Consumo após pacote frustra varejo

Em: 15 de outubro de 2014
Vendas baixas no Dia das Crianças mostraram efeito mínimo nas medidas de estímulo
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Vendas baixas no Dia das Crianças mostraram efeito mínimo nas medidas de estímulo

O fraco desempenho do comércio no Dia das Crianças confirmou a expectativa dos empresários varejistas: os pacotes de estímulo ao crédito lançados pelo governo federal sequencialmente em julho e agosto não foram capazes de de alavancar o consumo diante de um cenário de desconfiança em relação à economia. De acordo com Ismael Bicharra, presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), apesar de apresentar crescimento em relação ao ano passado, o desempenho do comércio na data frustrou as expectativas do empresariado, que esperavam um incremento nas vendas no mínimo duas vezes maior do que o registrado em 2014.
“Existe essa dificuldade da parte do empresário, criada pelo governo e órgãos financeiros. Se nós formos pensar nos resultados em termos de vendas, até agora as medidas não surtiram efeito. Tivemos um Dia das Crianças com movimento fraco. Deveríamos ter um crescimento entre 3% e 5%, mas acredita-se que não chegamos a isso. Em nível nacional comentamos que o aumento foi de apenas 1,5%. Eu acho muito pouco”, lamentou.
Bicharra atribui o cenário desfavorável às dificuldades na concessão de crédito –o que seria um dos entraves que seriam resolvidos pelos pacotes –e na pouca disposição do empresariado em contrair dívidas, dada a situação de incertezas políticas e econômicas pela qual o país passa.
“Esbarramos em várias dificuldades documentais. Resolvida a questão esbarramos na dificuldade de ter esse dinheiro e não saber o que fazer, já que o empresário está hoje com o freio de mão apertado porque a situação econômica do país está ruim”, explicou.

Sobre o pacote
Nos meses de julho e agosto, o Banco Central e Ministério da Fazenda anunciaram medidas que visavam diminuir as restrições ao crédito adotadas nos últimos anos e ajudar no controle da inflação. Ao todo, foram injetados no sistema bancário brasileiro mais de R$ 25 bilhões em ofertas de crédito, aliados ao afrouxamento do controle na concessão de empréstimos voltados para o financiamento de imóveis e veículos.
No entanto, o presidente do Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Amazonas), Eduardo Lopes afirma que, a exemplo do que ocorreu no varejo, diante do cenário político-econômico desfavorável, as ações do governo não surtiram qualquer efeito no setor imobiliário.
“Não dá para perceber os reflexos dessas medidas. O setor está vivendo um momento, diferentemente de anos anteriores, de estabilidade. O segundo semestre é normalmente melhor para a construção, mas estamos prevendo um 2014 não muito favorável. Vamos ver o que acontece na economia para os empresários e consumidores poderem ter coragem para voltar a investir”, resumiu.
Campanha
De 15 de outubro até 30 de novembro, a CDLM (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus) realiza a oitava edição da campanha “Limpe seu Crédito e Faça seu Nome Brilhar”. A ação orienta as empresas participantes a oferecerem descontos e condições diferenciadas aos clientes que possuem débitos, dando, aos inadimplentes, uma oportunidade de tirar seu nome da lista do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito).
Para o presidente da CDLM, Ralph Baraúna Assayag, a campanha já é esperada por lojistas e consumidores. “A ‘Limpe seu Crédito e faça seu Nome Brilhar’ tornou-se muito esperada por todos, pois é uma oportunidade para que os consumidores possam resgatar seu crédito e quitarem suas dívidas. Para lojistas, ela se torna favorável para a realização de negociações”.
Assayag disse, ainda, que o objetivo da entidade é estar atuante na defesa de seus associados e consumidores. “A CDLM disponibiliza orientações para os seus associados e consumidores inadimplentes para que ambos firmem um acordo e alcancem bons resultados”.
Durante o período de realização da campanha, todos os débitos registrados no SPC poderão ser recebidos e o consumidor poderá quitar suas dívidas de duas formas: procurando a empresa devedora ou ir diretamente no setor de Cobrança, mediante contrato de autorização de negociação.
A campanha ressalta a importância de consumidores inadimplentes negociarem suas dívidas diretamente com as lojas credoras, entretanto, a CDLM permite o acesso a serviços de orientação, negociação e quitação de débitos.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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