Custo da Construção Civil do Amazonas fecha com viés de baixa no mês de março

Em: 2 de maio de 2024

Os preços da construção civil do Amazonas marcaram seu segundo mês de estabilidade em março, e desta vez com viés negativo. O metro quadrado da atividade ficou 0,05% mais barato diante de fevereiro de 2024, passando de R$ 1.807,60 para R$ 1.806,66. O resultado configura uma nova desaceleração ante o levantamento anterior (+0,02%), com a menor variação na região Norte e um percentual bem aquém da já desaquecida média brasileira (+0,07%). Os dados são do levantamento mensal do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), do IBGE.

Ao contrário dos meses anteriores, o subindicador relativo aos materiais de construção encolheu 0,08%. Saiu de R$ 1.121,49 para R$ 1.120,55, em sentido oposto à trajetória ascendente do número brasileiro (+0,13% e R$ 1.006,19). A quatro meses do mês da data- base da categoria, os passivos médios das empresas locais com mão de obra (R$ 686,11) permaneceram rigorosamente estáveis, repetindo a performance anterior e acompanhando o restante do país (R$ 723,06).

O indicador, contudo, acumulou alta de 0,76% no trimestre, e expansão de 4,65%, no aglutinado dos últimos 12 meses, superando a média nacional (+0,41% e 2,36%, respectivamente) em ambos os casos. Em 2024, a variação mensal do custo médio da construção civil do Estado está bem atrás do IPCA, que também é medido pelo mesmo IBGE. Embora tenha retraído de 0,83% para 0,16%, a inflação oficial de março foi superior ao Sinapi do Amazonas e isso valeu também para o acumulado dos três meses (+1,42%) – mas não para a variação anualizada (+3,93%) do Índice de Preços ao Consumidor Amplo.

Abaixo da média

Em março, com a variação de preços novamente abaixo da média brasileira (+0,02%), o Amazonas (-0,05%) caiu do 19º para o 20º lugar do ranking nacional. Rio Grande do Norte (+1,03%), Piauí (+0,61%) e Roraima (+0,55%) encabeçaram uma lista com nove deflações e uma estabilidade. Distrito Federal (-0,62%), Goiás (-0,49%) e Mato Grosso do Sul (-0,48%) ficaram nas últimas posições. No trimestre, o Estado desceu da sétima para a 11ª colocação, em um rol iniciado pelo Rio Grande do Norte (+1,96%) e encerrado pelo Mato Grosso do Sul (-0,72%). Em 12 meses, subiu da quarta para a quinta posição, tendo Roraima (+6,73%) e Minas Gerais (-1,11%) nos extremos.

Com a desaceleração mensal, o custo médio do metro quadrado do Amazonas (R$ 1.806,66) foi o décimo mais caro do país, e o quinto mais elevado da região Norte, ficando abaixo da média brasileira (R$ 1.729,25). Os maiores preços do Brasil estão em Santa Catarina (R$ 1.990,18), Rio de Janeiro (R$ 1.908,56) e Roraima (R$ 1.896,41). Em sentido contrário, os dispêndios mais baixos se situam em Sergipe (R$ 1.553,14), Pernambuco (R$ 1.569,40) e Espírito Santo (R$ 1.575,03).

O preço médio dos insumos no Estado (R$ 1.12,55) permaneceu na quinta posição e entre as 16 unidades federativas acima da média brasileira (R$ 1.006,19). O rol é aberto pelo Acre (R$ 1.220,21) e encerrado pela Bahia (R$ 936,94). O contrário se deu na mão de obra, rubrica na qual o Amazonas (R$ 686,11) segue bem atrás do dado nacional (R$ 723,06), na 13ª colocação. Rio de Janeiro (R$ 886,49) e Sergipe (R$ 599,31) ficaram nos lados opostos dessa lista.

Texto divulgado pelo IBGE-AM também apontou diferenças de preços na construção amazonense, conforme o projeto. “Em março, uma casa popular de 1 pavimento, varanda, 2 quartos, circulação, banheiro e cozinha, e com padrão mínimo de acabamento, ficou com custo médio de R$ 1.182,50. Em relação a fevereiro, o aumento foi de R$ 3,18. Já uma casa residencial, com 1 pavimento, varanda, sala, 2 quartos, circulação, banheiro, cozinha, área de serviço, quarto e banheiro de empregada, com padrão mínimo de acabamento, ficou com valor de R$ 1.360,50. Na comparação com o mês anterior houve redução de R$ 4,65”, exemplificou. 

Mercado desaquecido

O chefe de disseminação de informações do IBGE-AM, Luan da Silva Rezende, diz que a “leve variação negativa” do Sinapi do Amazonas foi a primeira desde agosto de 2023 e aponta “certa estabilidade “.”Em certa medida, a ocorrência é bem recebida. O indicador fechou com aumento bem acima da inflação nos últimos quatro anos. Mas, o Amazonas já possui o décimo maior preço da construção do país e a pesquisa indica que os preços de balcão se elevaram sensivelmente nos últimos anos”, ponderou.

O presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza, ressalta que os valores médios da mão de obra do setor seguem relativamente estáveis, já que a data-base dos trabalhadores é em junho, data em que se prevê um novo aumento para esse dispêndio. Embora ressalve que as cifras empregadas para custear o trabalho podem variar conforme as etapas da obra, o dirigente reforça que é o componente material que costuma pesar mais para as construtoras locais, embora este também tenha apresentado estabilidade em março.

“Não tivemos aí uma variação forte. Os fornecedores estão mantendo o preço, porque não há ambiente para elevação de preços. E não há nenhum efeito logístico diferenciado, como a estiagem severa do ano passado, ou mesmo uma inflação alta demais, para justificar reajustes. Então, essa estabilização faz sentido. Outro fator é que o mercado não está muito aquecido. As empresas estão mantendo ou até reduzindo preços, além de fazer negociações diferenciadas”, finalizou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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