Passada a euforia com a inauguração da Ponte Rio Negro, governo e iniciativa privada passam a contabilizar os efeitos econômicos da obra sobre o dia a dia da região metropolitana. Mas, no que depender da indústria de olarias localizada em Iranduba, a queda nos preços não será sentida pela população tão cedo.
Responsável por abastecer a indústria da construção civil, 80% das olarias dependem do uso da madeira para a produção de tijolos e é nesse ponto que está o problema. Segundo a presidente do Sindicer (Sindicato das Cerâmicas do Estado do Amazonas), Irlene Batalha, para utilizar a matéria prima na queima dos fornos, as empresas precisam ter um volume de material excedente, além de toda a autorização para empregar madeira certificada.
“Para usarmos a madeira, temos que estar em conformidade com a lei, ou seja, temos que ter autorização do Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas), caso contrário, isso não é possível”, explica Irlene. “O problema é que a pouca madeira que existe de projetos de manejo é disputada por todos e isso faz com que o preço fique elevado no produto final”, reconhece.
A dirigente informa ainda que os únicos municípios com madeira legalizada a fornecer para as olarias são Maués, Novo Aripuanã, Novo Airão e Manacapuru. “A madeira vem de projetos desses municípios mas, ainda é pouco e quando chega o período de vazante dos rios, aí a coisa piora”, observa. Questionada sobre o impacto da ponte nos custos das olarias, ela foi enfática. “Os R$30 ou R$50 que deixamos de pagar nas balsas não é o suficiente para repassarmos uma diminuição nos preços finais, até porque, nosso problema não está apenas na distância”, argumenta.
Solução no manejo
Com valores entre R$450 e R$480, o milheiro do tijolo custa caro ao setor de construção de Manaus e para Irlene Batalha, será algo difícil de contornar já que as soluções não existem a curto prazo. “Reconheço que as olarias precisam desenvolver projetos de manejo para o próprio fornecimento de madeira mas, como vamos fazer isso se não há terra legalizada para os projetos?”, questiona. “É algo a longo prazo mas, muitos empresários não podem desenvolver porque não possuem o título definitivo da terra”, informa.
O presidente do Sinduscon (Sindicato das Industrias da Construção Civil de Manaus), Cláudio Guenka, evitou entrar no mérito ambiental do problema preferindo aguardar por mais tempo para avaliar os impactos da ponte. “Temos uma pesquisa referente ao mês de outubro e pelos dados não houve variação até porque a ponte acabou de ser inaugurada e o tempo é curto para uma avaliação mais detalhada dos impactos”, declarou.
A reportagem do JC tentou contato com a assessoria do Ipaam pelo celular XX56-3906, mas até o final desta matéria, não havia obtido sucesso.







