A disputa interna dentro do PT (Partido dos Trabalhadores) já começou e promete se acirrar até as convenções que definirão a situação do partido com relação à oficialização de candidatura própria ou do apoio a um nome de outra legenda para concorrer à prefeitura de Manaus em 2012. A largada foi dada pela corrente Mensagem, integrada pelo deputado federal Francisco Praciano e pelo deputado estadual José Ricardo Wendling, que rejeita qualquer aliança com o prefeito Amazonino Mendes (PDT) e o senador Eduardo Braga (PMDB).
Na outra vertente, a corrente Movimento, tendo à frente o deputado estadual Sinésio Campos, líder do governo do Estado na Assembleia Legislativa, que em nível nacional segue a corrente CNB (Construindo um Novo Brasil), cujas expressões são o ex-presidente Luiz Ignácio Lula da Silva e o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, afirma que a posição do PT com vistas às eleições de 2012 no Amazonas relevará decisão de base, aprovada por unanimidade, determinando o partido como integrante da base de apoio ao governo federal e proibindo alianças com o DEM, PPS e PSDB.
“Existe uma decisão tomada pelo PT que desfaz qualquer dúvida, o PT hoje faz parte da base do governo federal e, como tal, pode fazer alianças com os partidos dessa base”, assegura Sinésio, lembrando que o atual vice-presidente da República, Michel Temer, pertence ao PMDB e, portanto, é perfeitamente legal uma aliança petista com o partido de Temer, a que pertence o senador Eduardo Braga. “No Amazonas fazemos parte da base do governo Omar Aziz e o PMDB também é parte dessa base, reflexo de uma aliança nacional”, explica.
Na contramão de Sinésio, o deputado Francisco Praciano dispara ataques à aliança com o PMDB no Estado e não economiza críticas ao prefeito Amazonino Mendes. Pretenso candidato à prefeitura de Manaus, segundo declarações ao Jornal do Commercio em fins de junho, Praciano desabafa: “Quero evitar alianças com adversários que são diferentes, que falam diferente, que têm métodos diferentes de governar, nunca fiz nem vou fazer alianças com Eduardo Braga e Amazonino Mendes”.
Instituição ética
Membro da corrente Mensagem e confessando-se simpático à candidatura de Praciano à prefeitura, o deputado José Ricardo, crítico ao governo Omar Aziz e que por isso coleciona divergências com Sinésio Campos, na Aleam, classifica de “absurda” uma aliança, por exemplo, com o prefeito Amazonino. “O senhor Amazonino não realiza um bom governo, permite a corrupção e não admite a participação popular”, aponta o parlamentar.
Para José Ricardo e Praciano, o Partido dos Trabalhadores “é uma instituição ética” e não pode se aliançar com partidos políticos diferentes da sua linha de ação. “Segundo pesquisa, o PT ainda é o melhor partido da população brasileira, 29% das pessoas preferem o PT contra 8% do PMDB, a sociedade ainda reconhece o PT apesar de ali e acolá a gente deparar com um Zé Dirceu, um Delúbio Soares”, diz Praciano.







