Mais de 10 mil projetos de acesso ao crédito para produtores agropecuários já estão em análise no Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas). A iniciativa representa um dos programas de estímulo aos trabalhadores rurais que foram prejudicados durante a enchente dos rios no primeiro semestre de 2012.
De acordo com o presidente do instituto, Edimar Vizolli, a expectativa é que outros 12 mil projetos também possam ser aprovados até o final deste ano. “O governo tem criado estratégias para que o produtor possa repor aquilo que perdeu”, destaca. A quantia de R$ 27 milhões já foi contratada e mais de R$ 73 milhões em investimentos devem ser liberados até o final da primeira quinzena de outubro. Baseado em dados cedidos pelo Idam, o total investido no Amazonas pode ultrapassar R$ 200 milhões ainda em 2012.
Segundo o presidente da Faea (Federação da Agricultura do Estado do Amazonas), Muni Lourenço, os recursos disponibilizados são imprescindíveis para minimizar os prejuízos. “Agricultores e pecuaristas precisam se preparar para as próximas safras e se não houve produção, não houve venda nem lucros para serem aplicados novamente”, diz.
As grandes distâncias e o difícil acesso às comunidades são considerados os principais obstáculos. Portanto, o representante do Idam adianta que o interior do Estado será tão contemplado quanto os municípios localizados mais próximos à capital amazonense.
Apenas dois dos 55 municípios afetados pela cheia não foram beneficiados com os créditos especiais: São Sebastião do Uatumã e Pauini. “O compromisso é proporcionar melhorias a todos os que estiverem comprometidos em avançar e estejam dentro das normas de legalidade”, frisa Vizolli. Sobre as cidades citadas, Edimar Vizolli destaca que outros programas os atenderão.
Linha de crédito
A margem de financiamento começa em R$ 12 mil para agricultores familiares, com taxa de juros de 1% ao ano e prazo de dez anos. No caso dos agricultores não familiares, o limite é de R$ 100 mil, a alíquota salta para 3,5% ao ano e o prazo cai para oito anos. Em ambos os casos, a carência é de até três anos. Para as demais atividades (comércio, prestação de serviços e setores da indústria), o limite permanece em até R$ 100 mil com 3,5% de juros ao ano e prazo de cinco anos, tendo um ano de carência.
Apesar do alto investimento governamental, o acesso ainda é restrito. Algumas regras para os produtores rurais têm impedido a aprovação da liberação do crédito. Entre elas, “o produtor não pode ter passivo ambiental mesmo tendo sido atingido pela enchente, ou estar ilegalmente na terra, por exemplo”, explica o titular da Faea.







