Com uma capacidade de moagem de 60 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, o grupo Cosan – o maior produtor mundial de açúcar – ainda não pretende parar de se expandir. Porém, agora, esta expansão deverá acontecer de forma mais direcionada, através da busca de eficiência, sinergia e diversificação. A informação é do atual vice-presidente de operações da Cosan S.A e agora também presidente da Cosan Açúcar e Álcool, Pedro Mizutani.
Segundo ele, a Cosan S.A. deverá estudar novas aquisições apenas em usinas cuja moagem superar os 5 milhões de toneladas ou em empresas que apresentar sinergias importantes com a gigante do setor sucroalcooleiro. “Não faz mais sentido crescer apenas por crescer. Não estamos interessados em usinas pequenas, com capacidade de moagem de 1 milhão, 2 milhões de toneladas, a não ser que a sinergia seja muito grande”, explicou. O executivo ressaltou que estas usinas menores apresentam uma defasagem tecnológica muito grande que iria atrapalhar o bom andamento da Cosan.
“Estas empresas geralmente não têm registro dos trabalhadores, não têm lavoura mecanizada e apresentam máquinas defasadas, o que gera um custo enorme de atualização”, disse. Dentro da própria Cosan, Mizutani cita o exemplo da usina de Jataí, em Goiás, a mais moderna do país. “Temos uma sala de controle operacional totalmente automatizada e precisamos de cerca de 200 pessoas para colocá-la em atividade”, disse. Já outra empresa do grupo, a Costa Pinto, que possui a mesma capacidade de moagem da Jataí precisa de 700 pessoas para operá-la. “Veja bem. E são empresas com uma defasagem tecnológica pequena. Imagine incorporar uma empresa pequena se não houver sinergia. Seria um passo para trás”, afirmou.
Há 30 anos na Cosan e recém-empossado no cargo de presidente da Cosan Açúcar e Álcool, Mizutani informou que até o final do ano a Cosan S.A. deverá terminar a formalização de sua holding, dando sequência ao programa de profissionalização da gigante do setor sucroalcooleiro. O objetivo da criação da holding é permitir que as empresas que existem hoje dentro da Cosan possam atrair investidores específicos. “Se uma empresa quiser investir em logística e não em açúcar e álcool ela poderá investir na Rumo Logística diretamente e não na Cosan Açúcar e Álcool”, disse Mizutani. A Cosan Açúcar e Álcool é a empresa que, embaixo do guarda-chuva da Cosan, cuida da produção de açúcar, etanol e bioenergia a partir de cogeração de cana.
Mizutani informou que dentro do novo desenho organizacional que está em estudo, a holding Cosan abarcará as empresas já existentes Cosan Açúcar e Álcool, Rumo Logística, Radar Propriedades Agrícolas, CCL (Cosan Combustíveis e Lubrificantes) e outra, em estudo, que concentrará o varejo de açúcar, a Cosan Alimentos. Segundo ele, a primeira empresa a buscar investidores externos será a Rumo Logística. “O road show já foi realizado para buscar investidores e os interessados já estão fazendo o due diligence”, explicou.
O executivo ressaltou que o objetivo da Cosan é buscar investidores sem, contudo, deixar de ter o controle da operação. “Buscamos investidores que queiram ter menos de 50% de participação. Se quiser ter mais, queremos ter a gestão do negócio, como já acontece com a Radar, onde a Cosan tem apenas 20% das ações mas controla a gestão”, explica. Mizutani também informou que os recursos a serem captados serão utilizados em novos investimentos e não no abatimento de dívidas. “As dívidas da Cosan já estão organizadas e não precisam de novos aportes”, disse.
No novo organograma, Pedro Mizutani continua na vice-presidência operacional e acumula a presidência da Cosan Açúcar e Álcool (incluindo bioenergia). Na presidência da CCL, segue Leonardo Gadotti. Júlio Fontana Neto continua na presidência da Rumo Logística, cuidando também da participação de 26% que a Cosan possui na Uniduto, o alcoolduto que deve ser construído para escoar o etanol produzido no interior do país para o porto de Santos. A Radar Propriedades Agrícolas tem Ricardo Mussa no comando.
O executivo também acredita que o Brasil continua apresentando as melhores oportunidades de investimento para produção de açúcar e etanol. “Nesse momento não vejo oportunidades para a Cosan investir no exterior”, disse. Ele afirmou que existiu a possibilidade de a Cosan investir em refinarias no exterior, mas que este projeto está adiado em função dos preços mais baixos do refinado neste momento.
A Cosan não participará do próximo leilão de energia A-5, marcado para o próximo dia 17 de dezembro, de acordo com Mizutiani. Segundo ele, os preços que estão sendo oferecidos pela energia neste momento não justificam fazer novos investimentos em cogeração. “Neste momento estamos investindo na produção de energia que já foi vendida em leilões anteriores”, explicou.
Cosan busca eficiência, sinergia e diversificação em expansão da cana
Em: 20 de outubro de 2009
Com uma capacidade de moagem de 60 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, o grupo Cosan – o maior produtor mundial de açúcar – ainda não pretende parar de se expandir
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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