Crise econômica divide Brasil e Argentina em reunião do Mercosul

Em: 27 de outubro de 2008
Representantes do Brasil e da Argentina chegam divididos à reunião do Mercosul em Brasília, na segunda-feira, que vai discutir o impacto e eventuais medidas para conter a crise econômica internacional
Representantes do Brasil e da Argentina chegam divididos à reunião do Mercosul em Brasília, na segunda-feira, que vai discutir o impacto e eventuais medidas para conter a crise econômica internacional

Representantes do Brasil e da Argentina chegam divididos à reunião do Mercosul em Brasília, na segunda-feira, que vai discutir o impacto e eventuais medidas para conter a crise econômica internacional.
Uma das principais divergências é sobre como reagir à crise do ponto de vista comercial. A Argentina vem reivindicando publicamente o aumento do protecionismo dentro do bloco.
Segundo uma fonte do ministério das Relações Exteriores do país, os argentinos vão levar à reunião a proposta de aumento da TEC (Tarifa Externa Comum) do bloco para produtos importados de países asiáticos.
O governo brasileiro, porém, vem dando sinais de que não concorda com a idéia e de que não pretende discutir o assunto na reunião. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já afirmou não acreditar que aumentar tarifas neste momento seja uma boa alternativa.
Em entrevista recente, o ministro Guido Mantega afirmou que “neste momento (de crise), não devemos tomar medidas protecionistas em nenhum lugar. O protecionismo foi o que derivou na crise (econômica mundial) de 1929, quando os países se fecharam”.
Para o presidente do Parlamento do Mercosul, o deputado federal Dr. Rosinha, que foi convidado para a reunião, o aumento não é uma solução. “Se os argentinos acham que é colocar barreira sobre produtos importados é a melhor saída, eles não vão se sair bem dessa crise”.
O governo argentino já impôs neste mês restrições não-tarifárias a uma lista de mais de 21 mil produtos importados, inclusive alguns brasileiros.
Os argentinos também se mostraram irritados com a idéia do Brasil de fazer uma reunião ampla, envolvendo não apenas os membros plenos do bloco, mas também todos os membros associados, o que além de Venezuela, inclui Colômbia, Equador, Bolívia, Peru e Chile.
Uma fonte do governo argentino afirma que o país preferia uma reunião separada para os membros plenos poderem discutir ações concretas, como a ampliação da Tarifa Externa Comum.
A mesma fonte diz que a idéia inicial da reunião partiu do país justamente com essa intenção.
Na opinião de analistas políticos argentinos, o Brasil teria ampliado a reunião em parte para “diluir” possíveis atritos com os argentinos e tornar o resultado do encontro mais vago.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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