Consumidor pode pedir ressarcimento à ECT, se prejudicado com greve

Em: 2 de abril de 2008
Outra reivindicação dos servidores é a implementação do PCCS (Plano de Cargos, Carreiras e Salários). “Há 13 anos que estamos lutando por isso mas a empresa não implanta e nem quer implantar”, apontou Álvaro da Silva.
Outra reivindicação dos servidores é a implementação do PCCS (Plano de Cargos, Carreiras e Salários). “Há 13 anos que estamos lutando por isso mas a empresa não implanta e nem quer implantar”, apontou Álvaro da Silva.

O consumidor que se sentir prejudicado com a greve dos servidores dos Correios deverá entrar com pedido de ressarcimento na justiça contra a ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos). A afirmação é do Procon-AM. Na cidade, representantes do comércio e da indústria se dizem preocupados com o movimento que teve início à zero hora desta quarta-feira e deverá afetar em 70% a distribuição de correspondências no Estado.
Para o diretor do Procon-AM (Programa Estadual de Proteção e Orientação ao Consumidor), Guilherme Frederico, os Correios têm que arcar com os prejuízos em função do atraso na entrega dos títulos que estiver responsável. “O consumidor não tem nada a ver com a greve, e eles [a ECT] se comprometeram a fazer as entregas para as pessoas. Além disso, as empresas credoras também não têm culpa se o consumidor vai pagar fora do prazo”, explicou.
Contudo, Frederico observou que se é interesse do consumidor não ficar inadimplente, este deve procurar outros meios de obter os boletos pendentes, como através da internet. “Se não conseguir fazê-lo e acabar pagando juros, então o consumidor deve procurar a justiça”, assinalou.

Indústria e comércio

A greve dos Correios poderá afetar até mesmo a produção industrial. A afirmação é do diretor-executivo da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Flávio Dutra. “Sem dúvida, o comércio será afetado, bem como a indústria. São muitas as operações bancárias, e isso afeta toda a atividade econômica”, comentou.
A explicação é que o atraso no pagamento dos títulos poderá levar os credores a atrasarem a entrega dos produtos para as empresas. “Temos assistido a uma sucessão de greves em diversos setores, e isso em um momento que estamos com uma vitalidade na economia. Esses movimentos começam a afetá-la e poderão contribuir para reverter esse quadro”, alertou o executivo.

Comércio na expectativa

Representando os lojistas, o presidente da CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas), Ezra Benzion, disse que o comércio está preocupado, pois a greve deverá gerar bastante transtorno, tanto para os empresários da cidade quanto para os de fora, que têm títulos a receber. “O direito de greve é assegurado na Constituição, mas alguns serviços essenciais deveriam continuar operando”, disse.
Apesar da dor de cabeça, o presidente afirmou que as vendas, pelo menos, não serão impactadas. “O problema será mesmo administrativo”, concluiu. “Nós sabemos o que devemos, então a dificuldade será conseguir uma segunda via dos boletos”, observou.

Plano emergencial

Apesar da paralisação de parte dos servidores, o diretor dos Correios garantiu que os serviços não foram afetados e que, dependendo dos rumos que o movimento tomar, há um plano emergencial para evitar constrangimentos à população. “Temos um plano de contingência para pôr em prática”, afirmou Cavalcanti.
Para o diretor do sindicato, não é intenção dos servidores gerar desconforto à população, mas a distribuição de cargas via Sedex, por exemplo, será comprometida. “As pessoas precisam entender que não estamos querendo algum aumento, mas apenas resguardar o que já conquistamos no passado”, disse.

Movimento grevista

As informações da direção da empresa e do sindicato da categoria são conflitantes. Até o meio-dia de ontem, o diretor regional dos Correios, Ageu Cavalcanti, afirmava que a greve ainda não havia sido deflagrada, mas que cerca de 20% dos servidores realmente haviam paralisado suas atividades. “Os trabalhadores estão em discussão e estudando a proposta da empresa. Eles ainda não votaram, então não podemos falar em greve”, disse.
No entanto, a situação é bem diferente na opinião do diretor-administrativo do Sintect (Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), Álvaro da Silva. “Temos o livro de assinatura do movimento em que mais de 300 carteiros já aderiram à greve, sem contar os outros servidores, como assistentes administrativos”, disse. “Est

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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