De olho na tela

Em: 1 de agosto de 2016
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Houve uma época (e não faz muito tempo) em que os artistas, fossem eles de qual área fossem, precisavam ir aos jornais, programas de rádio e televisão para se promover, mostrar e falar de sua arte. Isso foi no tempo em que quase todas as pessoas liam jornais, ouviam rádio e viam televisão. E essa visualização era restrita praticamente à cidade onde se fazia a divulgação.
Os tempos mudaram e hoje o artista que quer aparecer, além dos jornais, rádios e televisão, que continuam a desempenhar o seu papel de informar, precisam estar por dentro da comunicação mobile (lê-se mobai), ou seja, aquela feita através do celular. Tão nova que, mesmo já estando sendo feita por quase todo mundo, ainda é desconhecida pela maioria.
O artista plástico Turenko Beça não abre mão se promover através do Instagram, do Face e do WhatApp. “Hoje as pessoas costumam ficar conectadas 24 horas por dia e quem tem algo a mostrar, usa o celular para fazer isso. Diariamente eu posto os meus trabalhos no Instagram e no Face e assim como acompanho o trabalho de outros artistas, tenho o meu trabalho acompanhado. Não existe mais delimitação de um espaço geográfico no planeta. Na mesma hora atingimos o mundo. O homem se tornou um Cyborg, cheio de apetrechos utilizados principalmente para se comunicar e se tornar conhecido”, falou.
Pesquisa feita pelo Google no ano passado revelou que atualmente no mundo, existem mais telefones celulares que televisores e a tecnologia mobile cresce mais rápido que a internet. Assim, o celular se torna o companheiro inseparável das pessoas e o meio mais prático e eficiente na hora de fazer pesquisas, compras ou para o entretenimento.

Não é um vício

O contrabaixista acústico Roger Vargas mesmo tocando um instrumento, em princípio, pouco admirado dentro de uma orquestra, consegue ser ouvido e elogiado do outro lado do planeta. “Uso muito o Face e um canal no YouTube para postar meus vídeos tocando o contrabaixo. Devo ter uns 15 vídeos postados, uns, inclusive, ainda gravados em VHS numa época em que essas fitas é que perpetuavam a sua história. Hoje você posta um vídeo e ele fica lá, registrado, pelo resto da vida, e com a possibilidade de ser visto por quem quiser”.
Roger não é daqueles que ficam 24 horas com o celular na mão, olhando tudo o que postam, mas quando o assunto é música, principalmente clássica, e de contrabaixo, aí sim, ele consulta a qualquer hora. “Noto que outros artistas curtem o que posto e eu também fico conhecendo artistas de todo o lugar do mundo. O vizinho do lado da minha casa sabe que eu toco contrabaixo, mas não me curte, enquanto alguém, lá da Europa, fica maravilhado em saber que aqui (no meio da floresta, como eles pensam), alguém toca contrabaixo”, riu.
Para Jonatas Abbott, diretor da Dinamize, empresa de e-mail marketing, “andar consultando o celular não é um vício. Faz parte do processo. Na verdade, não estamos desperdiçando tempo, o estamos ganhando. Na medida que através da pequena tela em nossas mãos substituímos a ida ao banco, o uso do desktop (notebook?), eliminamos tempo ocioso trabalhando, fazemos compras enquanto esperamos o ônibus chegar em casa, nós estamos ganhando um tempo enorme, fabuloso.
É uma revolução de costumes que pode se traduzir em mais tempo livre e mais qualidade de vida. A tecnologia mobile veio para otimizar o nosso tempo e diminuir nossas distâncias”, assegurou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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