Construção civil anuncia 3.000 empregos

Em: 24 de fevereiro de 2010
Conforme o presidente do Sintracomec, as obras que deixam mais a desejar em termos de segurança e qualidade de vida do trabalhador são aquelas realizadas pelo Estado e Município
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Conforme o presidente do Sintracomec, as obras que deixam mais a desejar em termos de segurança e qualidade de vida do trabalhador são aquelas realizadas pelo Estado e Município

De olho na Copa de 2014, o setor da construção civil no Amazonas se prepara para atender a oferta de empregos que se mantém em alta. A projeção do Sinduscon-AM (Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Amazonas) é que sejam gerados 3.000 novos postos de trabalho em 2010. Hoje, o Estado possui um universo de 45 mil trabalhadores atuando no setor, sendo 30 mil em Manaus, cuja maioria está em empregada.

A grande preocupação dos dirigentes do setor é formar e qualificar mão-de-obra, principalmente nas áreas de carpintaria, pedreiro, ferreiro, armador e bombeiro hidráulico para atender a demanda de mercado. Para isso, várias parcerias estão sendo firmadas com órgãos como o Senai (Serviço Nacional Aprendizagem Industrial) e o Cetam (Centro de Educação Tecnológica do Amazonas).

O presidente do Sinduscon-AM, Eduardo Lopes, disse que, por enquanto, a mão-de-obra existente está suprindo as necessidades das empresas que têm procurado formar profissionais nos próprios canteiros de obras, com a supervisão de especialistas. No entanto, se houver uma grande demanda de obras como está previsto, ele avalia que as construtoras poderão ter dificuldade em encontrar alguns tipos de profissionais. “Por este motivo, estamos realizando parceria com órgãos que atuam com essa finalidade”, informou.

Atraso nas obras

A preocupação de Lopes é com o atraso nas obras de preparação da cidade para a Copa de 2014, como o Estádio que vai se chamar Arena Amazônia, cujo edital deveria ter sido lançado ainda em 2009 e ainda não foi. O outro projeto grande é o do monotrilho, que o governo está acenando lançar a pedra fundamental no dia 30 de março. “Esses projetos precisam ser acelerados porque, do contrário, as empresas que vão ficar com seus prazos apertados ante o calendário da Fifa [Federação Internacional de Futebol]”, lembrou.

Por sua vez, a direção do Sintracomec (Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil no Amazonas) também defende a necessidade de que os trabalhadores sejam requalificados para atender essa demanda prevista. O presidente da entidade, Roberto Andrade, disse que profissionais como carpinteiros, pedreiros, ferreiros, armadores e bombeiros hidráulicos são sempre benvindos. “São mão-de-obra necessária para atender a demanda crescente”, assegurou.

Roberto Andrade lembrou que vários empreendimentos estão em processo de lançamento -outros já foram lançados- por empresas como Capital, Aliança, Cristal e Direcional. Esta última possui cinco empreendimentos em construção. “Entre os quais, um condomínio de casas populares na Torquato Tapajós, nas proximidades da Barreira, BR-174, do projeto “Minha Casa, Minha Vida”, informou.
Segundo o presidente do Sintracomec, a grande demanda de frentes de trabalho na capital amazonense -tanto de obras públicas como privadas- exige mais profissionais qualificados. “Ainda são poucos no mercado e grandes obras vão iniciar nos próximos meses na capital amazonense”, garantiu.

Parceria com SRTE e MPE reduz acidentes de trabalho

Uma das maiores preocupações do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Estado do Amazonas sempre foi em relação aos acidentes de trabalho que, frequentemente, quando não matavam deixavam seqüelas no trabalhador para o resto de sua vida. O setor aparecia nas estatísticas como o vilão de acidentres. Ultimamente, conforme Roberto Andrade, esses acidentes estão mais ‘controlados’ por conta de trabalhos preventivos realizados em parceria entre o sindicato, a SRTE (Superintendência Regional do Trabalho e Emprego) e o próprio MPE (Ministério Público Estadual). “Esses órgãos têm nos ajudado bastante, na conscientização dos construtores, inclusive fiscalizando os canteiros de obras”, assinalou o dirigente.

O representante dos trabalhadores informou que as obras mais desleixadas em relação segurança e qualidade de vida do trabalhador são aquelas realizadadas pelo poder público do Estado e do Município. “Não tem água potável, a alimentação é de péssima qualidade, sem refeitório para os trabalhadores fazerem as devidas refeições”, finalizou Roberto Andrade.

Para o sindicato dos trabalhadores do setor, rotatividade é “normal”

Quanto à rotatividade da construção civil no Amazonas, Roberto Andrade afirma que isso se trata de um processo natural do setor, uma vez que as empresas estão sempre começando e terminando obras, fator que faz com que o trabalhador fique mudando de local de trabalho. “Mas, na mesma proporção em que ele sai de uma obra começa em outra”, ressalvou.
Caso concretizadas as projeções nacionais, a construção civil brasileira deve registrar uma expansão de 8,8% no PIB (Produto Interno Bruto) em 2010, após o crescimento de 1% em 2009. No Estado do Amazonas, a indústria do setor está otimista diante da volta do crescimento da economia brasileira.

Aposta no mercado

O vice-presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Pauderley Avelino, disse que está apostando no mercado da construção civil diante da preparação da cidade para a Copa do Mundo de 2014. “Vários investimentos vão ser iniciados ao longo do ano, decorrente do quadro econômico que está se refazendo com perspectiva de crescimento e também porque os construtores têm compromisso de apresentar bons produtos para atender a demanda da Copa”, avaliou.

Além de representante da entidade de classe do setor, Avelino é presidente da Construtora Capital, que já anunciou a construção de vários empreendimentos imobiliários ao longo desse período, para atender a demanda da capital amazonense, que se prepara para o evento esportivo. Fundada em 1974, a Capital tem como foco principal o mercado imobiliário do Estado do Amazonas, em especial o de Manaus. Já entregou cerca de 14.000 unidades habitacionais com mais de 850 mil metros quadrados construídos em imóveis residenciais e comerciais. Além disso, a empresa construiu 200 mil metros quadrados de obras de empreitada, totalizando mais de 1 milhão de metros quadrados em área construída.

Empreendimentos imobiliários

Para celebrar a boa performance, em outubro de 2009, um feirão realizado pelas incorporadoras e construtoras Capital e Rossi reuniu, no Amazonas Shopping, mais de 15 mil pessoas interessadas em adquirir uma unidade do empreendimento Villa Jardim. Com 800 apartamentos comercializados apenas no evento, a parceria entre as duas marcas começou a mostrar sua grandeza, e o mercado amazonense, uma grande demanda por empreendimentos imobiliários.
Segundo Avelino, agora, Capital e Rossi dão um novo passo na parceria e consolidam a joint venture no Estado. A nova empresa estima lançar aproximadamente R$ 1,2 bilhão em novos empreendimentos no período dos próximos dois anos.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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