
Reportagem: Marco Dassori
Twitter: @marco.dassori
O PIM interrompeu uma sequência de três meses de queda mensal de faturamento, e reagiu em julho. As vendas em dólares subiram 9,09%, de US$ 2.53 bilhões para US$ 2.76 bilhão em relação a junho – que teve a mesma quantidade de dias úteis. O resultado também foi 4,15% maior do que o de 12 meses atrás (US$ 2.65 bilhão). Convertido em reais (R$ 14,31 bilhões), os acréscimos respectivos foram de 8% e 5,37%. Em sete meses, a alta em moeda americana (US$ 19.27 bilhões) foi de 16,86%, sendo acompanhada por uma elevação de 9,97% na divisa nacional (R$ 96,65 bilhões).
Mas, os subsetores mais fortes do PIM voltaram a seguir em direções opostas no acumulado do ano. Bens de informática e duas rodas consolidaram expansão, mas eletroeletrônicos recuaram de novo. Com isso, os resultados do acumulado ficaram ainda mais distantes da projeção inicial do setor, de crescer 35% em 2022. Os números são dos Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus, e foram divulgados pela Suframa, nesta sexta (7). A mesma base de dados informa, por outro lado, mais uma aceleração nos empregos que, desta vez, romperam a barreira das 108 mil vagas.
Na análise em dólares, 21 dos 26 subsetores listados pela Suframa fecharam o acumulado de janeiro a julho no azul, a mesma quantidade contabilizada no levantamento anterior. A maior alta proporcional se deu no polo de brinquedos (+57,41%), que somou US$ 31.65 milhões. Foi seguido pelos segmentos de “diversos” (+45,74% e US$ 50.69 milhões) e de beneficiamento de borracha (+41,55% e US$ 72.51 milhões). O tombo mais significativo veio novamente do subsetor de couros e similares (-36,65% e US$ 4.85 milhões).
Majoritárias e responsáveis por praticamente metade do faturamento total do PIM, as divisões de bens de informática e eletroeletrônicos voltaram a ficar em extremos opostos, em termos de faturamento. A primeira emendou o sexto mês de liderança em termos de participação, respondendo por uma fatia de 31,97% e alta de 36,38% em sete meses (US$ 6.16 bilhões). A segunda correspondeu à pouco mais da metade desse share (16,55%), ao ver suas vendas encolherem 9,68% (US$ 3.19 bilhões). O subsetor respondeu por 14,63% do total (US$ 2.82 bilhões) e avançou 37,33%. Foi seguido por “outros” (11%), termoplásticos (9,10%), químico (8,64%) e metalúrgico (8,10%) – todos com crescimento de vendas, no acumulado do ano.
Entre os principais produtos do PIM, os telefones celulares voltaram a ganhar destaque, com 9.179.420 unidades fabricadas e incremento de 16,84% ante igual intervalo de 2021. A lista inclui também motocicletas, motonetas e ciclomotos (+15,17% e 784.558), unidades evaporadoras para split system (+122,74% e 204.297) e unidades condensadoras para split system (+97,81% e 118.352) e tablets (+10,97% e 1.246.544).
Tradicionais carros-chefes do Polo, entretanto, foram na direção oposta, a exemplo das TVs com tela LCD (-15,28% e 5.272.561) – apesar de o ano ser de Copa. Bicicletas (-12,33% e 385.495), relógios (-7,29% e 3.866.383) e condicionadores de ar split system (-43,84% e 1.924.944) também pontuaram queda, assim como microcomputadores portáteis (-35,14% e 344.785) e artigos e equipamentos de fitness (-43,02% e 26.064).
Mais empregos
Os empregos do PIM seguiram acima da marca dos 100 mil, sendo que o contingente acelerou novamente, para atingir o segundo melhor número do ano. A média obtida em julho foi de 108.769 vagas, entre trabalhadores efetivos, temporários e terceirizados. Ficou 1% acima do dado de junho (107.690). A comparação com o mesmo mês do ano passado (105.591) – período em que a economia ainda sofria mais impactos da pandemia – mostrou acréscimo de 3,01%.
A média mensal de mão obra do Polo Industrial de Manaus ao longo dos sete meses iniciais deste ano foi de 107.500 postos de trabalho, o que equivale a uma elevação de 1,60% ante o “ano cheio” de 2021 (105.810). O resultado aparece como o melhor número da série histórica fornecida da Suframa, desde 2015 (105.015). Os maiores índices de crescimento de empregos no levantamento parcial do ano veio dos segmentos termoplástico (+85,53%), relojoeiro (+31,53%), editorial e gráfico (+28,73%) e químico (+20,63%). Apenas os polos ótico (-9,80%) e mecânico (3,36%) recuaram.
Levando em conta só a mão de obra efetiva, o saldo no aglutinado até julho deste ano já retornou ao campo positivo, após cinco meses com mais demissões do que admissões. Foram criadas 268 vagas, dado o predomínio das contratações (17.917) sobre os desligamentos (17.649). Ainda assim, segue como o pior resultado da série histórica fornecida pela Suframa, desde 2018 (-1.310), ficando aquém do registro de 2017 (+354). Em divulgações anteriores, a autarquia informou que as ocupações diretas costumam representar mais de 80% da mão de obra da indústria amazonense, em média.
Em virtude das limitações de divulgação impostas pela legislação eleitoral, o titular da Suframa, Algacir Polsin, não se pronunciou no texto distribuído pela sua assessoria de imprensa da autarquia.
Motocicletas x televisores
Diante dos números de julho, o presidente a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), Marcos Fermanian, salientou, em texto distribuído pela assessoria de imprensa da entidade, que as fabricantes de motocicletas do PIM realizaram “grande esforço de produção” para atender a demanda do mercado e diminuir as filas de espera nas concessionárias, apesar das férias coletivas de junho e julho – e das paradas eventuais por falta de partes e peças.
Em comunicado de imprensa mais recente, Marcos Fermanian, enfatiza que o consumidor brasileiro vem optando cada vez mais pelas motocicletas, e que o produto mostra o diferencial de não apenas ser um bem de consumo, mas também uma ferramenta de trabalho – para os serviços de delivery. E garante que, diante dessa nova realidade, o subsetor motorizado de duas rodas do PIM manteve está conseguindo manter ritmo forte de produção. “As fabricantes seguem operando conforme o planejado. Em agosto, tivemos um mês cheio de produção, que deverá refletir nas vendas no varejo em setembro”, declarou.
A situação é oposta no polo eletroeletrônico. Com estoques cheios, o varejo segurou as compras de TVs da indústria, diante da inflação e da escalada dos jurosd. A Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos) aponta que as vendas de TV já haviam caído de 5,4 milhões para 4,5 milhões, no primeiro semestre. Mas, em entrevista concedida ao jornal “O Globo”, o presidente da entidade José Jorge do Nascimento Júnior, se mostrou otimista diante da chegada da Copa e do 5G. “Isso reflete o desemprego elevado, perda de poder aquisitivo e pressão inflacionária. Mas, a entrada do Auxílio Brasil ajuda as pessoas a pagarem dívidas. Em novembro e dezembro, a população pode voltar a fazer compras”, concluiu.






