Corte de vagas em abril, no PIM, deve ir a 15%

Em: 19 de março de 2009
A evolução da mão-de-obra do polo industrial ainda vai se ressentir por mais alguns meses da queda nos investimentos fabris, resultado da baixa confiança do empresariado em relação a possível aumento na demanda por produtos finais ainda neste semestre
A evolução da mão-de-obra do polo industrial ainda vai se ressentir por mais alguns meses da queda nos investimentos fabris, resultado da baixa confiança do empresariado em relação a possível aumento na demanda por produtos finais ainda neste semestre

A evolução da mão-de-obra do polo industrial ainda vai se ressentir por mais alguns meses da queda nos investimentos fabris, resultado da baixa confiança do empresariado em relação a possível aumento na demanda por produtos finais ainda neste semestre. Ao menos na opinião do presidente da Aficam (Associação das Indústrias e Empresas de Serviços do Amazonas), Cris­tóvão Marques Pinto, cuja análise do enxugamento de pelo menos 15% do quadro funcional da indústria é fato consumado já a partir de abril.
A informação nada agradável para o trabalhador ganha mais fundamento ao serem analisados os números da mão-de-obra divulgados pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus). Segundo a autarquia, o volume total de operários atingiu, em janeiro, perto de 94,54 mil contra 102,03 mil do mesmo período no ano passado. A perda de mão-de-obra atingiu, no início deste ano, mais de 7,34%. De outubro do ano passado, quando a crise explodiu no país, até janeiro, os dados do nível de emprego da indústria local apontam para uma demissão líquida (demissões menos contratações) expressiva nos principais centros do país.
Mesmo assim, Marques Pinto disse que o país, apesar de não estar imune, é uma das poucas instituições internacionais que ainda apresenta um quadro favorável para enfrentar a crise, sem maiores danos. O posicionamento do mercado amazonense, que tem se mostrado incerto em relação à crise desde novembro, na concepção do empresário, sofre de alguma forma os sintomas do efeito da turbulência financeira internacional com ação instantânea nas atividades do setor componentista e de bens de informática.
Segundo Marques Pinto, o setor de componentes encontra atualmente um mercado local desaquecido e, portanto sofre com a queda significativa de produtos, minimizando o fluxo de mercadorias e negócios com as empresas, principalmente do polo de duas rodas. “As empresas não podem produzir sem ter para quem vender e passam a reduzir sua capacidade produtiva de acordo com a demanda do mercado. Enquanto persistir essa baixa confiança de que haverá luz no fim do túnel, o enxugamento da máquina industrial, a partir do próximo mês, é inevitável no Amazonas”, considerou.
Para o empresário Wan­derley Martins, atuante no ramo da usinagem e ferramentaria de corte, o cenário amazonense dá sinais de fraqueza com as ondas de demissões entre os mais diversos segmentos, e consequentemente se reflete na redução da capacidade produtiva e no fluxo da demanda industrial.
“Tínhamos 170 funcionários, mas tivemos de reduzir o quadro para pouco mais de 80 em função da queda nos pedidos. Não temos como investir na empresa, se a demanda continua baixa. E nossa situação é confortável, se analisarmos o resto do setor, já que cerca de 27 médias empresas de ferramentaria fecharam as portas por falta de encomen­da”, revelou.

Liberação do crédito é alternativa a fomento

Já o empresário Job Cruz Pinho, atuante no setor de eletroeletrônico, prefere acreditar que a instabilidade do mercado consumidor pode ser revertida com a liberação mais facilitada de crédito bancário e redução dos tributos estaduais. “Esperamos ações mais contundentes do governo estadual para assegurar o crescimento da economia. Não dá para crescer, se não investirmos. Sem investimentos, como vamos contratar?”, questionou.
As palavras dos empresários ajudam a entender o volume de desemprego na indústria local. O corte de 7.490 vagas na indústria amazonense até janeiro, segundo dados da Suframa, pode ter sido resultante dessa desconfiança em relação ao futuro da crise.
Com relação à produção de bens de informática, cuja característica primordial é voltada para atividades de importação, o presidente da Aficam, Cristóvão Marques Pinto avaliou que o setor tem sido fortemente afetado pela valorização do dólar, encarecendo os internamentos. Com o aumento no custo de produção, disse o empresário, “é necessário o repasse aos consumidores que por sua vez optam por comprar a prazo, em função da crise, sem se importarem com os altos juros, ocasionando uma redução na procura de produtos de informática, que obriga o segmento produzir menos”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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