Crise faz indústria voltar ao patamar de produção de 2004

Em: 2 de abril de 2009
Apesar da tímida recuperação nos dois primeiros meses de 2009, a produção industrial continua em nível bem abaixo do que vinha sendo constatado antes da crise global, em patamar próximo do verificado em junho de 2004
Apesar da tímida recuperação nos dois primeiros meses de 2009, a produção industrial continua em nível bem abaixo do que vinha sendo constatado antes da crise global, em patamar próximo do verificado em junho de 2004

Apesar da tímida recuperação nos dois primeiros meses de 2009, a produção industrial continua em nível bem abaixo do que vinha sendo constatado antes da crise global, em patamar próximo do verificado em junho de 2004.
De janeiro para fevereiro, a produção nacional subiu 1,8%, apontou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em relação a fevereiro do ano passado, a produção da indústria caiu 17%. Trata-se do quarto movimento de queda seguido nessa comparação. Desde novembro, a produção industrial caiu, em média, 13,9%. Antes disso, a indústria vinha crescendo há 22 meses consecutivos, na mesma base de comparação.
Diante disso, na comparação com o início de 2008, a indústria registrou em fevereiro índices recordes negativos, principalmente no setor de bens intermediários, cuja produção caiu 21% em relação a igual período no ano passado. Trata-se da maior queda desde o início da série, em 1991.
O setor de bens de capital (produção de máquinas), que reflete o investimento na indústria, despencou 24,4% na mesma relação, maior retração observada desde 1996.
Para o coordenador da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, Silvio Sales, a reação no início do ano ainda é insuficiente para neutralizar a queda ocorrida no final do ano passado, quando a crise atingiu em cheio a indústria.
“O pico da produção foi verificado em setembro de 2008. antes, a indústria vinha em um patamar muito alto, e agora, retornou a níveis de 2004”, afirmou Sales.
Dos produtos investigados pela pesquisa, 76,6% apresentaram retração, sobre fevereiro de 2008. Este índice é recorde desde que a difusão dos produtos passou a ser analisada, em 2003. Nessa mesma linha, 82,9% dos bens intermediários e 79,4% dos bens de capital apresentaram queda, níveis também recordes.
“Os bens de capital foram a expressão de um ciclo de crescimento do investimento muito expressivo nos últimos anos. Então, eles vêm de uma base muito alta. São reflexo desse ambiente de incerteza que faz com que empresários e consumidores adiem decisões”, avaliou Sales.
O coordenador do IBGE disse ainda que, se comparada aos dados de dezembro, pode-se considerar que a indústria vem saindo do fundo do poço.
“Se a gente considerar as estatísticas disponíveis até aqui e que dezembro foi essa marca recorde negativa, sim (vem saindo do fundo do poço), vem saindo e mostra esse saldo de maneira mais generalizada”, explicou.

Confiança na indústria

O ICI (Índice de Confiança da Indústria) subiu 2,2% em março, ao passar para 77,9 pontos (considerando-se dados com ajuste sazonal), contra 76,2 de fevereiro, segundo dados divulgados na terça-feira pela FGV (Fundação Getulio Vargas).
“O nível do indicador ainda se encontra baixo em termos históricos, sinalizando um ritmo fraco de atividade industrial”, diz a FGV em um comunicado.
Apesar disso, o resultado é positivo, uma vez que marca o terceiro mês consecutivo de avanço do ICI e reflete uma melhora na atividade de mais setores da indústria.
Neste mês, tanto o ISA (Índice da Situação Atual) quanto o IE (Índice de Expectativas) avançaram em relação ao mês anterior -o primeiro, de 77,8 para 79,5 pontos, e o segundo, de 74,6 para 76,3 pontos, ambos atingindo os maiores níveis desde o mês de novembro de 2008.
Em fevereiro passado, a evolução positiva da confiança na indústria foi atribuída apenas à recuperação do segmento de autopeças e montadoras, destacou a fundação.
Entre fevereiro e março de 2009, a proporção de empresas que avaliam o nível atual de demanda como forte elevou-se de 4,0% para 11,9%, enquanto a parcela das que o consideram como fraco aumentou, em menor proporção, de 36,3% para 40,1%.
Das 1.066 empresas consultadas, 27,7% preveem aumento e 17,7%, redução no trimestre entre março e maio. No mês anterior, estes percentuais haviam sido de 25,4% e 27,1%, respectivamente

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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