Quase 170 mil postos de trabalho, diretos e indiretos, devem ser gerados para atender a demanda da Copa do Mundo de 2014. A previsão é da UGP Copa (Unidade Gestora do Projeto da Copa 2014) e Seplan (Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico), responsáveis pelo gerenciamento das atividades, ações e projetos ligados ao Mundial de futebol no Amazonas. O Sine Amazonas (Sistema Nacional de Emprego do Amazonas) também prevê um grande impacto na oferta de emprego.
A maior preocupação ainda persiste no âmbito da qualificação profissional, que deve sofrer um upgrade dentro dos próximos anos, por meio de programas e iniciativas do poder público em parceria com a iniciativa privada. Como saldo positivo do Mundial de futebol, o Amazonas deve ter maior qualidade da mão de obra de variados setores e um crescimento na geração de renda para a população.
A perspectiva do Governo do Estado, de acordo com o Depi (Departamento de Estudos, Pesquisas e Informações) da Seplan, é que a Copa gere impactos diretos na economia amazonense de R$ 3,888 bilhões, oferecendo aproximadamente 50 mil empregos diretos. Os impactos econômicos gerados indiretamente devem chegar a R$ 7,53 bilhões, com geração de 120 mil indiretos.
Para a construção da Arena da Amazônia estão previstos, inicialmente, gastos de até R$ 499,5 milhões, geração de 7.493 empregos diretos. Indiretamente, os impactos previstos são de R$ 1,33 bilhão, com geração de 20.005 empregos indiretos. Já os investimentos previstos para o Monotrilho estão orçados em, aproximadamente, R$ 1.327 bilhão em investimentos e geração de 10.789 empregos diretos.
Impactos indiretos
Nos impactos indiretos a parte financeira será de R$ 3.545 milhões e os empregos indiretos de 28.806 vagas. Dentro dos planos do Governo do Estado, o BRT (Bus Rapid Transit) deve ter um impacto direto de, aproximadamente, R$ 220,7 milhões e geração de 3.311 postos, com investimentos indiretos de R$ 589,2 milhões e 8.839 novos empregos. Para o Centro de Convenções, onde irá funcionar o centro de imprensa, os investimentos serão da ordem de R$ 30 milhões, com 450 novos postos de trabalho diretos e 1.202 empregos indiretos, com investimentos de R$ 80,1 milhões.
Com a construção de mais dois pontos de embarque e desembarque no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, os investimentos diretos devem chegar a R$ 327,4 milhões e 13.112 vagas de emprego. No porto de Manaus serão gastos R$ 89,4 milhões no projeto de revitalização e, com isso, devem ser empregadas mais 1.341 pessoas em novos postos de trabalho e 3.580 indiretos.
No saneamento serão investidos R$ 160 milhões, com a geração de 1.341 novas vagas. O impacto indireto será de R$ 427,2 milhões e 6.408 novos empregos. Já em hotelaria, que se coloca como uma das áreas de maior destaque para atender a demanda do Mundial, estão previstos, inicialmente, R$ 166,9 milhões em investimentos e uma geração de empregos de 2.504 empregos.Com os R$ 445,6 milhões que devem ser empregados de forma indireta no setor, o saldo de empregos deve chegar a 6.684 novos postos.
Para o titular da UGP- Copa 2014, Miguel Biango, a Copa vai trazer muitos benefícios para o Amazonas “Um dos maiores legados que a Copa do Mundo traz para as cidades-sedes é o elenco dos investimentos, que vão perdurar para depois do período do Mundial. Temos investimentos dos governos federal e estadual, além da prefeitura. Hoje, concentramos nossos aportes na infraestrutura onde vão acontecer os jogos, na arena, nos campos de treinamento. As empresas privadas de hotelaria já estão visando novos investimentos e melhorias para atender os turistas que vem para a cidade. Isso gera mais emprego criando expectativas de novos negócios que possam surgir e perdurar após o Mundial”, destacou.
A gama de ofertas de novos negócios e de valorização das atividades tradicionais oferecidas pela cidade também está entre os benefícios citados por Biango. Por isso, diz ele, a necessidade de investir na qualificação.“Muitos turistas vêm e ficam um pouco mais, vão buscar artesanato, passeios turísticos, pratos típicos da região. Por isso, coincidentemente, hoje [ontem] estamos nos reunindo com o Sebrae [Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa] parta discutir essa expectativa para a Copa e a questão da qualificação”, apontou.
Serviços é um dos setores que promete ganhar maior impulso a partir do Mundial
O titular da UGP- Copa 2014 conta que muitos agentes do Estado estão perseguindo esse objetivo, como o Cetam (Centro de Educação Tecnológica do Amazonas), que está mapeando a demanda regional. O mesmo ocorre com o Senac (Serviço Brasileiro de Aprendizagem Comercial), com apoio à área de hotelaria. “Os cursos de línguas têm a nova oferta de línguas instrumentais. Para isso, estamos buscando a qualificação. Acho que a qualificação da mão de obra, a preparação dos nossos profissionais é o maior legado que a Copa pode nos deixar. É o resultado final de um investimento que visa um maior desenvolvimento de nosso Estado e dos produtos e serviços oferecidos por ele”, salientou Miguel Biango.
Sistema de segurança
A área de segurança para a Copa do Mundo de 2014 será reforçada com investimentos de R$ 226 milhões na aquisição de equipamentos e treinamento de pessoal e com mais 5.000 novos policiais militares, segundo expectativa da UGP Copa/Seplan. Além do concurso já realizado, que prevê o ingresso de 2.500 pessoas, a PM anunciou a abertura de mais 2.500 vagas para 2012. Até o mundial, o sistema de segurança deve agregar mais 5.000 novos policiais militares.
Na área de saúde a previsão de investimentos é de R$ 72,6 milhões em infraestrutura e serviços. Serão gerados mais empregos 1.089 diretos e 1.568 indiretos. Os impactos indiretos ficarão por volta de R$ 324,4 milhões e 4.884 postos de trabalho.
Na geração de energia estão previstos aportes diretos de R$ 250 milhões e uma previsão de ingresso de 3.750 empregados diretos e 5.400 indiretos. Em telecomunicações, que devem gerar 4.431 empregos diretos e 6.381 indiretos, a previsão de investimentos é de R$ 295,4 milhões.
Na área de serviços em turismo, a expectativa é de 3.347 novos empregos diretos e 12.551 indiretos.
De acordo com o diretor do Sine Amazonas, Paulo Junior, a previsão para a Copa é colocar à disposição mais de 12 mil trabalhadores cadastrados no sistema de emprego. “Temos uma expectativa de 4.000 pessoas por ano, 12 mil até 2014, principalmente nas áreas de construção civil, para o PIM [Polo Industrial de Manaus] e em todos os segmentos do Estado. As principais demandas das construtoras são para pedreiro e servente, por exemplo. Caberá a outros agentes como o Senai [Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial] e Sesc [Serviço Social do Comércio] entrarem na concorrência para a aplicação dos cursos destinados aos trabalhadores que iremos colocar à disposição. Também devem crescer as demandas das áreas com oferta de emprego que são criadas ou intensificadas para o mundial, como serviços de hotelaria, informática, mecânica, turismos de pesca, barqueiros. Todos, devem receber qualificação em línguas, principalmente, inglês e espanhol”, analisou.
O Governo do Amazonas também investe, através do Cetam, na qualificação e ofereceu no mês passado 4.500 vagas em cursos de capacitação para as áreas de construção civil, turismo, serviços, artesanato e governança, entre outros. A expectativa é qualificar 27 mil pessoas.







