Dança de rua na praça e na praia

Em: 29 de julho de 2016
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O hip hop, tanto o gênero musical quanto a dança, até hoje não conseguiram se impor em Manaus, apesar de grupos dispersos, principalmente de dança (levando o significado do nome hip hop ao seu mais extremo significado) existirem em regiões mais afastadas das áreas centrais da cidade, em guetos de jovens menos abastados que se exibem para plateias formadas por eles mesmos.
Nos próximos dias 14 e 15 (domingo e segunda-feira) de agosto será a hora desses jovens conhecerem o que se faz em outras quebradas durante as apresentações do espetáculo “Olho NU”, pela Cia. Híbrida, do Rio de Janeiro, com performances de hip hop e dança contemporânea que acontecerão no Largo de São Sebastião e na praia da Ponta Negra.
O “Olho NU”, em cada um dos dias, será precedido por outras duas performances, o “Ponto de Parada” e o “Escuta”.
Apresentação de “Olho NU” é a terceira e última parte da trilogia que discute o hip hop e sua fragilidade. “Mas não acaba aí. Ao contrário, essa nova pesquisa feita pela Cia Híbrida trouxe muitas questões, entre elas, uma que se impôs de modo fundamental: Que ideias já foram esgotadas nesse processo, e quais necessitam de continuidade?”, falou Steffi Vígio, diretora de produção do espetáculo. Ainda como mote, o desejo de desnudar o dançarino de rua, ressaltando as fragilidades deste corpo potente, e ao mesmo tempo, revelar todo o potencial criativo existente por trás destas fragilidades. “Uma vez mais, a repetição que busca transformação. Uma vez mais, a busca por formas de composição que extrapolem o lugar comum dessa técnica. Uma vez mais, alimentar a reflexão sobre este corpo que se atém no papel de entreter e atender expectativas daquele que assiste. Uma vez mais, oferecer ao expectador um olhar diverso e aproximado do universo hip hop e de sua dança. E nesse caminho, seguir acompanhado/assombrado pela pergunta: como abordar de modo diferente as mesmas questões?”, completou.

Dois dias de performances

“Olho NU” vai ser apresentado pela Cia. Híbrida, criada e dirigida desde 2007 pelo bailarino e coreógrafo Renato Cruz. Trata-se de uma das companhias de dança mais atuantes do Rio de Janeiro, já tendo recebido diversos prêmios, dançado em inúmeros festivais e mostras e viajado para a Costa Rica, França, Portugal e Alemanha.
Em Manaus, onde a Cia. estará pela primeira vez, também serão apresentadas as performances “Ponto de Parada”, no dia 14, e “Escuta”, no dia 15. Na primeira, oito bailarinos misturados às demais pessoas, aguardam o ônibus. Nesse meio termo, pausas em grupo, passos de dança isolados, juntos, misturados. A proposta é simples: trazer um estranhamento, e quem sabe, acordar aquele que espera bem ao lado. Na segunda performance, bailarinos com fones de ouvido desplugados oferecem aos transeuntes a possibilidade de um contato, que se dá através das extremidades do fone. E nessa possibilidade pode surgir uma troca, verbal e não verbal, uma comunicação que se dá de corpo para corpo.
Os espetáculos, cujo projeto integra o Circuito Funarte Cena Pública 2016, terão a direção geral e concepção de Renato Cruz; Aline Teixeira como assistente de direção e preparação corporal; Steffi Vigio na direção de produção e serão interpretados por Jefte Francisco, Raphael Lima (Russo), Luciana Monnerat, Luciano Mendes (Duly Omega), Daniel Oliveira (Kiriku), Fábio de Andrade (Fábio Max), Marjory Lopes e Mailson Morais. O design gráfico fica por conta de Isabela Schubert.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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