Cresce o otimismo dos empresários da indústria

Em: 27 de abril de 2012
Representantes estão confiantes nas medidas anunciadas no início do mês pelo governo federal
Representantes estão confiantes nas medidas anunciadas no início do mês pelo governo federal

Os empresários do setor da indústria de transformação estão mais confiantes na possibilidade de fazerem bons negócios após as medidas de incentivo anunciadas no início deste mês pelo governo federal, indica a pesquisa mensal Sondagem da Indústria de Transformação, feita pelo Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV (Fundação Getulio Vargas).
Entre as ações anunciadas pelo governo estão a desoneração da folha de pagamento e do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para alguns setores, entre os quais os fabricantes de geladeiras, fogões e outros bens da chamada linha branca, os de móveis e os de luminárias. Segundo o levantamento da FGV, o ICI (Índice de Confiança da Indústria), aumentou 0,3%, passando de 103 em março para 103,3 pontos em abril.
É a quinta elevação consecutiva, mas, de acordo com a FGV, os percentuais de alta ainda são modestos. Em março, a taxa havia apresentado variação de 0,5%; em fevereiro, de 0,2%; e em janeiro, de 0,5%.
O ISA (Índice da Situação Atual) teve leve alta (0,2%) ao atingir 104 pontos, ante 103,8, o patamar mais elevado desde julho de 2011 (107,4 pontos). Já o IE (Índice de Expectativas) alcançou a maior pontuação dos últimos nove meses, ao passar de 102,5 para 102,6 pontos.
Para esses cálculos, foram ouvidos representantes de 1.147 empresas. Mais da metade (52,3%) manifestaram a expectativa de uma melhora nos negócios no período de abril a setembro, o que indica um aumento em relação ao resultado de março (44%). Para 8,2% dos entrevistados, haverá uma piora, o que representa também uma elevação do universo de pessimistas, que na pesquisa anterior chegava a 6%.
Também foi constatado leve aumento no Nuci (Nível de Utilização da Capacidade Instalada), que subiu de 83,8% em março para 83,9% em abril, o maior patamar desde julho de 2011 (84,1%).

Recuperação à vista

A valorização do dólar, a redução do juro básico e dos spreads bancários e o fim da guerra dos portos não serão suficientes para estimular a recuperação da indústria antes do segundo semestre. Na opinião do diretor do Depecon (Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos) da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Francini, o governo precisará fazer mais para tirar a indústria de transformação da “UTI” ainda nesta primeira metade do ano.
Segundo ele, todas as iniciativas recentes do governo estão na direção certa, mas levam tempo para gerar o efeito desejado de reanimar a atividade industrial. Para reaquecer a produção no curto prazo, Francini avalia que teria sido mais eficiente uma desoneração da folha de pagamentos mais ambiciosa que a prevista no plano Brasil Maior. “Deveria ser mais ampla e mais forte”, afirma.
A federação previu que o INA (Indicador do Nível Atividade) da indústria paulista deve fechar o ano em 0%, na melhor das hipóteses, tendo em vista os resultados acumulados até agora, de queda de 6,1% no primeiro trimestre deste ano ante o mesmo período de 2011. No mês de março, o indicador caiu 0,5% em termos ajustados sazonalmente, decepcionando a entidade, que previa a continuidade da recuperação observada em fevereiro (de 1,8% após revisão).
Para o PIB, a Fiesp espera um crescimento no primeiro trimestre deste ano de 0,7% na comparação com o último trimestre de 2011. Para ano de 2012, a entidade estima uma expansão de 2,6% do PIB na comparação com o ano anterior. Segundo Francini, a indústria de transformação dará uma contribuição nula para o PIB nacional neste ano. Já a indústria como um todo deve apontar um crescimento de 1,4% na comparação com 2011.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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