Criatividade beneficia empresas de todos os portes

Em: 8 de setembro de 2016
https://www.jcam.com.br/0809_B1.png

Uma nova relação de trabalho, a colaboração corporativa ganha espaço na capital amazonense, seguindo uma tendência mundial. De pequenas empresas a multinacionais, de empreendimentos de bairro a estatais, a proposta acompanha a necessidade de conexão dos novos tempos. O conceito é de que serviços e produtos funcionem juntos, reduzindo custos e simplificando o gerenciamento das soluções. O ambiente criativo de coworkings e coletivos vem chamando a atenção dos ‘grandes’ que buscam inovar seus processos de criação dando um fôlego a mais aos seus profissionais que passam a ter contato com visões diferentes.

Criatividade e novos olhares

As multi ferramentas que vêm na esteira da colaboração são atraentes para diversos segmentos e até para áreas que aos poucos vão se encontrando. O acadêmico de biblioteconomia, Marcos Rodrigues vê a tendência como uma alternativa para antigos sonhos. “De início a minha maior motivação era estudar para concursos públicos, garantir a estabilidade. Mas frequentando ambientes criativos, passei a ver na colaboração uma chance de empreender. É uma tendência onde posso usar minhas habilidades e são muitos os cases de sucesso que justificam isso”, afirma o universitário.
O fundador da Vila Hub Coworking, Gustavo Jinkings é um entusiasta da colaboração corporativa. “Colaborar com ideias é algo que tem retorno sim. Nada se faz de graça e se é pouco o retorno financeiro, em alguns casos, o networking lhe dará nome para futuros trabalhos. Os créditos por sua participação estarão lá e logo outros trabalhos aparecerão”. Jinkings cita os trabalhos ‘off’ empresas, “Multinacionais costumam enviar demandas para pequenos desenvolvedores, com pouca ou nenhuma participação de seus profissionais. O resultado é a quebra de barreiras entre as corporações e o público.
De acordo com especialistas, a disseminação de conhecimento por parte das empresas, aumentou a percepção positiva da marca. O espaço deu também abertura para novos negócios e maior percepção dos funcionários em relação aos seus consumidores, motivando-os a melhorar seus produtos e entenderem melhor seus clientes.
A arquivista e coworker, Camila Soares é uma colaboradora na empresa ‘tradicional’ e no coworking. “Além de meu horário na empresa, trago para o espaço no coworking clientes para reuniões mais leves, o que rende conteúdo também mais criativo. Nas horas vagas, trabalho como recepcionista colaborando com a casa”, explica.

Trabalho por hospedagem
Outra forma de colaboração é o que troca hospedagens por serviços. Esses voluntários já contam com sites especializados em identificar onde há essas vagas, explica a gerente de hotelaria do Mao Hostel, Charlayne Primo. “Já recebi um voluntário pelo Worldpackers, site que indica quem trabalha e quem precisa de colaboradores. O Enrico veio de São Paulo e ficou conosco por três semanas, colaborando nas atividades noturnas na recepção do hostel. A experiência foi excelente”, comenta a gerente.

Ajuda positiva e eficaz

A colaboração é uma alternativa para quem não se enquadra no formato tradicional e nas suas consequências, conta a coach Sandra Leite. “Vejo como algo positivo e eficaz, já que às vezes o funcionário não se identifica como o modelo tradicional e seus horários e não consegue resultados satisfatórios por vários motivos: cansaço, pressão, relacionamentos interpessoais e falta de motivação e ainda assim, fica preso a esse modelo”, disse.
De acordo com a especialista, mesmo em novos modelos de colaboração, algumas fórmulas não devem ser mexidas. “Apesar da evolução e modernidade contínua, o ser humano precisa, além de suas necessidades básicas, de ser ouvido e de se relacionar. Nos coaches mantemos esse relacionamento entre profissionais para não perdermos a conexão de criação, chamada de cocriar, pois várias ideias reunidas são mais eficientes nas ações criativas”, finaliza a coach.

Como superar os desafios da colaboração corporativa

3 Encoraje as pessoas a compartilhar suas ideias. Assegure que os colaboradores terão suas sugestões levadas a sério por pares e superiores;
3 Construa ambientes para criação e debates de ideias (Brainstorming) em cada projeto.
3 Solicite feedbacks dos membros do grupo em pontos-chave de decisão para assegurar que a informação vital nunca será escondida;
3 Comunique coisas importantes, como projetos planejados e discussões-chave visando eliminar aqueles famosos “ele disse/ela disse” que surgem de forma espontânea e natural nas conversas;
3 Limite o tamanho dos grupos. Mantenha os grupos amplos o suficiente para permitir uma visão completa, mas pequeno o bastante para preservar as dinâmicas próximas, onde todos se conhecem bem.
3 Resista a tentação de dirigir. Se você é o chefe, permita que os empregados contribuam e enfrentem problemas sozinhos antes de entrar na jogada com uma solução.

Empresa do Estado

A Prodam (Empresa de Processamento de Dados Amazonas S.A) é um dos exemplos de colaboração corporativa mais visíveis no Amazonas. Apps criados em empresa e alimentados pela colaboração dos usuários representam essa nova visão e segundo o diretor-presidente da empresa, Márcio Silva de Lira, tudo está convergindo para isso. “A Prodam não descarta que no futuro possa desenvolver sites e aplicativos que contem com a participação e cooperação dos usuários. Afinal, a cada dia as pessoas estão mais conectadas e é imperativo aproveitar essas múltiplas conexões para aproximar os cidadãos dos serviços e benefícios do governo”, conclui.
“Nosso objetivo atual é trabalhar com o conceito de ‘governo na palma da mão’ cuja proposta é usar a tecnologia de forma estratégica diminuindo barreiras geográficas, de tempo e até de comunicação”, afirma Lira. Entre os aplicativos criados estão o ‘Saúde Amazonas’, que traz informações sobre as unidades de saúde mais próximas à residência do cidadão e ‘Procon AM’, que ajuda o consumidor amazonense a consultar os preços dos combustíveis e a encontrar o posto mais próximo e que apresenta o menor preço dos combustíveis

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar