Custo da construção do AM cede pela primeira vez, desde o começo da pandemia

Em: 1 de outubro de 2023

O custo do metro quadrado da construção civil do Amazonas registrou sua primeira redução em agosto, desde o começo da pandemia. O custo do metro quadrado passou de R$ 1.754,01 para R$ 1.750,57, ficando 0,20% mais baixo do que no mês anterior. Foi uma variação bem menor do que as apresentadas em julho (+0,19%) e junho (+0,62%). E, diferente dos meses anteriores, o desempenho do Estado seguiu em trajetória inversa à da média nacional (+0,18%) e do IPCA (+0,23%) do mês. É o que revelam os dados da pesquisa do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), calculada e divulgada pelo IBGE. 

Em oito meses, no entanto, os dispêndios do setor já acumulam 4,27% de alta, para um crescimento de 2,04%, no Sinapi nacional, e de 3,23%, para a inflação oficial. Em 12 meses, os preços da construção civil do Amazonas já avançaram 7,49%: mais que o dobro do restante do país (+3,11%) e também superior ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (+4,61%) do período. Ao contrário do ocorrido em julho, o indicador foi puxado para baixo pelo valor médio dos insumos, que recuou 0,50% em relação a julho, de R$ 1.119,98 para R$ 1.114,36. Em contraste, os dispêndios médios com mão de obra saíram da estabilidade para subir 0,34%, e chegar a R$ 636,21.

Para as construtoras, essa foi uma boa notícia, que se soma à redução da taxa Selic e à sinalização do BC (Banco Central) de dar continuidade ao ciclo de cortes da taxa básica de juros. O Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Amazonas) reforça que o setor ainda conta com outras boas notícias para reequilibrar o jogo em favor dos negócios das construtoras amazonenses, como anúncio do novo PAC, as mudanças institucionais no Minha Casa Minha Vida, e a maior disposição do governo do Estado e do município em investir em habitações populares. O dado negativo vem do possível impacto da vazante nos custos dos fretes.

Acima da média

Com a taxa de expansão mensal abaixo da média brasileira, o Amazonas despencou do 11º para 22º lugar do ranking nacional. Mato Grosso do Sul (+2,37%), Paraná (+2,30%) e Rio Grande do Sul (+1,44%) dividiram o pódio inflacionário. Na outra ponta estão Ceará (-0,48%), Distrito Federal (-0,44%) e Bahia (-0,40%), em meio a 11 deflações e uma estabilidade. No acumulado do ano, o Estado desceu do primeiro para o segundo lugar, sendo superado apenas pelo Paraná (+4,53%), com o Mato Grosso (-0,36%) no extremo oposto. E ocupa a mesma colocação no ranking da variação de 12 meses, que é iniciado por Santa Catarina (+7,97%) e encerrado pela Bahia (-0,89%).

Os aumentos mensais consecutivos nos meses anteriores mantiveram o custo por metro quadrado no Amazonas (R$ 1.750,57) acima da média brasileira (R$ 1.713,52). O Estado permanece na 11ª posição do ranking brasileiro, sendo o quinto com valores mais caros em toda a região Norte. Os maiores números do país estão em Santa Catarina (R$ 1.975,52), Rio de Janeiro (R$ 1.889,12) e Acre (R$ 1.866,94). Em sentido contrário, os dispêndios médios mais baixos se situaram em Sergipe (R$ 1.526,81), Alagoas (R$ 1.530) e Piauí (R$ 1.565,79).

O preço médio dos insumos (R$ 1.114,36) fez o Estado recuar da segunda para a terceira posição, embora continue batendo com folga a média nacional (R$ 1.000,42). Perdeu apenas para Acre (R$ 1.186,86) e Rondônia (R$ 1.121,73), em um rol encerrado por Sergipe (R$ 927,58). O oposto se dá na mão de obra, onde o Amazonas (R$ 636,21) ainda perde de longe para o dado brasileiro (R$ 713,10), apesar da subida da 21ª para a 19ª colocação. Santa Catarina (R$ 895,20) e Alagoas (R$ 590,74) ficaram nos extremos da lista.

“Redução significativa”

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, reforça que os dados da pesquisa apontaram para a primeira retração do Sinapi local, depois de 42 meses de aumentos sucessivos. Diante disso, o pesquisador avalia que, embora o recuo tenha sido “pequeno”, e ainda sinalize estabilidade para o indicador, “é bastante significativo”. Especialmente porque foi impulsionado pelos custos dos materiais de construção –em detrimento da “pequena variação” registrada pelos dispêndios das empresas com mão de obra. 

“Desde fevereiro de 2020, o custo médio do metro quadrado da construção não apresentava queda no Amazonas. Ao menos 12 unidades federativas apresentaram quedas em seus custos médios, indicando que a redução ocorreu em nível nacional, mesmo que outras 14 tenham sofrido aumentos. Para a divulgação de setembro, ainda não é possível construir cenários. Isso ocorre porque fatores econômicos, a exemplo da inflação e do aumento nos combustíveis poderão impactar os preços de balcão”, ponderou.

Em texto postado na Agência de Notícias IBGE, o gerente da Sinapi, Augusto Oliveira, salienta que a parcela dos materiais voltou a recuar em âmbito nacional, sendo agosto o quarto mês a apresentar deflação em 2023 –juntamente com janeiro, maio, junho e agosto. “A diminuição foi de 0,14%, ficando 0,15 ponto percentual abaixo da taxa registrada em julho, que estava próxima da estabilidade”, enfatizou. O oposto se deu na mão de obra. “Com os acordos coletivos firmados em alguns Estados, a mão de obra teve taxa de 0,64%, ficando 0,11 p.p. acima do que foi observado em julho”, completou.   

Juros e frete

De acordo com o presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza, o aumento no custo da mão de obra ainda reflete o reajuste salarial da categoria, que teve um aumento de 4% sobre os salários percebidos a partir de 1º de julho –a data-base da categoria. O dirigente considera que a tímida desaceleração captada pelo IBGE aponta para uma estabilidade nos preços do setor, além de confirmar que “já não há mais clima” no mercado para aumentos de preços de componentes de construção civil. Mas ressalva que as variações dos juros e do frete podem influenciar nos preços.

“O aumento nos salários não foi muito significativo para a formação do preço do metro quadrado. Na verdade, o mercado anda muito desaquecido, e isso é uma grande razão para não termos aumentos de preços de materiais de construção até o fim do ano. A não ser que haja algum fato novo muito especial para a economia aquecer tanto. No momento, o que se vê é uma economia mais lenta e menos vendedora. Acredito que, se a taxa de juros baixar, a tendência desse metro quadrado é de diminuir, realmente. Estamos na época da seca e, se o preço do frete subir, teremos aumentos. Mas, esse é um fator pontual”, encerrou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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