CPI quer explicação de juiz sobre não envio dos documentos da PF

Em: 5 de agosto de 2008
O objetivo da comissão de inquérito é fazer investigação sobre a milícia (Guarda Municipal), exploração sexual e pedofilia, mas a corrupção também será tratada.
O objetivo da comissão de inquérito é fazer investigação sobre a milícia (Guarda Municipal), exploração sexual e pedofilia, mas a corrupção também será tratada.

A Comissão Parlamentar de Inquérito criada para investigar denúncias contra a Prefeitura de Coari (a 363 quilômetros de Manaus) deverá se encontrar, ainda esta semana, com o juiz Márcio Luiz Coelho de Freitas, da 2ª Vara do Tribunal Regional da 1ª Região. Ontem pela manhã, os cinco deputados da CPI tiveram a primeira reunião depois do recesso de julho. Além deles, os deputados Liberman Moreno (PHS) e Luiz Castro (PPS) participaram da reunião.
A decisão de ter um encontro com o juiz foi motivada pelo fato de que a Justiça Federal ainda não encaminhou o relatório da Operação Vorax, da Polícia Federal, conforme solicitado pela CPI. De acordo com a assessoria da comissão, os integrantes da CPI querem explicações sobre o não envio do documento e quais as implicações no andamento do trabalho, uma vez que o caso está em segredo de Justiça.
De qualquer forma, os deputados da CPI concordaram que o ex-chefe da milícia de Coari, e o atual, serão convocados. O objetivo da comissão de inquérito é fazer investigação sobre a milícia (Guarda Municipal), exploração sexual e pedofilia, mas a corrupção também será tratada. Arthur Bisneto (PSDB), membro da comissão, fez a sugestão (aceita) de que se investigue a origem do dinheiro que pagava as milícias e a prostituição no município, que teve envolvimento direto do prefeito Adail Pinheiro, conforme transcrições telefônicas feitas pela Polícia Federal na Operação Vorax, no dia 20 de maio. Afinal, prostituição não sai de graça e é preciso saber de onde vinha o dinheiro para bancar toda a orgia, argumentou Bisneto.
Sobre as milícias, o comandante da Polícia Militar do Amazonas, coronel Dan Câmara, também poderá ser convocado. É que toda autoridade policial nos municípios pertence à Polícia Militar. A Guarda Municipal exerce atividades limitadas, como a proteção dos prédios públicos, praças e escolas. O deputado Luiz Castro sugeriu investigação sobre os guardas municipais de Coari, para verificar se eles têm autorização para portar armas. E também averiguar a situação das pessoas ou das famílias que sofreram violência das milícias.
Quando ao caso de exploração sexual, a CPI também poderá convocar os responsáveis pela agência de modelos que contratava jovens (que eram chamadas de jornalistas) para eventos em Coari. A relação de nomes das pessoas contratadas para esses eventos poderão ser requisitadas, segundo a assessoria da comissão.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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