Criador da Magnum é o industrial do ano pela Fieam e pelo Cieam

Em: 18 de maio de 2019
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Eleito Industrial do Ano, o empresário Roberto Graziano, dono da Magnum Indústria da Amazônia S/A e da MG Gold Indústria da Amazônia Ltda, será agraciado com o diploma do Mérito Industrial 2019, concedido em conjunto pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM) e pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM). Na cerimônia, que será realizada na próxima sexta-feira, dia 24, às 20h, no SESI Clube do Trabalhador, o empresário Schubert Pinto, da Pharmakos D’Amazônia, receberá o título de Microindustrial Destaque do Ano.

Às vésperas de completar 30 anos no Polo Industrial de Manaus (PIM), no ano que vem, Roberto Graziano, aos 53 anos, é exemplo de trajetória bem-sucedida não apenas no polo relojoeiro, onde a Magnum é líder, mas também na produção de joias. Como acionista majoritário e presidente do conselho de administração do Magnum Group, Graziano vê a indicação do seu nome para Industrial do Ano 2019 como reconhecimento pela história que construiu no PIM. E diz que o segredo do sucesso em qualquer campo é a persistência.

Filho de imigrantes italianos que fizeram a vida em São Paulo (SP), Roberto seguiu a tradição do pai, no ramo dos relógios, e montou seu próprio negócio na capital paulista, antes de criar o primeiro Magnum e perceber que se quisesse ser competitivo como fabricante no Brasil teria que se instalar na Zona Franca de Manaus. Assim, em 1990, nasceu a Magnum Indústria da Amazônia S/A que, em menos de dez anos conquistou o mercado com lançamentos inovadores, como as linhas Yankee Street, que vendeu 1 milhão de unidades em dez meses, a Magnum Steel e a Magnum Submariner. Nesse meio tempo, o grupo adquire as marcas Champion e Cosmos, e entra para o ramo das joias com a fundação, em 1998, da MG Gold Indústria da Amazônia Ltda.

“Comecei terceirizando para alguns fabricantes locais até criar um volume que comportasse uma produção industrial. Manaus é bom para quem tem volume de produção”, diz Graziano. Hoje, a Magnum é a maior fábrica de relógios da América Latina, com uma capacidade de produção na casa dos 10 milhões de relógios por ano. “Mesmo que o polo hoje venda menos relógio que nos anos 90, não digo que tivemos dias melhores, porque o negócio foi agregando valor. Hoje o faturamento é melhor do que no passado, mas o número de unidades diminuiu”, diz. Atualmente, a produção da fábrica está em torno de 2 milhões de relógios por ano, dos quais 70% são da marca Champion.

A diversificação dos negócios do grupo, segundo Graziano, primeiro com as joias e depois com a fabricação de óculos de grau e solar, aconteceu de forma natural. “Comecei a perceber que o mercado de relógios e o de joias era o mesmo, com pontos de venda tradicionais, como as joalherias e relojoarias, que sempre têm um pouco dos dois, às vezes incluindo os óculos também”, diz o empresário.

A MG Gold atua em dois tipos de negócios, na fabricação do seu próprio material e no desenvolvimento apenas do design das joias, além de oferecer serviços terceirizados para empresas como a H.Stern, que buscam apenas a manufatura. “Atualmente, somos a mais equipada fábrica de manufatura de ouro da América do Sul e uma das cinco mais completas do mundo, com 95% dos equipamentos importados da Itália, referência mundial de qualidade no segmento”, diz Graziano.

Logística regional

Dividido entre Manaus e São Paulo, cidade onde o grupo mantém o escritório de criação dos seus produtos e também a parte de marketing, o empresário faz coro a uma das principais reivindicações do segmento industrial do Amazonas, tendo à frente a FIEAM, quanto às condições  da logística precária do país, sobretudo na região Norte. “A logística brasileira é muito mais cara que em qualquer outro lugar no mundo, então, mesmo a gente sendo competitivo em nível de mão de obra, a gente perde com esses fatores”, diz Graziano. “Quando você fala em frete, o que era complicado fica um pouco pior. O grupo poderia ser até quatro vezes maior se, de um dia para o outro, a logística do país melhorasse”, acredita. 

O forte da Magnum, segundo o empresário, é o mercado interno, principalmente os Estados das regiões Sul e Sudeste, com um forte esquema de distribuição que utiliza pelo menos 10 mil pontos de vendas no país. Mesmo assim, é um mercado que precisa ser estimulado o tempo todo, principalmente agora, para tornar o relógio um produto atraente para o público jovem que utiliza o celular para tudo. “Precisamos fazer com que o relógio continue sendo um acessório da moda e de status, até porque hoje existem diversos modelos de relógios digitais”, diz Graziano.

O futuro aponta para uma nova guinada nos negócios do empresário Roberto Graziano, prestes a entrar para o mercado imobiliário. Depois de arrematar em leilão a área física do Guarani, clube de futebol da cidade de Campinas (SP), incluindo o estádio Brinco de Ouro, ele anuncia um empreendimento cujo projeto inclui um shopping, seis torres residenciais e duas comerciais, e um hotel. “Até aprovar as próximas etapas e começarmos a construir, levará de dois a três anos e deve demorar mais uns cinco para execução, então daqui a oito anos já deve estar finalizado”, prevê.

Como 55º empresário eleito Industrial do Ano desde que o Mérito Industrial foi instituído, em maio de 1965, Roberto Graziano diz que se sentiu ao mesmo tempo feliz e lisonjeado com a homenagem da FIEAM e CIEAM. “Eu que sou industrial na área de relógio e joia desde a década de 80, entendo como um reconhecimento pela trajetória que eu construí aqui no PIM”, disse ele.

Junto com Graziano e Schubert Pinto, este agraciado com o título Microindustrial Destaque do Ano, o desembargador Flávio Humberto Pascarelli Lopes será homenageado com a Medalha do Mérito Industrial. A Recofarma Indústria do Amazonas receberá no mesmo evento o diploma de Empresa Exportadora do Ano, pelo volume vendido ao exterior pela empresa no ano de 2018.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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