“No momento que o país vive temos que falar pouco e trabalhar muito”. Foi com essas palavras que o superintende da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus, Alfredo Menezes, apresentou a suas credenciais frente a gestão da autarquia, em entrevista concedida ao Jornal do Commercio.
Descontraído e bem a vontade em apresentar seu perfil pessoal, o oficial de engenharia destacou o novo momento vivido pelo país e reforçou que, a partir de agora, é preciso deixar as coisas que não deram certo na gestão passada para vislumbrar uma nova etapa de trabalho e ajustes na região.
Autointitulado cidadão brasileiro com o militarismo no DNA, o coronel deixou claro sua intenção de manter um diálogo aberto com a imprensa e a sociedade sobre desafios e problemas enfrentados pela autarquia e compartilhou a experiência vivida nos últimos dias em suas viagens antes de sua posse. Na ocasião, ele reforçou a importância de trabalhar em parceria com o executivo municipal e estadual a fim de apoiar o desenvolvimento econômico do Estado e o fortalecimento do modelo Zona Franca de Manaus.
Alfredo Menezes estudou na AMAN (Academia militar das Agulhas Negras), onde formou-se como oficial de engenharia. Ingressou na ESAO (Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais) a nível de mestrado em operações militares. Traz no currículo doutorado em ciências militares pelo ECEME (Escola de Comando e Estado maior do Exército ) e fez um curso especial de altos estudos de política e estratégia na ESG (Escola Superior de Guerra).
Jornal do Commercio – Quem é Alfredo Menezes?
Alfredo Menezes – Alfredo Menezes é amazonense nascido no bairro da cachoeirinha e criado no bairro da Alvorada II, lá na Avenida J. Um grande frequentador de feiras e oficial de engenharia do exército, que carrega no peito o orgulho de ser amazonense e não tem vergonha disso. Um cara simples que não vai mudar seu jeito ser. Estou sentado na cadeira da Suframa não querendo poder pelo poder, como outros queriam ter, mas estou sentado nela por uma questão de missão. É o que vamos fazer. Tive a oportunidade de representar o exército brasileiro em trabalhos de diversos organismo e missões internacionais e tive a oportunidade de trabalhar tanto na ONU (Organização das Nações Unidas) como na OEA (Organização dos Estados Americanos). Escrevi meu mestrado sobre a Amazônia, escrevi sobre logística no meu doutorado. Em resumo, nos últimos anos na minha carreira militar eu me dediquei plenamente à logística do exército na Amazônia. Tanto é que recebi a atribuição ou incubência do comandante do exercito para comandar a primeira unidade de logistica do exercito na Amazonia. Então, deixa eu te falar. Eu sou logístico! Outro ponto que quero destacar é que eu devo tudo para as Forças Armadas. Passei 30 anos no exército brasileiro cumprindo tudo aquilo que esperava e o exército me deu muito mais do que eu merecia, mas rendeu o fruto da. Quero deixar bem claro, e não leve isso para o lado mal, leve para o lado do bem, quando fiz 30 anos do serviço público, seu eu continuasse dentro do exército eu poderia 5 anos depois concorrer ao cargo de general, vou deixar claro que é concorrer, eu não disse que seria. Sempre fui um bom aluno e sempre fui muito dedicado. Mas, eu decidi de livre arbítrio diante do ofício partir para outros sonhos, então fui para iniciativa privada. Trabalhei na Rede Amazônica e na área financeira, cursei contabilidade em São Paulo, fiz pós-graduação em administração financeira e marketing executivo na Fundação Getúlio Vargas. E eu vou deixar bem claro, que eu não concluí nenhum desses cursos, porque faltando 6 meses para concluí meu curso eu era piloto do exército e passava mais tempo viajando e não consegui concluir, e o exército mandou eu passar um ano nos Estados Unidos. Então são coisas que quero deixar claro para depois não ter confusão (risos). Por último, dentro dessas informações fui chamado para trabalhar na área financeira onde fui diretor de um banco.
Jornal do Commercio – O que esperar de você frente à administração da Suframa?
Alfredo Menezes – Fui escolhido por questões técnicas e respeito o contraditório e isso é normal. Não quero que ninguém pense igual a mim, mas da minha parte vocês vão ter lealdade e respeito, a minha porta vai estar aberto e não falo isso por proselitismo, quem me conhece sabe disso. O nosso objetivo hoje é resgatar a importância da Suframa no cenário regional. o resgate dessa instituição, que por causa dela 99% da nossa floresta está de pé, e temos uma renúncia fiscal que é a única prevista na constituição e ela representa só 8% da renúncia do Estado brasileiro. Nós temos que manter esse modelo porque é daqui que sai o nosso salário e de todas pessoas que trabalham no Estado do Amazonas, Roraima, Rondônia, Acre e Amapá. E também em todo o Brasil, porque contribuímos decisivamente para economia de outros estados direto ou indiretamente. Sou amazônida e nacionalista e entendo bem a nossa realidade. Queremos ter uma locução direta com o nosso executivo, queremos nos utilizar do nosso legislativo, então não é momento de nos colocar um contra o outro. Sabemos que as semanas de trabalho que temos aqui depende de projeto de lei. Não dependemos somente da boa fé do superintendente e da qualidade do trabalho dos nossos colegas aqui, os funcionários. Se não tivermos o apoio do nossos políticos. Estamos aqui para valorizar esse vetor que nós temos.
Jornal do Commercio – Após sua posse quais foram as principais atividades desenvolvidas?
Alfredo Menezes – “Tudo o que eu conquistei ao longo da minha vida foi meritocracia e dedicação pessoal. Estou sentado nesta cadeira consciente dos desafios. Eu tenho uma missão e vou procurar cumprir essa missão porque sou um bom soldado e acato ordens. Na minha posse visitei o prefeito e o governador porque eles nos acolhem e temos que gestos de gentileza. Fui comprimentá-los para dizer que precisava deles e estava a disposição para resgatar o polo industrial de Manaus, trabalhando para criarmos mais condições – mas, trabalhando duro, não é trabalhando com discursos- trabalhando com brilho no olho e conclamando todos eles. Após isso vim para o eu segundo objetivo que foi colocar no auditório a maioria dos funcionários daqui da superintendência, para falar um pouco de quem eu era, para eles entenderem de onde eu vim, o meu DNA, porque eu fui escolhido e o que queremos construir juntos. Porque sem eles não vamos conseguir construir nada. Eu aprendi que liderança é inspirar pessoas a agir. Mas, a gente não inspira as pessoas a agirem pelas palavras, mas as inspiramos pelo exemplo. Então, não adianta eu querer que meu colega chegue aqui às 7h da manhãs se eu chego às 9h. Não adianta eu exigir dele aquilo que eu não consigo exigir de mim. Na conversa que eu tive com eles foi para me apresentar. Dito isso já conversei com os donos da casa. Já mostrei para os nossos funcionários a missão que o presidente me passou. Deixei claro o que queremos, é por aí que acho que temos que seguir, temos que criar uma sinergia positiva.
Jornal do Commercio – Como o estilo militar de gerenciamento pode contribuir na direção da Suframa?
Alfredo Menezes – O que o militar tem de bom? Gestão. Nós somos gestores. E o que é gestão? Eu posso sintetizar em duas palavras que chamam-se planejamento e fiscalização. Porque se não tiver planejamento tu não vai para lugar nenhum. Séneca falou no século IV antes de Cristo ‘Se um homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável’. Entendeu? E muitas vezes é assim que acontece. Então, nós militares somos rígidos com planejamento e gestão. E colocamos aí a probidade e austeridade dentro do serviço público. E é isso que vocês terão da nossa parte enquanto eu estiver sentado nessa cadeira (superintendência da Suframa). Tem gente às vezes que quer ocupar um determinado posto e não tem uma determinada qualificação, então, já deu para concluir que a mensagem que eu quero dizer é que eu fui escolhido por um caráter eminentemente técnico. Sou amazônida, estudei, escrevi sobre essa área, palmilhei passo a passo a região, conheço todos os pelotões de fronteira e vivo no interior.
Minha formação básica é de oficial de engenharia, e como vocês sabem, engenheiro constrói estradas. Todas essas estradas que foram construídas nessa Amazônia só existem graças a engenharia do exército brasileiro. Isso nós não podemos negar, não adianta, é graças essa visão e estratégia dos militares que no final da década de 60 viram que a região precisava alcançar ao planalto central e outras regiões para ter mais proximidade com outras regiões porque o nosso país tem características de um continente. Fruto disso houve essa visão de que poderia ser feito pela Amazônia, e foi criada a Suframa para diminuir as desigualdades regionais, e isso foi criado por um projeto militar. A transamazônica foi construída por militares, a BR-319 por militares. Então, eu tenho o viés da infraestrutura.
Jornal do Commercio – Você destacou na sua primeira coletiva que o Amazonas não se comunica bem com o restante do país. Como você explica isso e como pretende resolver essa falta de comunicação?
Alfredo Menezes – “Queremos mudar essa visão que o restante do país tem de nós. Ele nos enxergam como se fossemos opositores e um pouco diferente. Eu conversei com o presidente da Moto Honda South America e trocamos ideias nesse sentido. Vou dar um exemplo. Nós sabemos, e a imprensa pouco sabe disso, e isso é uma falha de comunicação e nós temos que fazer essa autocrítica. Relatórios de diversos institutos que estão aí no ano de 2017, que nós geramos em todo Brasil, mais de 700 mil empregos diretos e indiretos. Só no estado de São Paulo, geramos mais ou menos uma faixa de 250 mil (empregos). Sabe o que é isso? são insumos que o restante do país coloca aqui para os nossos produtos. Vou dar outro exemplo, 99% dos pneus que são utilizados nas nossas motocicletas no polo de duas rodas (que é fundamental para alavancar nossa economia), vem do estado do Rio Grande do Sul. E a gente não comunica isso ao camarada de Porto Alegre e ao atual governador. Ninguém sabe que o aço que utilizamos aqui é fabricado em Minas Gerais e ninguém comunica isso ao governador de lá. Vamos chegar com ele e dizer ‘Senhor governador, você sabia que muitos empregos que são gerados aí em seu estado são insumos usados lá da zona franca?’. Parece que somos de outro país. Então, já determinei para meu departamento de comunicação social para divulgar essas informações, porque precisamos entrar em contato com o restante do país para divulgar o nosso trabalho, e dizer numa linguagem muito simples, de que se o agronegócio vai bem na região centro-oeste no país é porque nossa floresta está de pé. E às vezes não sabemos comunicar porque ficamos discutindo coisas pequenas”.
Jornal do Commercio – Como pretende utilizar o Centro de Biotecnologia da Amazônia?
Alfredo Menezes – Verticalizar o nosso processo produtivo é um ponto. Dar modernidade a esse processo é o que todos nós desejamos. Vamos caminhar aqui na Suframa nessa direção. Sabemos que o CBA foi concedido lá no início com essa finalidade, por isso também que temos outro ponto que são as verbas de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), essas verbas e os incentivos desta lei. então, nós vamos combinar tudo isso e trabalhar nessa direção. Tenho conhecimento que o CBA está passando por um momento de formatação, não tenho muito dados sobre isso, mas a filosofia que temos é esta. O objetivo é de realmente produzir aparatos tecnológicos para que elas sejam usados para o crescimento e desenvolvimento do nosso polo industrial de Manaus.







