Crise mundial custou US$ 10 trilhões aos governos, diz FMI

Em: 2 de agosto de 2009
A crise econômica mundial já custou aos governos mais de US$ 10 trilhões, segundo informações do FMI (Fundo Monetário Internacional)
A crise econômica mundial já custou aos governos mais de US$ 10 trilhões, segundo informações do FMI (Fundo Monetário Internacional)

A crise econômica mundial já custou aos governos mais de US$ 10 trilhões, segundo informações do FMI (Fundo Monetário Internacional). O órgão afirma que os países ricos ofereceram, juntos, US$ 9.2 trilhões em ajuda ao setor financeiro, enquanto as economias emergentes gastaram um total de US$ 1.6 trilhão.
Cerca de US$ 1.9 trilhão foi concedido na forma de adiantamentos, enquanto o restante é representado por garantias e empréstimos. Os governos devem recuperar a maioria dessas quantias quando a economia mundial se reestabilizar, mas os grandes déficits vão permanecer.

Déficit orçamentário

O Fundo Monetário também está revisando suas estimativas do custo da crise para os orçamentos governamentais.
A entidade agora afirma que os países do G20 (grupo dos países desenvolvidos e principais emergentes) vão sofrer um déficit orçamentário de 10,2% do PIB em 2009 -o maior resultado negativo para a maioria dessas nações desde a Segunda Guerra Mundial.
Os maiores déficits projetados estão nos Estados Unidos, com 13,5% do PIB, no Reino Unido, com 11,6%, e no Japão, com 10,3%. Em 2010, no entanto, o Reino Unido deve ter o maior déficit do G20, com 13,3% do PIB, comparados com 9,7% estimados para os Estados Unidos.
O aumento nos déficits orçamentários foi provocado por uma combinação da gravidade da crise, que derrubou a arrecadação dos governos, e as medidas de estímulo introduzidas por alguns países para tentar incentivar a recuperação da economia.
O FMI estima que os países do G20 vão implementar planos de estímulo no valor de 2% de seu PIB em 2009, e 1,6% em 2010, mas diz que será difícil medir a eficiência dessa iniciativa. Apesar disso, o órgão afirma que esses planos já tiveram um grande efeito em limitar a recessão. Segundo o Fundo Monetário Internacional, esses gastos incentivaram o crescimento dos países do G20 com taxas entre 1,2% e 4,7% neste ano. A entidade acredita que o aumento de gastos é mais eficiente que a redução dos impostos para incentivar a demanda, e que isso funciona melhor se aplicado em conjunto com uma política monetária mais flexível e de maneira coordenada em todo o mundo.

Longo prazo

Os dados do fundo mostram ainda a extensão dos danos de longo prazo a crise está provocando para as finanças públicas.
O órgão estima que até 2014, a dívida dos governos alcance 239% do PIB no Japão, 132% na Itália, 112% nos Estados Unidos, e 99,7% no Reino Unido. Proporcionalmente, no entanto, o aumento no Reino Unido é o maior -com a dívida mais que dobrando em relação aos 44% de 2007.
Agências de classificação de risco alertaram recentemente que poderiam ser forçadas a rebaixar os índices de classificação dos papéis governamentais de países com uma dívida de 100% do Produto Interno Bruto ou mais elevada. Isso poderia fazer o governo ter que gastar mais pagando juros mais altos ao ir ao mercado para levantar dinheiro que financie seu déficit.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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