Cunha tinha a palavra final na Petrobras

Em: 24 de setembro de 2015

Eduardo Cunha tinha a palavra final na indicação para a diretoria Internacional da empresa

Ex-gerente da Petrobras, o engenheiro Eduardo Musa afirmou, em depoimento de delação premiada, que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tinha a “palavra final” na indicação para a diretoria Internacional da empresa.
A área é uma das principais envolvidas na Operação Lava Jato, por suspeita de cobranças milionárias de propina. Seus antigos diretores, Nestor Cerveró e Jorge Zelada, estão presos preventivamente em Curitiba.
Segundo o depoimento de Musa, que foi gerente da área Internacional entre 2006 e 2009, o PMDB detinha a indicação do cargo de diretor.
Um dos responsáveis por indicar nomes à diretoria seria o lobista João Augusto Rezende Henriques, preso nesta segunda (21) na última fase da operação. A palavra final, porém, era de Cunha.
“Henriques disse ao declarante [Musa] que conseguiu emplacar Jorge Zelada para diretor internacional da Petrobras com o apoio do PMDB de Minas Gerais, mas quem dava a palavra final era o deputado Eduardo Cunha”, diz um trecho da delação.
Henriques era “ligado ao PMDB”, segundo Musa, e tinha influência na área Internacional e “possivelmente” na diretoria de Exploração e Produção -que ainda não foi alvo da Lava Jato.
Segundo o engenheiro, o lobista fornecia informações privilegiadas de dentro da Petrobras para ajudar na formação de preço das propostas enviadas à diretoria, em troca do pagamento de propina.
Investigações apontam que Henriques recebeu R$ 20 milhões em propina de empreiteiras que prestavam serviço para a Petrobras. Ele está preso temporariamente em Curitiba.

Outro lado
A defesa do deputado Eduardo Cunha disse não ter tido acesso ao depoimento de Musa e, por isso, não quis se manifestar. Em depoimento em julho, o lobista João Augusto Henriques negou que tivesse relações políticas com o PMDB e disse nunca ter recebido ou intermediado propina.
A reportagem não conseguiu contato com a assessoria do PMDB.

Lava Jato investiga ‘enorme organização criminosa’

No início do julgamento que pode decidir pelo fatiamento das apurações da Operação Lava Jato, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defendeu nesta quarta-feira (23) que não há uma investigação de “empresas nem delações premiadas”, mas de uma “enorme organização criminosa que se espalhou pelos braços do serviço público”. Os ministros começaram a discutir uma questão de ordem do ministro Dias Toffoli sobre os rumos das investigações de provas contra a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) por não terem ligação direta com o esquema de corrupção da Petrobras. O entendimento do STF deve fixar se o ministro Teori Zavascki e o juiz federal no Paraná Sérgio Moro, que comandam as investigações da Lava Jato, são ou não competentes para analisar casos ligados à operação que não têm relação direta com os desvios na estatal. “Existe uma operação de mesma maneira, mesmos atores, mesmos operadores econômicos, que atuaram no fato empresa Consist e no fato empresa Petrobras. Não estamos investigando empresas nem delações, mas uma enorme organização criminosa que se espraiou para braços do setor público”, disse.
Para Janot, as provas contra a senadora estão interligadas à Operação Lava Jato. “Existem dois operadores que conversavam simultaneamente sobre um modus operandi idêntico na distribuição e obtenção ilícita de um lado e de outro. A eventual determinação do local da prática de ilícito e o fato da empresa ter sede em são Paulo tem que ser levado em conta, a lavagem de dinheiro ocorria através de dois escritório de advocacia em Curitiba”, disse. O possível fatiamento da operação preocupa integrantes da força-tarefa da Lava Jato. O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima disse à Folha de S.Paulo que a divisão pode significar “o fim da Lava Jato tal qual conhecemos”. Nos bastidores, investigadores temem que a decisão do STF tenha tido influência política.

O caso
O debate começou após Sérgio Moro enviar ao STF provas contra Gleisi Hoffmann e outros nos desvios do Fundo Consist. Como os fatos teriam ocorrido em São Paulo, Toffoli defende que o processo seja enviado à Justiça paulista, ficando no Supremo apenas a parte da investigação que trata da senadora. O fundo era operado por uma firma que teria atuado no desvio de recursos de empréstimos consignados do Ministério do Planejamento, que era comandado pelo marido de Gleisi, Paulo Bernardo.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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