Crescimento no semestre é de 25,46%

Em: 24 de julho de 2008
Enquanto o TUP Chibatão obteve o maior volume de embarque e desembarque de contêineres, os Superterminais conseguiram crescimento de 25, 01% no período
Enquanto o TUP Chibatão obteve o maior volume de embarque e desembarque de contêineres, os Superterminais conseguiram crescimento de 25, 01% no período

Os ventos estão soprando a favor da economia portuária de Manaus. Com o crescimento de 25,46% na movimentação de cargas industriais por unidade de contêiner durante o primeiro semestre, os portos e terminais de uso privativo da capital fecharam com um volume de 152,79 mil TEUs, superando os 135,18 mil TEUs do mesmo período no ano passado.
Principal via de acesso das importações do pólo industrial, o modal marítimo/fluvial da região consolidou ainda a entrada de US$ 3.75 bilhões FOB (Free On Board) no acumulado de janeiro a junho, crescimento de 51,76% sobre o volume das importações de igual período do ano passado, encerrado com pouco mais de US$ US$ 2.47 bilhões FOB.
Se, por um lado, o TUP Chibatão obteve o maior volume de embarque e desembarque de contêineres do semestre (82.660 TEUs), de outro os Superterminais conseguiram o maior percentual de crescimento dos negócios durante o período (25,01%). Uma concorrência que será ainda mais aquecida com a chegada de novos armadores no Estado e a promessa de negócios na ordem de R$ 10 milhões por mês.

Despachos aduaneiros

Dados divulgados simultaneamente pela SNPH (Superintendência de Navegação, Portos e Hidrovias do Amazonas) e pela Alfândega da Receita Federal, na última quarta-feira, apontam que, durante o período observado, o número de despachos aduaneiros correspondentes à economia dos importados saltou dos 42.108, no ano passado, para 44.797 no acumulado atual, crescimento de 6,39% no período.

Manaus é ponto estratégico para navegação

No contexto do diretor-técnico do TUP Chibatão, José Luiz Batista, o claro interesse das grandes empresas de navegação em atuar na cidade, como a Log-In, da qual a Companhia Vale do Rio Doce é acionista, mostra que Manaus é local estratégico para ampliação dos negócios de cabotagem. Com os investimentos previstos para o ano praticamente encerrados na ordem de US$ 14,8 milhões, o executivo revelou que o Chibatão vai ampliar sua capacidade operacional em 2.000 unidades de contêineres por mês com o início das atracações da Log-In na capital. “Neste segundo semestre, vamos completar os investimentos com a aquisição de um guindaste sobre rodas para 250 toneladas, cujo valor estimado é de US$ 3 milhões. O problema é que, com o aquecimento da indústria naval em todo o país, o prazo de entrega de equipamentos como esse é de dois anos”, asseverou.
Na análise da inspetora-chefe da Alfândega, Maria Elízia Andrade, o movimento de mercadorias do exterior pelo modal marítimo/fluvial durante o primeiro semestre tem apresentado crescimento significativo em relação ao do ano passado, devido à expansão da atividade econômica e valorização do real frente à moeda americana. Segundo a dirigente, como a maioria das importações é de insumos industriais, os resultados dos TUPs refletem o bom momento da produção das indústrias do Amazonas.
Indagada sobre capacidade do Estado de absorver a demanda de mercadorias por meio fluvial, Maria Elízia disse que o perfil do Porto Chibatão, operando predominantemente com mercadorias de cabotagem (procedentes do restante do país) e os Superterminais no ranking das operações com o exterior (importação e exportação), por enquanto são suficientes para atender as necessidades do PIM (Pólo Industrial de Manaus). “Mas as condições ainda estão longe do ideal, apesar das melhorias apresentadas nos últimos três anos. Todavia, é necessário ressaltar que a Receita Federal tem feito avaliações dos recintos alfandegados em itens como segurança, controles informatizados e infra-estrutura (física, equipamentos, sistemas, pessoal qualificado). Manaus precisa de um recinto portuário público, em condições de atender à demanda local com melhor qualidade na prestação dos serviços, de maneira a concorrer com os já existentes no setor”, analisou.
Mas o Professor de engenharia econômica da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) e consultor em logística, Sérgio Cardoso, foi mais incisivo, ao afirmar que é justamente o crescimento da produção industrial o fator que pode resultar em estrangulamento da capacidade operacional dos portos locais. O especialista ressaltou que Manaus vive o grave dilema do aumento gradual do volume de produção fabril que exige celeridade no escoamento para o mercado interno, mas conta com a falta de investimentos das esferas do poder público na criação de novos terminais portuários.
Aumento da movimentação portuária rima com crescimento de arrecadação alfandegária, que em Manaus apresentou um acréscimo de 76,60%, nos seis primeiros meses deste ano no comparado a igual período do ano passado, ou seja, para os cofres da União seguiram R$ 435,51 milhões em impostos frente aos R$ 246,62 milhões observados no ano passado. Segundo Maria Elízia, esse aumento significativo se deve ao incremento de importações com recolhimento integral de tributos do comércio exterior, como o II (imposto de importação) e o IPI (imposto sobre produtos industrializados). Ou seja, o II apresentou aumento de 49,03% e o IPI de 141,93%. “Esse impacto foi promovido por uma empresa do setor de telefonia celular, que testa o mercado nacional com modelos mais sofisticados à proporção que negocia com o governo a implantação de linhas para fabricação dos referidos aparelhos”, finalizou Maria Elízia.
O volume relevante na pauta das importações, segundo a Unidade de Despacho da Alfândega, foram os insumos para os setores da indústria de celulares, eletroeletrônicos, duas rodas, oriundos dos países asiáticos e Estados Unidos. Já as exportações, cujos destaques foram as motocicletas, preparações alimentícias e televisores, registraram decréscimo de 6,40% no volume de despachos, saindo de 2.704 declarações (2007) contra 2.531 declarações neste ano.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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