A Copa do Mundo fora de época estava sendo um grande aliado do segmento de bares e restaurantes. O Mundial do Catar esquentou os movimentos nos estabelecimentos, especialmente quando a seleção brasileira entrava em campo. Fato é que após a eliminação do Brasil, o cenário de efervescência deve esfriar, o que é confirmado pela entidade representativa do segmento no Amazonas.
“É impossível não afirmar que há um sentimento de decepção pela eliminação da seleção brasileira pela Croácia, principalmente depois da convincente vitória sobre a Coreia. Certamente o setor, principalmente os bares e locais de eventos, sentirão o reflexo disso, por mais que ainda tenhamos grandes jogos e a final da Copa do Mundo, a perspectiva de faturamento para essas casas deverá ser menor”, lamentou o presidente da Abrasel-AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Rodrigo Zamperlini.
Mesmo assim, o presidente da entidade no Amazonas, acredita que os estabelecimentos devam ter um movimento melhor do que o de um dia normal, pois o brasileiro gosta de futebol e a maioria já deve ter sua seleção favorita ao título.
Levantamento feito pela Rede, empresa de meios de pagamento do Itaú Unibanco, ao revelar que os gastos em bares crescem 100% em dias de jogos do Brasil.
Uma outra pesquisa divulgada pela Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), aponta que dentre os cerca de 1,7 mil estabelecimentos associados à entidade, 45% dos restaurantes vão transmitir os jogos e um terço deles informou que vai criar pratos temáticos sobre a Copa do Mundo. E, além do campeonato de futebol, as confraternizações de final do ano também são outro motivo que aumenta o movimento do setor no mês de dezembro.
Segundo a Abrasel, a primeira semana de Copa do Mundo de futebol foi bastante positiva para os donos de bares e restaurantes do Brasil. O faturamento desses estabelecimentos evoluiu 30% em relação a uma semana ‘normal’. O mercado tem sido impulsionado também pelas reservas de empresas nos horários de jogos da seleção brasileira.
“Isso era algo que tinha sumido, que voltou agora com força e de forma antecipada”, afirma Paulo Solmucci, presidente da Abrasel. “Mesmo os restaurantes que, em outras Copas, reclamavam que o movimento ia apenas para os bares, estão faturando muito bem”.
Para se ter uma ideia do ânimo nos bares, conforme dados da Rede, no jogo onde o Brasil derrotou a Coreia do Sul, em plena segunda-feira (dia 5), os gastos em bares e em casas noturnas dispararam 138%. Já o varejo, que fecha mais cedo durante os dias de partidas, registrou um recuo de 12% considerando a média das últimas segundas-feiras.
Ainda no horário da partida contra a Coreia, os dados da Rede mostram um aumento de 112% dos gastos com bebidas na comparação com 6 de novembro, também uma segunda-feira.
Informações divulgadas pelo Jornal Extra, dão conta que na sexta-feira, quando o Brasil teve seu último jogo na fase de grupos, o setor de bebidas registrou avanço de 80,5% no faturamento, e os bares e casas noturnas tiveram crescimento de 67,7%, comparando com 3 de dezembro de 2021, também uma sexta.
No cenário geral do varejo, houve queda de 4,4% no faturamento na comparação com o ano passado, e redução de 17,3% considerando a média das sextas-feiras de novembro deste ano.
Considerando os gastos dos clientes nos bares de Manaus nos dias de jogos do Brasil, o presidente da Abrasel-AM, Rodrigo Zamperlini, afirmou que esse percentual de gastos está aumentando e o incremento deve confirmar as projeções levantadas em pesquisa recente, com resultados em torno de 30%. “Pode até chegar a 100% de um dia normal, dependendo do que o estabelecimento esteja fazendo para estimular esse consumo, como aumento do número de telas transmitindo os jogos, decoração temática e cardápio promocional de bebidas e petiscos”.
Ele reiterou que a entidade tem colhido relatos distintos, onde os jogos do Brasil com horário próximo ao do almoço não tem confirmado esse aumento expressivo e ainda causam uma queda expressiva nas casas especializadas em refeições nesse horário. “Ao contrário dos bares e casas de eventos que se preparam especificamente para esse momento de transmissão dos jogos, ou seja, as pessoas têm a opção de assistir aos jogos em casa e reunir famílias e amigos nesse ambiente e isso tem sido mais frequente do que esperávamos”, disse.
Tributação
No âmbito estadual, as empresas arcam com a tributação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para a comercialização de lanches e refeições. Já para as bebidas alcóolicas as alíquotas de ICMS variam de 18% a 29% –esses produtos são classificados como não essenciais, com percentuais que não são tão favorecidos, e possuem cobrança de substituição tributária por parte do fabricante.
Vale salientar ainda que, em alguns Estados, como Amazonas, Maranhão, Paraná e São Paulo, há benefícios fiscais para restaurantes e estabelecimentos similares, previstos em
convênios de âmbito nacional. Dessa forma, a carga tributária possui uma redução de 30% na base de cálculo do ICMS para o fornecimento de refeições, exceto o fornecimento de bebidas.
Outros números
O otimismo de representantes do segmento está alinhado com as estimativas da CNC (Confederação Nacional do Comércio) indicam faturamento de quase R$ 1,5 bilhão nesse período, uma alta de 8% (R$ 110 milhões a mais) na comparação com o montante apurado durante a Copa do Mundo de 2018. Já a ABV (Associação Brasileira do Varejo) e a FCDL (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado) preveem crescimento de até 12% nas vendas durante o campeonato mundial, o que injetaria mais de R$ 20 bilhões na economia nacional.
“Para alimentos e bebidas, o último trimestre é historicamente um momento importante para os resultados do ano e o incremento nas vendas. Diversas categorias se beneficiam tradicionalmente nesse período em virtude das celebrações nos lares e nas confraternizações em bares e restaurantes. A Copa do Mundo representará um impulso relevante para a continuidade e o incremento do consumo nacional”, afirma Maurício Godinho, sócio-líder do segmento de Alimentos e Bebidas da KPMG no Brasil.







