Crescimento tímido no mercado cervejeiro amazonense

Em: 14 de julho de 2023

O Amazonas ainda é o menos representativo em quantidade de estabelecimentos no mercado de cervejas. É a unidade federativa com menor densidade cervejeira, apresentando um negócio para cada 853.999 habitantes, segundo dados do Anuário da Cerveja 2022, divulgado pelo Mapa (Ministério de Agricultura). O estado ocupa a 23ª posição no ranking de estabelecimentos registrados por Unidade da Federação, com cinco cervejarias. 

Embora o levantamento aponte que o estado apresentou crescimento de 20% no número de estabelecimentos registrados em comparação a 2021, com a abertura de uma cervejaria, ainda patina dentro desse mercado. Ao todo, a região Norte conta com 2,1% das cervejarias registradas no país, com um total de 36 estabelecimentos registrados.

Em Manaus, são quatro cervejarias atuantes, cervejaria Mahy, cervejaria do Batuta  cervejaria Rio Negro e Sarapó, em Novo AIrão,  todas com locais proprios. 

“Quando se compara a região Norte, principalmente o Amazonas com outras regiões, em relação a cerveja artesanal é algo absurdo em relação a este disparate.  Ainda há uma resistência muito grande. A logística, os insumos, acabam atrapalhando e dificultando  esse processo aqui na região. Estamos avançando nos últimos cinco anos. Hoje, as pessoas já tem uma ideia do que é uma cerveja especial, artesanal dos benefícios e suas qualidades, o que é melhor, da diversidade artesanal o que já é um mérito”, comentou a especialista em beer sommelier, Igelvanis de Sousa que atuo no mercado fazendo jantares harmonizados de cervejas artesanais.

Os dados, referentes ao ano de 2022, mostram que o setor cervejeiro cresceu 11,6%, com a abertura de 180 novos estabelecimentos. Ao todo, o Brasil registra 1.729 cervejarias.

O presidente executivo do Sindicerv (Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja), Márcio Maciel, afirmou que a cadeia produtiva da cerveja contribui com mais de 2 milhões de empregos diretos, indiretos e induzidos e geração de 2% do Produto Interno Bruto Nacional. Para cada emprego em uma cervejaria são criados 34 novos postos de trabalho em toda a cadeia produtiva, segundo estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas) para o Sindicerv. Apesar da contramão dos números no setor amazonense em relação ao mercado nacional, ele acredita que o segmento no Estado tem tudo para deslanchar em relação a demanda de novos negócios e investimentos.  “Em números, são mais de  R$ 27 bilhões em salários e R$ 49,6 bilhões (base 2022) de tributos por ano, sendo o setor,  um dos principais colaboradores para o crescimento do Brasil. Acreditamos no potencial da região Norte e no estado do Amazonas e na possibilidade de novas cervejarias se instalarem no mercado local”. 

Em entrevista anterior sobre o mercado cervejeiro local, empresários destacaram que alguns gargalos frearam o crescimento da indústria cervejas artesanais. Entre os entraves estavam o aumento do dólar, a alta nos valores dos insumos e ainda a escassez no frete.“O nosso lucro em constante queda, atrelado à inflação da energia elétrica e os custos dos insumos fizeram encarecer os nossos gastos. Nem repassamos aos bares e restaurantes”, disse o empresário, Bruno Cesar da Silva, em entrevista ao Jornal do Commercio ano passado. 

À época, Bruno descrevia o cenário, e na ocasião, citou que embora vários players que fazem parte da cadeia dos pequenos negócios de cerveja artesanal aumentaram as suas vendas, muitos não suportaram a crise e fecharam as portas em definitivo. “Nos meus pontos de vendas com foco em chopp cresceu em 30%, mas na fábrica houve queda de 10% na produção. A gente tinha mais de cem pontos pequenos instalados e agora estamos com a metade disso. A indústria está com a venda abaixo do que tínhamos em 2019. No varejo estamos com venda bem maior”, relatava. 

Embora as cervejarias artesanais representem apenas cerca de 3% do mercado, elas são responsáveis por 97% de todas as fábricas. Sua presença nos municípios contribui para o desenvolvimento de uma cadeia de valor que envolve bares especializados, qualificação da mão de obra, uso de insumos locais, criação de rotas turísticas e arrecadação de impostos.

Cervejas registradas

O Amazonas possui também um total de 68 cervejas registradas, representando 13,6% de produtos registrados por estabelecimento. Em 2021, o estado tinha apenas 62 cervejas oficiais.

O Brasil conta com 54.727 mil marcas de cervejas registradas. São Paulo é o estado com maior número de marcas.

Exportação de cerveja nacional

A exportação de cervejas do Brasil apresentou uma redução, em comparação ao mesmo período de 2021. Ano passado, o Paraguai, principal destino da cerveja brasileira exportada, recebeu 62,3% de tudo o que foi enviado ao exterior. Em 2021, o país consumiu 65,6% das cervejas brasileiras vendidas no mercado internacional.

O setor cervejeiro no Brasil teve um crescimento significativo. Foram inauguradas 180 novas fábricas no país, um aumento de 11,6% em relação a 2021. Além disso, 722 municípios (13% do total) agora possuem suas próprias cervejarias.

O relatório destaca o crescimento estável das micro, pequenas e médias cervejarias, mostrando a maturidade e o poder empreendedor dos cervejeiros artesanais. A indústria também acelerou o registro de novos produtos, com um aumento de 19,8% em comparação com o ano anterior. Isso resultou no lançamento de 7.090 novas cervejas, totalizando 42.831 produtos registrados e 54.727 marcas comerciais diferentes no Brasil.

O número de municípios com pelo menos uma cervejaria também aumentou e agora um a cada oito municípios brasileiros possuem pelo menos uma cervejaria registrada. Isso quer dizer que são 722 municípios brasileiros com pelo menos uma cervejaria, o que representa um aumento da dispersão em 7,4% se comparado a 2021, quando havia ao menos uma cervejaria em 672 municípios brasileiros.

O Acre, Amapá e Roraima seguem sendo as únicas unidades federativas que possuem apenas um município com presença de cervejaria.

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destacou a importância do setor cervejeiro para a economia nacional. “O setor é muito relevante, e os números apresentados aqui hoje mostram isso. O Mapa está aberto para que possamos continuar tendo números impressionantes”, disse.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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