Impulsionada pelo crescimento do mercado interno, a indústria têxtil e de vestuário está aumentando os investimentos em produção. É o que indicam os números do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que ultrapassou R$ 1 bilhão em financiamentos para o setor em julho. A marca é quase 60% superior aos R$ 647 milhões emprestados em todo o ano passado.
Para a gerente da área industrial do BNDES, Ana Cristina da Costa, o setor passa por um novo ciclo de investimentos, tentando perseguir o crescimento do consumo interno e aumentar fatores de competitividade para disputar com os importados, favorecidos pelo câmbio. Por outro lado, o dólar mais barato favorece a compra de maquinário importado para ampliar capacidade.
A Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) estima que os investimentos do setor devem dobrar este ano em relação a 2009, alcançando US$ 2 bilhões. “Na década de 1990, houve renovação do parque fabril, mas os investimentos vinham estáveis até o ano passado. Agora parece que o setor está entrando em um novo ciclo de investimentos”, analisou.
Capital de giro
Os desembolsos do BNDES para têxteis e confecções retomaram o patamar de 2008, anterior à crise, quando o banco liberou R$ 1,34 bilhão para o segmento. No entanto, a maioria das operações naquele ano era para capital de giro do programa Revitaliza, criado antes da crise para segmentos que já sofriam com o real valorizado. Agora, a maior parte dos recursos é para equipamentos.
Para o BNDES, os juros subsidiados do PSI (Programa de Sustentação do Investimento), de 5,5% ao ano, incentivaram ainda mais o investimento em capacidade. Só nas linhas indiretas, o banco já financiou R$ 227,8 milhões em máquinas e equipamentos para a indústria têxtil este ano. Em 2009, essa soma fechou o ano em R$ 97,3 milhões. As operações diretas, que representam os maiores projetos, somaram R$ 198,05 milhões em agosto. Em 2009, foram R$ 45,9 milhões. “O crescimento da produção não acompanhou o da demanda. Agora, o investimento fixo cresce para alcançar o consumo”, afirmou.
Segundo ela, em vez de disputar preço com os importados, cujo volume cresceu 50% este ano no segmento, as empresas investem em elementos como moda e design. “O câmbio ainda é um problema, mas não apenas para o setor. As empresas estão investindo em nichos para agregar valor e enfrentar a concorrência asiática. Estão cada vez mais interessadas em aprofundar a atuação na cadeia, chegando ao varejo”, encerrou.






