no mês anterior, a satisfação é maior nas empresas com mais de 50 empregados (125,8) e que atuam no segmento de produtos não duráveis (137,5)
As avaliações do empresariado de Manaus sobre o setor (133,4 pontos) e a respeito de sua empresa (149,2) são ainda melhores. Em ambos os casos, a mais da metade dos entrevistados também acha que a situação atual “melhorou um pouco” (53,8 e 53 pontos, respectivamente). Os que acreditam que “melhorou muito” vieram em seguida (22,9 e 32,2 pontos). Companhias de maior porte e que trabalham com produtos perecíveis também lideraram o otimismo, em ambos os grupos.
Empregos e investimentos
As expectativas para a economia brasileira (167 pontos) são positivas para a maioria esmagadora dos empresários comerciais de Manaus, em maior (47,5%) ou menor grau (48,1%). A situação é semelhante no que se refere às projeções para o setor (45,7% e 49,3%, respectivamente) e para o desempenho do próprio negócio (41,3% e 55,5%, na mesma ordem).
O otimismo se reflete em menor grau nas intenções de contratar e investir. Em torno de 50,7% dizem que o contingente deve “aumentar pouco” e 24,5% apostam que vai “aumentar muito”. Para 36,1% das empresas sondadas na capital amazonense, o nível de aportes de capital no próprio negócio deve ser “um pouco maior” e 26,3% arriscam dizer que será um “muito maior”.
“A confiança dos comerciantes de Manaus tem se mantido em um patamar bem elevado e segue aumentando. O empresário está acreditando nas políticas do governo, mas os possíveis efeitos da Reforma Tributaria sobre a Zona Franca ainda preocupam. Enquanto não houver uma definição, a insegurança jurídica permanecerá, assim como as incertezas e a imprevisibilidade”, ponderou o assessor econômico da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), José Fernando Pereira da Silva.
Crédito e inflação
Em texto distribuído à imprensa pela entidade, a economista responsável pela sondagem da CNC, Izis Ferreira, aponta que aumentou ainda mais a proporção de empresários dispostos a investir no próprio negócio. “Foram 54,6% do total de entrevistados que indicaram estar dispostos a ampliar os investimentos nas empresas, o maior percentual desde maio de 2014”, salientou a economista. Em janeiro, 53,4% dos comerciantes aumentariam os investimentos em seus negócios, e, em fevereiro de 2019, a proporção era 47,7%.
No mesmo texto, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, ponderou que a recuperação gradual da economia, com inflação controlada em níveis baixos, melhora nos indicadores de emprego e mercado de crédito mais favorável ajudam a entender os dados do Icec deste mês. “A percepção otimista dos empresários quanto ao nível atual de atividade econômica pode ser explicada por resultados recentes de indicadores, como o crescimento do PIB em 2019”, concluiu, ressaltando que o maior potencial de consumo das famílias também precisa ser considerado dentro do atual quadro econômico do país.







